quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ALONSO ROCHA: O ADEUS DO POETA



É com pesar que comunico o falecimento, em Belém, do poeta paraense  Alonso Rocha na noite desta terça-feira, 22.02.11, aos 84 anos. Segundo informações de familiares, Alonso estava debilitado e teve o quadro agravado por problemas pulmonares.
O poeta é apontado como um dos melhores sonetistas do Pará dos últimos 50 anos. Na trova o mesmo apuro técnico, embora tenha começado tarde nessa variante. É poeta eclético - como mesmo declarava – não aprisionado a escolas e sem preconceito com qualquer forma de manifestação poética. Alonso foi eleito o IV Príncipe dos poetas do Pará e também pertenceu à Academia Paraense de Letras. Abaixo, um dos sonetos do grande poeta:




NOTURNO
  

Das papoulas da noite colho o espanto
- chuva antes da Lua aparecer –
e das gotas do orvalho teço o canto,
mistura de cansaço e de sofrer.

Na armadilha da aranha aceito o encanto
(macho prestes a amar e fenecer)
e da ferida aberta flui-me o pranto
- linfa de garça em vôo de se perder.

Ninguém percebe como dói a espera
- ave noturna, cais de pedra, fera –
atalho de um caminho amargo e escuro.

Então floresce o poema, essa oferenda,
mais sombra do que luz, trapo que renda,
flauta de amor de pássaro maduro.


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