quinta-feira, 11 de outubro de 2007

ADEMIR BRAZ: UM POETA DAS BANDAS DO NORTE


Ademir Braz
Marabá 1947
Poeta e jornalista paraense

ESTIAGEM

Ensolarada e súbita cai a manhã gloriosa.
Fino ouro interminável, goivos de luz e azul
sobre telhados de ocre esparge o retinto anil.

Azul despenca uma folha: sanhaçu voraz – o dia.
Ágil peixe entre centauros, frescor de corpos – o dia.

Vês essa trama do tempo?
Vês essa carne volátil?
Ela retesa e tece
em torno às moscas das horas
a cintilante voragem.

Ó encantamento blue... Ah, desamor, desamor !...
À falta de teus orgasmos, colho esses tristes orvalhos...

Um comentário:

Analuka disse...

Bonitos escritos, que recolhem reflexos poéticos de orgasmos e orvalhos, a despeito do vazio das desertas horas...