quarta-feira, 19 de setembro de 2012

LUCINDA, A NOTURNA


Enzo Carlo Barrocco





















A noite quase não se enxerga nada
do casario rasteiro que se expande,
Lucinda contempla a solidão da grande
noite profunda, noite amargurada.

Terceiro andar de um bangalô  antigo
todas as noites a moça ali sentada
ante a janela rompe a madrugada
tendo o pensamento apenas como amigo.

Eis que uma noite, uma noite incerta
uns corvos riscavam o céu noturno
como se de um profundo sono se desperta.

Desde então ninguém mais notou
no velho e carcomido bangalô
algum vestígio de janela aberta.


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