quinta-feira, 23 de agosto de 2007

CRUZ E SOUZA : O GÊNIO DO SIMBOLISMO


Cruz e Souza
Nossa Senhorado Desterro, atual Florianópolis 1861 - Barbacena, MG 1898
Poeta catarinense



MANHÃ

Alta alvorada. — Os últimos nevoeiros

A luz que nasce suavemente espalha,

Move-se o bosque, a selva que farfalha
Cheia da vida dos clarões primeiros.

Da passarada os vôos condoreiros,
Os cantos e o ar que as árvores ramalha
Lembram combate, estrídula batalha
De elementos contrários e altaneiros.

Vozes, trinados, vibrações, rumores
Crescem, vão se fundindo nos esplendores
Da luz que jorra de invisível taça.

E como um rei num galeão do oriente
O sol põe-se a tocar bizarramente
Fanfarras marciais, trompas de caça.

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