segunda-feira, 5 de novembro de 2007

JIRAU DIVERSO Nº 12

JIRAU DIVERSO
Nº 12 – fevereiro.2007
por Enzo Carlo Barrocco

A poesia espírito-santense de Matusalém Dias de Moura

O POEMA

3 HAI-KAIS

Varal Partido
a roupa no chão.
A voz da lavadeira.


*


Vazia tarde
Se põe o sol.
A cigarra só

*

Rosto de criança
a vidraça embaçada.
Chuva e reclusão.

O POETA

Matusalém Dias de Moura, espírito-santense de Irupim, poeta, contista e político, no convés da fragata desde 1959, situa seu trabalho poético na região capixaba do município de Iúna, onde passou sua infância, não se esquecendo, porém do seu ofício de escrever sobre a beleza da vida em todas as suas variantes. O hai-kai é um gênero que Matusalém cultiva maravilhosamente bem. Portanto, um poeta que faz do simples, excelentes imagens poéticas.

***

ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis

“Miscela Literária” (Contos)
Autor: Hilmo Moreira
Edição: Imprensa Oficial do Estado do Pará
Este livro prova o talento literário de Hilmo Moreira. Romancista e contista exímio, em “Miscela... Hilmo aborda vários aspectos do cotidiano em situações diversas.

“Relicário” (Poesias)
Autora: Patrícia Neme
Edição: Editora Corifeu
A infância em São João de Muqui – ES, a religiosidade e a família poeticamente lembradas através da escrita singela de Patrícia. A simplicidade aqui tem outro
nome: poesia.

“Entre os atos” (Romance)
Autora: Virgínia Woolf
Edição: Editora Nova Fronteira
Não é um dos melhores trabalhos de Woolf, entretanto vale conferir a escrita desta romancista inglesa que soube muito bem retratar a sociedade bretã das primeiras décadas do século passado.

A FRASE DI/VERSA

O único meio de criar homens livres é educá-los, outro modo ainda não se inventou e com certeza nunca se inventará.
- Olavo Bilac (Rio de Janeiro 1865 – Idem 1918) poeta, novelista, cronista, crítico literário e ensaísta fluminense.

***

DA LAVRA MINHA

AS LAVADEIRAS DO IGARAPÉ MENINO

Enzo Carlo Barrocco

Igarapé Menino,
passagem de gente, paisagem de todos,
vozes agudas e coxas à mostra;
súbito, ao nível d´água, sobe uma saia.

Águas claras, rasas águas.
Mulheres que falam de ereções e espermas,
mulheres que lavam seus raros orgasmos;
seios aguçados sob as blusas úmidas.

Risos e obscenidades,
sexos submersos entre espumas e panos;
gozos quarados nas pontas dos dedos,
Igarapé Menino

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