segunda-feira, 23 de junho de 2008

JIRAU DIVERSO
Nº 27– maio.2008
por Enzo Carlo Barrocco

A POESIA ESPÍRITO-SANTENSE DE GEIR CAMPOS

O POEMA

VIRGÍLIA

Não, meu amigo, não precisas ter
nenhum cuidado: havendo o que cuidar,
cuidarei eu constantemente a te poupar
coitas que vão teu coito arrefecer.

Coitado de quem deixa a noite ser
vinda fora de tempo e de lugar
sombreando as alturas do prazer
com rasteiras tribulações do lar.

Antes que venha a noite, vai o dia
mostrando os horizontes de alegria
que tem a palmilhar no corpo dela:

são costas, são gargantas, são colinas
— toda uma geografia em que te empinas
enquanto pelo teu meu amor vela.

O POETA

Geir Nuffer Campos, poeta, contista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário espírito-santense (São José do Calçado 1924 – Niterói, RJ 1999) foi, desde criança, ligado à cultura geral, em especial à literatura. Ganhou, ao longo da vida, vários prêmios literários. Um escritor múltiplo que trabalhou a vida inteira pelo engrandecimento da arte de escrever. Geir publicou significativa obra ensaística sobre tradução que, até hoje, é referência para os interessados no assunto.

ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis

Ou o Poema Contínuo (Poesias)
Autor: Herberto Helder
Edição: Editora A Girafa
A poesia portuguesa atual se mostra no trabalho de Helder. Coerência, originalidade e técnica nos textos deste excelente autor.

Os Crimes do Amor (Novelas)
Autor: Marquês de Sade
Edição: L&PM Pocket
Quatro excepcionais novelas que bem mostram o gênio literário do Marquês. Momento em que o autor foge de sua linha principal.

Caminhos da Vida (Poesias)
Autora: Maria da Silva Costa
Edição: Secult
Não espere neste livro a formalidade intransigente da gramática ou a austeridade inflexível da metrificação e, sim, o fluir natural do coração de uma pessoa vivida e com o sentimento acima de tudo o mais.

***

A FRASE DI/VERSA

Do mesmo modo que te abriste à alegria
Abre-te ao sofrimento
Que é fruto dela e seu avesso ardente
. Ferreira Gullar (São Luís 1930) Poeta, romancista, dramaturgo, contista, e ensaísta maranhense.

DA LAVRA MINHA

manhã

Enzo Carlo Barrocco

nuvens sobre as telhas
a manhã fria, fria, fria...
orvalho no jasmineiro
pela janela laranjal e açude

ao longo do caminho
um veio d´água da chuva passada
atravessa a cerca
e se perde para os fundos do terreno

nos galhos secos dos paus mais altos
uns pássaros esperam
o sol sob a abóbada gris
de um céu difuso

alguns homens embuçados
passam no caminho
há dias que o tempo anda
assim enevoado

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