sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

JIRAU DIVERSO N° 15

JIRAU DIVERSO
Nº 15 – maio.2007
por Enzo Carlo Barrocco

A poesia libanesa de Khalil Gibran

O POEMA

A Ilusão do Saber
(O Jovem)

Na floresta não existe
ignorante ou sábio:
quando os ramos se agitam,
a ninguém reverenciam.
O saber humano

é ilusório
como a cerração dos campos
que se esvai quando o sol
se levanta no horizonte.

Dá-me a flauta e canta.
O canto é o melhor saber,
e o lamento da flauta
sobrevive
ao cintilar das estrelas.

O POETA

Gibran Khalil Gibran, poeta, pintor e desenhista libanês (Bsharri 1883 – Nova York, EUA 1931) é um dos mais conhecidos poetas do Líbano e a sua escrita mística evoca os sentidos e os sentimentos de quem o lê. Além do árabe, escreveu também em inglês. Gibran obteve, por outro lado, grande notoriedade como pintor. A prosa poética, no entanto, é o seu maior atributo.

***

ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis

"Do Amor e Outros Demônios" (Romance)
Autor: Gabriel Garcia Marquez
Edição: Editora Record
Na Colômbia do século XVIII, um padre exorcista espanhol se envolve com uma marquesa adolescente que, dizem, demoníaca, cujos cabelos, por promessa, não poderiam ser cortados até a noite de seu casamento.

"O Câncer no Pêssego"
Autor: José Antônio Assunção
Edição: Editora Idéia
A poesia de Assunção fala de lubricidade e linguagem, adaga e fruta. A palavra breve, ternas melodias. Belos exercícios poéticos.

"Céu Caótico"
Autora: Maria Lúcia Medeiros
Edição: Secult / Pará
A autora levou para os seus contos toda a poesia que tinha na alma. Textos maravilhosos ilustrados com fotografias de diversos profissionais.

A FRASE DI/VERSA

A verdadeira ternura não se confunde com coisa alguma. É silenciosa.
- Anna Akhmátova (Odessa 1889 Moscou 1967) poeta ucraniana

***

DA LAVRA MINHA

DAS ÁGUAS FUNDAS

Enzo Carlo Barrocco

Permita, meu amigo, este poema,
Pois há tempos não escrevo uma linha,
Vou pôr nestes versos a mesma tarde
Que topei na estrada quando eu vinha

Calmamente ao encontro deste evento.
Mas não vejo salvamento nestes tempos
Pavorosos nos quais nos deparamos.
Entretanto, enfrentemos os contratempos

Como um rio que enfrenta seus percalços
Em seu curso de margens e estirões.
Por fim, caro amigo, não me deixo

Abater por situação penosa.
A poesia poderá salvar-me um dia
Das águas fundas de melancolia.

Um comentário:

Alessandra disse...

adoro quando é da lavra tua!Sou tua fâ...sempre!