terça-feira, 5 de junho de 2007

A POESIA ILUMINADA DE ÂNGELO D´ÁVILA


Ângelo d´Ávila
Araxá, 1924
Poeta e contista mineiro

SINAIS DE CHUVA NO SERTÃO

Quando acorda a cigarra-do-sertão,
solta o assobio a favor do vento,
não é cantiga, é aviso, é sofrimento,
gemido aterrador da sequidão.

O ronco dos guaribas é trovão
que responde depressa esse lamento,
marruás chifra barranco e o jumento
bate a pata no cupim, arranca chão.

Saparia dá sinal... e os paturis,
águas-sós dão foguetes na lagoa,
os ventos batem palmas nos buritis.

Os olhos têm sorriso, o céu descerra
seus cílios sobre o sol, vem chuva boa,
vêm lágrimas do céu regar a terra.


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