terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

RIMBAUD: O POETA INFANTE


JEAN-ARTHUR RIMBAUD
(Charleville 1854 – Marselha 1891)
Poeta francês

Quando eu atravessava os Rios impassíveis,
Senti-me libertar dos meus rebocadores.
Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis
Os espetaram nus em postes multicores.
Eu era indiferente à carga que trazia,
Gente, trigo flamengo ou algodão inglês.
Morta a tripulação e finda a algaravia,
Os Rios para mim se abriram de uma vez.

Imerso no furor do marulho oceânico,
No inverno, eu, surdo como um cérebro infantil,
Deslizava, enquanto as Penínsulas em pânico
Viam
turbilhonar marés de verde e anil.

Tradução: Haroldo de Campos

Nenhum comentário: