segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A POESIA PERNAMBUCANA DE DAVINO RIBEIRO DE SENA





 O POEMA...


PERTO DO SONO

Estelar, movia-se no tempo
até ficar com o lado esquerdo
do rosto sobre o travesseiro.
O corpo vaga no deleite
de um cometa que atravessa
a fronteira da Via Láctea.

O astro se converte em carne
como uma pintura a óleo, tarde
demais para o sono que não
veio, soprando de antemão
sobre o corpo alheio, vizinho
na ondulada galáxia do lençol.

Então o sono chegou, fresco
como o vento, a levar para longe
a poeira estelar do pensamento.



...E O POETA















 
 Davino Ribeiro de Sena, Pernambucano de Recife, poeta e filósofo, no convés da fragata desde 1957 é um dos excelentes poetas nordestinos da atualidade. Sua poesia já foi comparada a de Augusto dos Anjos e a de João Cabral de Melo Neto, adotando deste algum vocabulário e procedimento técnico. O lirismo, no texto poético de Davino, é um elemento sempre presente. O poeta camba, até certo ponto, para a poesia social, o memorialismo e o poema narrativo. Davino também é diplomata; atualmente é encarregado  de assuntos culturais no consulado do Brasil em Nova York.


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