terça-feira, 27 de novembro de 2007

AS FLORES PROIBIDAS

Enzo Carlo Barrocco




















As flores que têm dono são tão mais belas
e muito mais belas essas flores são;
no entanto, vejo do vão azul da minha janela
essas flores serem colhidas uma a uma à mão. 

É tempo de colheita e essas flores brancas
sob o vento tépido das manhãs se despem,
as vestes castas ante nuvens francas
e que longas sépalas pelo sol se crespem. 

É noite, enfim, e dentre uns lábios rudes
há sussurros, e há luz nos olhos delas;
não mais as vejo as portas estão cerradas, 

silêncio e gozo usurpam as madrugadas
que seguem violentamente amarelas
no dorso desesperado das ruas orvalhadas.

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