terça-feira, 16 de dezembro de 2008

JIRAU DIVERSO Nº 34

JIRAU DIVERSO

Nº 34– dezembro.2008

por Enzo Carlo Barrocco



A POESIA PARANAENSE DE EMILIANO PERNETA


O POEMA


SETEMBRO


Eu ontem vi chegar, quase que à noitezinha,
Apressada e sutil, a primeira andorinha...
 
É a primavera, pois, em flor, que se anuncia,
É setembro que vem, bêbedo de ambrosia
 
Mãos doiradas, a rir, mãos leves e radiosas,
Semeando à luz e ao vento as papoulas e as rosas...
 
Como foi para nós de um esquisito gozo,
Ó minha alma! esse doce, esse breve repouso,
 
Que entre o nosso viver tumultuário e incerto
Surgiu como se fosse o oásis do deserto...
 

O POETA


David Emiliano Antunes, o Emiliano Perneta, poeta e jornalista paranaense (Pinhais 1866 – Curitiba 1921) foi um incansável homem de letras sempre preocupado com a difusão da literatura em nosso país. Alguns críticos vinculam a poesia de Perneta ao simbolismo embora eu, particularmente ache que seus escritos transpõem sutilmente essa rotulação. Colaborador em diversos periódicos de São Paulo e Curitiba, deixou a sua poesia fragmentada, também, em algumas revistas criadas por ele.



ESTANTE DE ACRÍLICO



Livros Sugestionáveis



Surfando na Multidão (poesias)

Autor: Edyr Augusto

Edição: Editora Cejup

Os textos de Edyr margeiam a poesia práxis sem, no entanto, tocá-la. Poemas concisos, sem títulos, harmoniosamente construídos.



Albergue Noturno (romance)

Autor: Edilson Pantoja

Edição: IAP / Governo do Pará

Embora falte um pouco de estilo (acerto que o jovem autor fará no decorrer da carreira) a escrita de Edílson é interessantíssima. Um romance fatiado.



Vidas Secas (Romance)

Autor: Graciliano Ramos

Edição: Editora RCB

Uma família de retirantes tenta escapar da seca nos confins dos sertões nordestinos. Todas as nuances desta saga narradas pela genialidade de Graciliano.


***

A FRASE DI/VERSA


Um homem desejoso de trabalhar e que não consegue encontrar trabalho, talvez seja o espetáculo mais triste que a desigualdade ostenta.

- Thomas Carlyle (Ecclefecham 1795 – Londres 1881) historiador, jornalista e filósofo escocês



DA LAVRA MINHA

CANÇÃO


Enzo Carlo Barrocco


Cada vez que vens ao meu encontro

trazes um pouco de brisa e de afeto

teu sorriso se abre, um girassol

que ae mostra inteiro para o dia.



Vens cantando como uma ave canta

no início da manhã. Então me olhas

e te aproximas (lua de janeiro)

entre as brumas matutinas que se formam.



Carregas contigo esse perfume

que exala pelos cômodos da casa,

fragrância que há tempos reconheço.



Podes vir te aguardo intensamente;

não demora. Para que perdermos tempo?

E não esqueças da canção que prometeste.



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