quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

MURILO MENDES: A POESIA SEM PERMEIO

A MÃE DO PRIMEIRO FILHO


Murilo Mendes
(Juiz de Fora 1901 - Lisboa, Portugal 1975)
Poeta minieiro

Carmem fica matutando
no seu corpo já passado.

— Até à volta, meu seio
De mil novecentos e doze.
Adeus, minha perna linda
De mil novecentos e quinze.
Quando eu estava no colégio
Meu corpo era bem diferente.
Quando acabei o namoro
Meu corpo era bem diferente.
Quando um dia me casei
Meu corpo era bem diferente.
Nunca mais eu hei de ver
Meus quadris do ano passado...

A tarde já madurou
E Carmem fica pensando.

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