quarta-feira, 19 de março de 2008

JIRAU DIVERSO N° 19

JIRAU DIVERSO
Nº 19 – setembro.2007
por Enzo Carlo Barrocco

A poesia mato-grossense de Nicolas Behr

O Poema


boa viagem meus amigos
que todos os dias
pegam esses ônibus lotados
que vão para taguatinga,
gama, planaltina...

boa viagem meus amigos
que vão em pé, sentados,
dormindo

sonhando chegar em casa
antes da novela começar

O Poeta

Nicolas Behr, mato-grossense de Cuiabá, poeta e ativista político, no convés da fragata desde 1958, é um escritor irrequieto. Começou publicando seus livretos no antigo mimeógrafo, vendendo-os de mão em mão. O eixo central de sua poética é Brasília para onde se mudou em 1977. Foi perseguido e preso pela repressão ditatorial em 1977 por porte de material proibido. A sua poesia nos dá a visão do cotidiano, da luta pessoal de cada um de nós para sobrevivermos na doidice desse mundo atual. Que nos venha a poesia sucinta e instigadora de Nicolas Behr.

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ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis


Xadrez, Truco e Outras Guerras (romance)
Autor: José Roberto Torero
Edição: Plenos Pecados / Objetiva
Uma guerra sem propósito engendrada por um rei sequioso de glória contra um país belicamente fraco. Torero pormenoriza todos os horrores da guerra numa excelente narração.

Gotas de Sol (poesias)
Autor: Zeca Tocantins
Edição: Ética Editora
Dá enorme prazer descobrir bons poetas. Gotas de Sol é uma descoberta excepcional com poemas habilmente criados. Um livro para ser degustado.

ABC de Orfeu (poesias)
Autor: Antônio Juraci Siqueira
Edição do Autor
Juraci se dá ao luxo, neste pequeno livro, de compor versos aliterados usando, para isso, toda a sua sensibilidade poética. Pequenas peças literárias de valor inestimável.

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A FRASE DI/VERSA

Quantos há no mundo que preocupados em fazer o mal aos outros esquecem o bem que poderiam fazer a si próprios.
. Malba Taham (Rio de Janeiro 1885 – Recife 1974) contista, romancista e matemático fluminense

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DA LAVRA MINHA


É ASSIM MESMO EM AGOSTO

Enzo Carlo Barrocco

Umas nuvens finas e amarelas
Sobre as casas simples da invasão
A tarde caía incontinente; as belas
Andorinhas nos fios do verão.

Era agosto e um calor medonho
Aumentava, mas era a estação
Uma luz nestes versos ponho,
Luz nos telhados ocres da invasão.

É assim mesmo em agosto, o dia
É tão claro, tão sutil, tão quente
Que as casinhas da invasão recente

Viram paisagens nunca vistas antes.
Como são belas as tardes azuis
E simples das invasões distantes.

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