sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

PÁSSARO VOLÚVEL

Enzo Carlo Barrocco





















Sou volúvel! Permita-me que eu seja!
Pássaro branco sem o pouso certo,
pois teu corpo assim, assim tão perto
dá-me a concessão para que eu seja

inconstante, leviano, infido.
Neste momento, nesta exata hora,
meus olhos lúbricos caem dentro, agora,
de outros olhos que percebo vindo

e como uma bela tentação me segue.
A cada tempo um novo par de seios,
um novo par de coxas a cada instante.

E desse feixe de papoulas pardas
vou guardando a luz inebriante
com a qual me acendo às madrugadas.

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