quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

ESCONDO DO MUNDO A MINHA ALMA

Enzo Carlo Barrocco




















A madrugada se arrasta, hora alta,
o latido de um cão corta o silêncio,
o que a noite nos traz é um compêndio,
momentaneamente,  algo de falta.

As criaturas se escondem sob as trevas
e eu escondo do mundo a minha alma,
a madrugada continua branda e calma.
Desta vida, meu amigo, nada levas;

o que disserem de mim não se convença,
carrego esta matéria que apodrece
a cada hora que passa e desconhece

esta dor que não encontra recompensa;
não perturbem esta alma que estremece
até com o som inexistente de quem pensa.

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