quinta-feira, 4 de março de 2010

MARCO DA LÉGUA

Enzo Carlo Barrocco




O mesmo céu e o mesmo sol,
a mesma lua,
o mesmíssimo contorno,
o cenário é diverso, entretanto;
onde havia um buraco imenso
se avista um clube sofisticado
para meninos ricos.

Onde havia o começo de um igapó
ergue-se um mercado.
De uma vereda
abriu-se uma avenida larga
sobre a qual se construiu um viaduto torcido.

Rumo à baixa onde um caminho
cerrado dava num igarapé claro,
nota-se, agora, bangalôs, chalés, casinhas baixas
e um canal imundo.

Num trecho mais amplo para leste,
onde uma estradinha acanhada prosseguia,
observamos um trânsito infernal de toda
sorte de veículos
oriundos dos bairros afastados.

Enfim, a cidade está mais quente,
mais abafada, mais insuportável...
o tempo, a propósito,
é um monstro inflexível –
não se torce, não se volta, não tergiversa.


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