quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

JIRAU DIVERSO Nº 17

JIRAU DIVERSO
Nº 17 – julho.2007
por Enzo Carlo Barrocco


A poesia sergipana de Gizelda Santana de Morais

O Poema

Viola de Gamba
Nossas mãos juntas
construirão gestos insuspeitados
nossos passos juntos caminharão
dobro dos caminhos
nossos corpos juntos
suportarão o peso das pressões
elevado ao quadrado
nossos mentes juntas
nossos pensamentos
nossos momentos
se esticarão como cordas
de viola de gamba
nos ouvidos dos séculos.


A Poeta

Gizelda Santana de Morais, sergipana de Campo do Brito, poeta, contista e romancista, no convés da fragata desde 1939, teve seu primeiro livro, “A Rosa do Tempo”, publicado em 1958. Desde então Gizelda vem sempre se destacando nos meios literários brasileiros. O trabalho do Gizelda, mormente a poesia, deixa transparecer uma alma inquieta e preocupada com os rumos que a humanidade está tomando. Saudemos o vigor poético de Gizelda!

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ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis

A Lua e os Saltimbancos
Autor: Fernando Tasso
Edição do autor
A excelente escrita de Fernando Tasso enternece logo á primeira leitura. “A Lua e os Saltimbancos” é um tesouro a ser descoberto.

Chove nos Campos de Cachoeira
Autor: Dalcídio Jurandir
Edição: Cejup/Secult/A Província do Pará
A história de um morador dos campos nos confins da Ilha do Marajó. A vida atribulada do homem marajoara enfrentando as intempéries daquela região.

Ércia os os Elfos
Autor: Reivaldo Vinas
Edição: Secult - FCPTN
A escrita nevrálgica de Reivaldo nos remete a um mundo de deuses, fadas, gnomos, duendes. Os poemas são resultado de anotações circunstanciais e escritos diários que foram tomando contornos simbólicos.

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A FRASE DI/VERSA

Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, é que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.
- Machado de Assis (Rio de Janeiro 1839 – Idem 1908) poeta, contista, romancista, dramaturgo, cronista e ensaísta fluminense
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DA LAVRA MINHA

CONTRA A NATUREZA NÃO TEM QUEM VÁ

Enzo Carlo Barrocco

As águas avançam
sobre os muros de contenção.
O mar engole pedra e cal;
inevitavelmente.
As areias
tomam conta das mansões.
Vento e chuva contra as janelas
simples.
As enchentes afogam
as cidades,
ciclones arrasam as cidades.
Contra a natureza não tem quem vá.

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