terça-feira, 4 de março de 2008

JIRAU DIVERSO N° 18

JIRAU DIVERSO
Nº 18 – agosto.2007
por Enzo Carlo Barrocco

A poesia amazonense de Celdo Braga

O POEMA

Sina de Porto

Meu chão pisado de sonhos
calejou no mesmo canto.
Seco de vida, meu pranto
é espera demorada.

Canoa calafetada
com o barro do meu destino,
não venceu a correnteza
dos rios de desafiei.

Sujeito à sina de porto,
vou esgotando a canoa
- olhos d´água borbulhantes
que um dia calafetei

O POETA

Celdo Braga, amazonense de Benjamin Constant, poeta e compositor, no convés da fragata desde 1952, é um escritor que mostra a essência da belíssima poesia amazônica. O comprometimento com a causa cultural amazonense tem em Celdo um dinâmico ativista. O poeta, também, desenvolve um excelente trabalho junto ao grupo “Raízes Caboclas”, projeto artístico musical centrado na temática da região, já que ele, também é compositor. A poesia do Norte do Brasil, diretamente de Manaus para o mundo.

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ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis

"Boa Terra"
Autora: Pearl S. Buck
Edição: Editora Abril Cultural
A vida de uma família camponesa na China com seus costumes e crenças. A riqueza de detalhes e a trama deste romance prendem o leitor e o leva a uma maravilhosa China dos anos 1920.

"13 Contistas da Amazônia"
Vários Autores
Edição: Editora Universitária – UFPA.
Treze contos selecionados no IX Concurso de Contos da Região Norte. Jovens contistas de Belém, de cidades do interior do Pará e Fortaleza – CE (este radicado em Belém), expondo seus trabalhos à consideração dos leitores.

"Otimismo em Gotas" (Citações e Poesias)
Autor: R. O. Dantas
Edição: Editora de Otimismo
Como o próprio nome sugere este livro é para ser consultado nos momentos especiais. Citações para todas as situações e de leitura agradabilíssima entremeadas com belíssimos poemas de vários autores.

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A FRASE DI/VERSA

A palavra poética tem uma autoridade própria.
- Orides Fontela (São João da Boa Vista 1940 – São Paulo 1998) poeta paulista

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DA LAVRA MINHA

PEDESTRE

Enzo Carlo Barrocco

Eu tenho tantas preocupações,
mas agora alguém mexe nos meus poemas.
- Esse poeta, pensam, é de nuvem!
É que desconhecem meus sapatos furados.

O vento passa complacente
e não leva minhas diversas inquietações.
O vendedor de algodão doce da pracinha alegre
deve dinheiro ao padeiro da rua.

Estou triste, presentemente, ninguém nota
e vou pensando na semana que vem.
O sol camba por trás dos prédios.
Escavaco moedas para a passagem do ônibus.

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