terça-feira, 17 de julho de 2007

MENOTTI DEL PICCHIA: A POESIA DE UM MODERNISTA


Menotti Del Picchia
São Paulo 1892 - Idem 1988
Poeta, romancista, cronista, ensaísta, pintor e jornalista paulista
NOITE
As casas fecham as pálpebras das janelas e dormem.
Todos os rumores são postos em surdina,
todas as luzes se apagam.
Há um grande aparato de câmara funerária
na paisagem do mundo.

Os homens ficam rígidos,
tomam a posição horizontal
e ensaiam o próprio cadáver.

Cada leito é a maquete de um túmulo.
Cada sono em ensaio de morte.

No cemitério da treva
tudo morre provisoriamente.

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