segunda-feira, 9 de novembro de 2009

LINDANOR CELINA NA ESTANTE VIRTUAL


por Enzo Carlo Barrocco


Livro: O Diário da Ilha (Crônicas)
Autora: Lindanor Celina
Edição: Cejup




As crônicas inigualáveis, meigas, ternas e eternas com o singular estilo de Lindanor. A clareza é o que leva o leitor ao ponto final.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A POESIA PORTUGUESA DE ADOLFO CASAIS MONTEIRO


O POEMA

AURORA
poesia não é voz - é uma inflexão.

Dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho de cada um, expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos hom
ens um sentido que não há nos gestos nem nas coisas:
vôo sem pássaro dentro.

O POETA


Adolfo Casais Monteiro (Porto 1908 – São Paulo 1972) poeta, romancista, ensaísta e crítico literário português, notabilizou-se pelo engajamento político que custou a ele a proibição à docência nas universidades lusitanas. Adolfo, por conseguinte, acabou por se instalar no Brasil tendo lecionado em universidades do Rio de Janeiro e São Paulo.Certa época, Adolfo teceu duras críticas ao Concretismo, tendência poética surgida em meados do século passado no Brasil.





TEMPERANÇA


Enzo Carlo Barrocco




Em todas as circunstâncias

abre tua alma

mesmo que estejas

entre a miséria

e o lodo.


Pouco a pouco notarás,

então,

uma luz acendendo

ante a tua alma

que se abriu.


Nunca de aterroriza,

mantém a tua calma!

Os obstáculos, caro amigo,

foram feitos, justamente,

a fim que pudéssemos galgá-los.



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - TONHO FRANÇA

Canto I

Tonho França

Vi em sangue os pulsos da virgem
Cortado por navalhas de rosários e conchas
Dos seus pés sem vida, brotavam brumas de hóstias azuis.

Eram vermelho-uva os lábios da virgem
Tinha no hálito a plumagem galopante dos ventos
E cabelos que geravam leopardos e esfinges gregas

Seus olhos guardavam o canto das planícies e dos rios
E desde o princípio era ali que as noites se alimentavam


Do Blog do Tonho França

http://www.tonhofranca.com.br/poesias/body.php?id=3




quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O DIÁRIO DOS PENSADORES - PÁGINA 43


Mulher bonita é aquela que briga pela vontade de viver.

- Tizuka Yamazaki (Porto Alegre 1949) telenovelista, produtora e

cineasta gaúcha


O universo é uma harmonia de contrários.

- Pitágoras (Samos 560 – Idem 480 a C.) filósofo grego


É necessária uma mente fora do comum para tentar observar o óbvio.

- Alfred Whitehead (Ramsgate 1861 - Cambridge 1947) filósofo inglês


É pequeno o número de pessoas que vêem com seus próprios olhos e pensam por suas próprias mentes.

- Albert Einstein (Ulm 1879 – Princenton, EUA 1955) físico americano nascido na Alemanha


A sociedade é, em todos os lugares, uma conspiração contra a personalidade de seus componentes.

- Ralph Waldo Emerson (Boston 1803 – Concord 1882) poeta, filósofo e ensaísta americano


O prazer é o primeiro dos bens. É a ausência de dor no corpo e de inquietação na alma.

- Epicuro (Samos 341 – Atenas 270 a C.) filósofo grego


A maioria das pessoas são como alfinetes: suas cabeças não são o mais importante.

- Jonathan Swift (Dublin 1667 – Idem 1745) poeta e romancista irlandês


A admissão da propriedade privada prejudicou o individualismo ao confundir o homem com o que ele possui.

- Oscar Wilde (Dublin 1854 – Paris 1900) poeta, contista e dramaturgo irlandês


Os mentirosos não ganham senão uma coisa: é não serem acreditados mesmo quando dizem a verdade.

- Esopo (Frigia 620 a.C. – Idem 560 a C.) fabulista grego


A vaidade é a mais universal das características humanas.

- Millôr Fernandes (Rio de Janeiro 1924) poeta, dramaturgo, jornalista e humorista fluminense


Os fundamentos da moral são como todos os fundamentos: aprofundados em demasia, toda a superestrutura vem abaixo.

- Samuel Butler (Langar 1600 – Londres 1680) romancista e filósofo inglês




terça-feira, 3 de novembro de 2009

PAISAGEM AMAZÔNICA E OUTRAS PAISAGENS

Acabei de lançar pelo Clube dos Autores o meu livro de poesias “Paisagem Amazônica e Outras Paisagens” 129 páginas, formato 21 x 14 cm, cujo prefácio transcrevo abaixo:

AS EXUBERANTES PAISAGENS AMAZÔNICAS

A Amazônia, uma das regiões mais exuberantes do Brasil, merece se tratada com toda a atenção, tanto por parte do Governo quanto da sociedade, visto a sua peculiaridade. A cultura amazônica, bem como a sua fauna e flora, têm de ser preservadas a todo custo, pois a ganância de pessoas interessadas apenas em suas riquezas naturais está à solta espreitando para que, sem o menor escrúpulo, seja arrasada o que vem acontecendo ao longo dos anos. Este livro dividido em quatro partes (Caderno de Sonetos, Poemas à Mão Livre, Libélulas Rubras e Linhas Barroquianas) leva o leitor a uma reflexão sobre essa região. O poeta, a cada poema, vai pintando, como num quadro, igarapés, igapós, pássaros, pores-do-sol, ribeirinhos, madrugadas, manhãs, povoados, enfim os elementos que formam esse fantástico pedaço do Brasil.

Tenho plena certeza que você vai gostar muitíssimo deste livro e ficaria feliz se você o adquirisse. O livro tem um custo prosaico, e pode ser adquirido pelo site http://clubedeautores.com.br/book/7517--Paisagem_Amazonica

ou solicitando através do e-mail efraimpinheiro@funtelpa.com.br ou ainda pelos telefones 4005.7734 ou 8128.0846.


Abraços,

Enzo Carlo Barrocco

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CINDY

Enzo Carlo Barrocco



A gata
parada na porta
olhava a casa, incondicionalmente sua.

Grave, retraída, esquiva,
ontem mesmo perdeu a casa;
ainda lembro dos seus olhos tristes.

Não aceito, sob nenhuma hipótese,
a atitude grotesca
do senhorio.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A POESIA PAULISTA DE ADEMIR ASSUNÇÃO


O POEMA


Londrix 79

velha lamparina
vela a chuva na janela à toa
entrelábios flora rara trança loura
belamiga rindo
rindo rindo rindo me desfolha
lingerie despida breve brisa sei minha face crispa
e doura



O POETA



Ademir Assunção, paulista de Araraquara, poeta, compositor e jornalista, no convés da fragata desde 1961, é um entusiasta militante do jornalismo e ativista cultural incansável. Participou de várias antologias poéticas no Brasil e no exterior. Como letristas Ademir tem parcerias gravadas com Itamar Assunção, Edvaldo Santana e Madan. Atualmente o poeta é um dos editores da Revista Coyote.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A DESESPERADA NECESSIDADE DE FALAR


Enzo Carlo Barrocco





Ah, o ser humano
e essa desesperada necessidade de falar!

Soubessem a paz do silêncio da voz,
do som das máquinas,
o silêncio simplesmente,
reservariam espaço
a este misterioso pássaro
pronto para pousar
nos galhos insondáveis
da alma.



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A SIMPLICIDADE DO ATO


Enzo Carlo Barrocco





Beber água na concha da mão,

na concha da folha,

igarapé da lenha.


A simplicidade do ato

e não a desigualdade do fato;

pelos sobreviventes desses igapós.


Assim a tarde se afasta,

consequentemente o silêncio se alastra;

pássaros retornam para dormir.



quarta-feira, 14 de outubro de 2009

QUANDO ALBERTO DE OLIVEIRA CHEGOU AO INFERNO


Conto


Enzo Carlo Barrocco

Quando Alberto de Oliveira, nos idos de 1937, deixou este mundo, não conseguiu retirar os bilhetes para entrar no céu, devido a uns problemas de ordem técnica. Portanto fora mandado diretamente para o inferno. Não perguntou nada, mas se intrigou com o fato de não ter sido mandado primeiramente ao purgatório. Acompanhado de um anjo escalado para a tarefa, à porta do lugar sinistro, o Diabo, em pessoa, estava lá resolvendo sebe-se lá o quê. Do jeito que estava (muito diferente, aliás, da figura medonha que as pessoas na terra faziam dele) o temível “senhor das trevas” nem seria percebido se estivesse andando pelas ruas de uma cidade grande, a não ser pela roupa extravagante: calça de brim riscado, camisa de viscose lilás com mangas curtas, alpercatas de couro cru. Os aspectos da vida terrena atraem sumamente as atenções do “demo”.
Assim que o capiroto avistou o poeta, se espantou:
- Alberto de Oliveira! – O poeta aqui no inferno! – completou o “feio”.
- Não, não! Esse daí não pode ficar aqui de jeito nenhum! Ele vai acabar atapetando de flores todo o chão do inferno. Isso, não! Claro que este lugar – afirmou – está cheio de poetas, mas apenas, os particularmente ruins.
Alberto não teve coragem de interpelar o Diabo, embora o tenha achado muito cortês.
O anjo, um pouco afastado, esperou que Alberto o acompanhasse. O que o poeta queria era voltar para Niterói ou mesmo Palmital, mas confessa a curiosidade que tinha a respeito daquele lugar.
Não tinha idéia aonde aquele anjo o levaria depois de ter sido rejeitado no inferno, mas incrivelmente não estava preocupado. Por entre a forte neblina, ambos desapareceram...

O DIÁRIO DOS PENSADORES - PÁGINA 42



O ser humano precisa de um pouco de loucura. Do contrário, nunca ousa cortar a corda e ser livre

- Nikos Kazantzakis (Candia, atual Iraklion, Ilha de Creta 1885 –

Fribourg, Suíça 1957) poeta, romancista e dramaturgo grego


As heresias são experimentos na insaciável busca da verdade.

- Herbert George Wells (Bromley 1866 – Londres 1946) novelista, historiador e cientista inglês


A melhor maneira de mulher prender marido em casa é ela dormir fora.

- Leon Eliachar (Cairo 1923 – Rio de Janeiro 1987) contista, cronista e humorista brasileiro nascido no Egito


Uma vez compartilhada com outra pessoa, as confissões tornam-se públicas.

- Donald Margulies (Nova York 1954) dramaturgo americano


A mentira nunca sobrevive até alcançar a idade adulta.

- Sófocles (Colona 496 – Atenas 406 a C.) dramaturgo grego


Ciência sem consciência é apenas a ruína da alma.

- François Rabelais (La Devinière 1494 – Paris 1553) romancista e humanista francês


A honestidade é a melhor política. Mas quem age com este princípio não está sendo honesto.

- Richard Whately (Londres 1787 – Dublin 1863) arcebispo e teólogo irlandês, nascido na Inglaterra


A ficção deve ater-se aos fatos; quanto mais verdadeiros os fatos, melhor a ficção.

- Virgínia Woolf (Londres 1882 – Lewes 1941) romancista inglesa


A árvore nascente aguarda-te a bondade e a tolerância para que te possas ofertar os próprios frutos em tempo certo.

- Francisco Cândido Xavier (Pedro Leopoldo 1910 – Uberaba 2002) poeta, ensaísta, líder espiritual e médium mineiro


Quantas pessoas sucumbem diante do infortúnio por haver formado projetos excessivamente grandiosos apenas porque se sentiam fortes em demasia.

- Xenófanes (Cólofon 427 – Idem 355 a C.) poeta e filósofo grego


As mais cruéis mentiras, muitas vezes, são ditas em silêncio.

- Roberto Louis Stevenson (Endiburgo 1850 – Valima, Samoa 1894) romancista, poeta e ensaísta escocês



terça-feira, 13 de outubro de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - PARLARES

MC 059 – Noite de cachaça

Noite de cachaça e vapor de gin, seguiu sonâmbulo o som da viola e cheiro a alecrim da nova amiga. Que susto de manhã bem a seu lado um cavalo sorria.


Do Blog da Eugenia Tabosa


http://parlares.blogspot.com/


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

MANHÃ DO CÍRIO


Enzo Carlo Barrocco






O sol acende
as rosas.


A imagem é toda luz;
mãos na corda,
o primeiro movimento da berlinda –
a procissão começa.


Onze anjos espiam
das janelas de uma casa.



terça-feira, 6 de outubro de 2009

FLORES DE TRACUATEUA - CANTO N° 6


Enzo Carlo Barrocco



A CASA DE AZUL E URTIGA


Amigo, onde é a morada

da esperança? Diga, diga!

É naquela casa azulada

toda cercada de urtiga.



DOS MÍNIMOS BIQUINIS


Um pedacinho de pano

cobrindo o “vale encantado”,

assevero e não me engano:

deixa o sentido aguçado.



1964


Pela antiga ferrovia

a caminho de Bragança,

do trem que nela corria

restou somente a lembrança.



MOCAJUBA


Bem tranquila dividida

pela estrada do campinho,

Mocajuba tem na vida

um Caeté no caminho.



INSÔNIA


A rua iluminada,

da tua boca relembro;

segue a fria madrugada

nas longas mãos de setembro.



segunda-feira, 5 de outubro de 2009

DA LAVRA POÉTICA DE ADELMO OLIVEIRA


Soneto da última estação (Mitologia Marinha)


Adelmo Oliveira

Baiano de Itabuna

75 anos


Esta que vem do mar por entre os ventos,
Sacudindo as espumas dos cabelos,
Vem molhada de azul nos pensamentos,
Seu corpo oculta a ilha dos segredos.

Vem e dança ao andar sobre as areias
Úmidas sob os passos e os desejos,
Onde as ancas são ondas em cadeias
Infinitas
de luz contra os espelhos.

Nem precisa de flor nem de perfume,
Ela é a própria essência do ciúme,
Feita de mito e se fazendo estrela.

Vem – dança – e passa aos fogos do verão
– Fantasia da última estação.
Explodiu na vertigem da beleza.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

LUAS DE AJURUTEUA - CANTO N° 7

Enzo Carlo Barrocco


A POESIA É PARCEIRA DO SIMPLES

Longe de tudo que há

em uma noite poética,
lamparinas no casebre
sem energia elétrica.


UM ADEUS PARA CAYMMI

Dorival já se despede,

a música se redime,
vá em paz velho poeta,
queridíssimo Caymmi.


PÁGINAS POLICIAIS


Crime na periferia:

um homicídio no mangue.
O caderno de polícia
do jornal poreja sangue.


SANTA IZABEL

Manter a paz na cidade

sabemos que não é fácil,
podemos senti-la apenas
Lá na José Bonifácio.


UM FATO

A vida é como se mostra,
um morre e três vêm nascendo,
desperdiçá-la é um fato
que realmente não entendo.


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

UM POEMA PARA DEPOIS DA CHUVA


Enzo Carlo Barrocco




Pelo caminho molhado,

pelo voo arisco do pássaro

nota-se a excelente tarde.


A paz apressa-se no vento –

o sol baixo entre os paus

da capoeira;

uma ponta de céu.


Bem à frente

aponta a casa simples

em cujos muros caiados nascem musgos.



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

DA LAVRA POÉTICA DE ADELMAR TAVARES


VELA BRANCA


ADELMAR TAVARES

(Recife 1888 – Rio de Janeiro 1963)


Vela branca, vela branca,
que vais lá longe... no mar...
quem me dera, vela branca,
que me quisesses levar
para tão longe... tão longe,
que eu não pudesse voltar...

Mas uma vez, vela branca,
que não me queres levar,
para tão longe... tão longe...
que eu não pudesse voltar,
leva-me a saudade dela
para o mais fundo do mar.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A PRIMAVERA QUE AQUI ESTEVE


Enzo Carlo Barrocco




O vento inconscientemente carregou
a primavera que aqui esteve,
agora temos que suportar
a cara feia do tempo.

Não digo que tenha sido
uma primavera clássica,
mas as flores que trazias sempre
denotava essa belíssima estação.

A floricultura não existe mais;
portanto, voltemos ao verão causticante
e ao inverno interminável
que temos por aqui.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - NÃO LEIA


UM CLÁSSICO!

Finalmente, com 46 anos de atraso, chega ao Brasil O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, romance francês de ficção científica que inspirou o filme homônimo, de 1967. Adeptos, cultores e outros aproveitem! A edição, pela Agir, integra a coleção Pocket Ouro, série Grandes Filmes, a preço relativamente módico. Quem não se lembra da cena em que Taylor, a cavalo, com a bela Nova na garupa, na praia, avista de repente a Estátua da Liberdade tombada e destroçada? Segundo Nelson de Oliveira: "Um clássico!"

Mayrant Gallo


http://nonleia.blogspot.com/



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O DIÁRIO DOS PENSADOREDS - PÁGINA 41


A droga que melhor altera a mente é a verdade.

- Lily Tomlin (Detroit 1939) atriz americana


A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.

- Apparicio Torelly, o Barão de Itararé (Rio Grande 1895 – Rio de Janeiro 1971) jornalista e humorista gaúcho


A fome não tem nacionalidade: a abundância, tampouco, deve temê-la.

- Harry S. Truman (Lamar 1884 – kansas City 1972) político e ex-presidente americano


O pobre Adão caiu porque não teve mãe, não foi menino.

- Miguel de Unamuno (Bilbao 1864 – Salamanca 1936) ensaísta, romancista, poeta e filósofo espanhol


Certo prazer existente na tristeza é mais doce do que o prazer do prazer.

- Percy Bysshe Shelley (Field Place 1792 – Em um naufrágio no Golfo de La Spezia em Viareggio, Itália 1822) poeta inglês


Sou uma pessoa profundamente superficial.

- Andy Warhol (Pittsburgh 1928 – Nova York 1987) artista plástico americano


A liberdade, quando começa a criar raízes, é uma planta de crescimento rápido.

-George Washington (Westmoreland County 1732 - Monte Vernon 1799) político e ex-presidente americano


Quem tem fome tem pressa

- Herbert José de Souza, o Betinho (Bocaiúva 1935 – Rio de Janeiro 1997) sociólogo e ativista político mineiro


Alguma coisa misteriosa nesse universo é cúmplice dos que amam o bem.

- Simone Weil (Paris 1909 – Ashford, Inglaterra 1943) filósofa e política francesa


A última cena é sempre trágica, pouco importa quão felizes tenham sido as outras: um pouco de terra é jogada por cima de nossa cabeça e é o fim para todo o sempre.

- Blaise Pascal (Clermont 1623 – Paris 1662) filósofo, matemático, físico, teólogo e ensaísta francês


Quando a riqueza cai nas mãos de homens fracos, sem consciência de paixões desregradas, não é, senão, uma tentação e uma cilada.

- Samuel Smiles (Haddington 1812 – Londres 1904) ensaísta e reformista social escocês


A pior coisa dos livros novos é que eles nos impedem de ler os antigos.

- Joseph Joubert (Montignac 1754 - Villeneuve-sur-Yonne 1824) ensaísta francês




sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CANTATA


Enzo Carlo Barrocco





A lua acende a noite

que, por sua vez, se acendeu ao sol.

Espera as estrelas tomarem posição.

Somente os grilos e outros

poucos animais da noite

trarão desassossego

ao silêncio e à brisa.


Pois bem!

Aproveita se teu sono é justo,

que o homem honesto não

se fabrica em série.

A lua sobe,

a cantata dos galos se aproxima.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

DA LAVRA POÉTICA DE ADELINO FONTOURA


CELESTE



Adelino Fontoura
(Axixá, Maranhão 1859 - Lisboa 1884)

É tão divina a angélica aparência

e a graça que ilumina o rosto dela,

que eu concebera o tipo de inocência

nessa criança imaculada e bela.


Peregrina do céu, pálida estrela,

exilada na etérea transparência,

sua origem não pode ser aquela

da nossa triste e mísera existência.


Tem a celeste e ingênua formosura

e a luminosa auréola sacrossanta

de uma visão do céu, cândida e pura.


E quando os olhos para o céu levanta,

inundados de mística doçura,

nem parece mulher - parece santa.



terça-feira, 8 de setembro de 2009

AUTOCONFIANÇA


Miniconto


por Enzo Carlo Barrocco




Enfiou-se entre dois ônibus emparelhados na avenida Lauro Penedo. Na saída do corredor mortal, viu pelo retrovisor da moto, os dois veículos abalroarem-se. Um cachorro, assustadíssimo, fugia desesperadamente pelo canteiro central.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - NILTO MACIEL E LITERATURA

Haicais de Valéria Nogueira Eik

Nas horas tardias

uivos de lobos ecoam.

Cordeiros vigiam.

*

Do alto da torre

uma coruja espreita:

prelúdio mortal.

*

O sapo do brejo,

em pose de majestade

engole os tolos.

*

Bebem seiva rubra

os vampiros amorais.

Defecam decretos.

*

Pedaços de céu,

no balançar dessa rede:

paiol estelar.

*

Um risco no céu.

A estrela se desfaz

num sonho sutil.

*

Os ventos de junho

cingem as folhas cansadas.

Aves outonais


*******

Do Blog do Nilto Maciel

http://niltomaciel.blog.uol.com.br/

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

ATIRADOR DE ELITE


Miniconto


por Enzo Carlo Barrocco





- Pergunte a ela! – sugeriu o vendedor.

“Que mulher bonita!” – pensei comigo.

Não perguntei nada, mas como sou atirador de elite, uma semana depois a levei a um motel barato.



segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TRAGÉDIA

Miniconto

Enzo Carlo Barrocco




O homem abriu a porta, como sempre fazia e percebeu, então, embaixo da escada que dava para o outro andar do vasto sobrado, alguém agachado, imóvel, encolhido. Pensou primeiramente que sua mulher estivesse fazendo algum tipo de gracinha. Aproximou-se e percebeu uma poça de sangue. Estremeceu. Correu à cozinha e a porta estava entreaberta. Os filhos!!! Ouviu gritos vindos do banheiro dos fundos. As duas empregadas e os dois filhos estavam trancados lá. Rumaram à sala. Ante ao acontecido o homem não sabia o que fazer...


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

DA LAVRA POÉTICA DE ADELAIDE VICTÓRIA FERREIRA


O ROSÁRIO DE ANCHIETA



Adelaide Victória Ferreira
Paulista de Sete Barras
80 anos

Apresentação

Era uma vez... Trajando uma batina preta,
arcado o torso magro, em curva atestatória
da prece... um jesuíta, um padre... era Anchieta;
surgiu logo no albor da brasileira história.

Viveu fugindo, sempre, aos toques de trombeta
que, em sua milagrosa e humana trajetória,
devia receber dos homens. A faceta
mais radiante nele era furtar-se à glória.

Foi piedoso e santo e foi, também o filho
de Deus, cuja mansão, edênica, inefável,
aos índios descerrou. Quem da Virgem, o brilho

em versos exaltou... Mas, servo da humildade,
insistia em fazer calar, irrecusável,
os testemunhos mil de sua santidade...


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

LIBÉLULAS RUBRAS - 14ª TRÍADE

Enzo Carlo Barrocco


CABEÇA

Que já fumei,
que já fumei...
Canabis aflora a pele,
consciência lívida,
eu sei lá!..
Duas luas num céu de viés.


SOLO

Quem gosta de andar em bando é macaco,
eu, particularmente, não!
Sou um pássaro solipso,
ave noturna que arrisca,
meticulosamente,
um vôo.


DEPOIS NÃO DIZ QUE NÃO TE AVISEI

Devias ler meu poema?
Não, não devias!
Árvore morta à margem da estrada,
lua diurna sobre a tarde pálida.
Meu poema é uma lâmpada queimada,
lago formado nas depressões das britas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

HAI-KAIS – 17° TERCETO

Enzo Carlo Barrocco


No rumo do rio
a noite se aproxima –
crianças caladas.

***

Madrugada fria,
clarão nas frinchas das telhas –
chuva sem demora.

***

Crepúsculo róseo –
no belo final do dia
os pássaros retornam.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - NANOBAR DO ESCRITOR


MERDA


Não me olhe

da beira d' água

de nossa praia

e venha agora!

Sei que esse (a)mar

não dá pé,

mas a gente bóia!


DO BLOG DO FLA PEREZ


http://nanobardoescritor.blogspot.com/


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PÁSSAROS DO ANOURÁ - POETRIX - 20ª TRÍADE


Enzo Carlo Barrocco


UM POEMA À TARDE


A lua sobre a estrada,

sol e buritizeiros –

um poema à tarde.



NOITE ALTA NO BAIRRO DISTANTE


A madrugada célere,

a fraca luminária.

Estrelas sobre um muro baixo.



DO OUTRO LADO DO RIO


Montaria ao largo;

mulher, menino e trapiche

na dobra do rio.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O ENGRAVATADO


Miniconto


Enzo Carlo Barrocco



Quando subi para o ônibus na Rua Vinho Novo ainda tinha um lugar vago nas cadeiras de trás. Passei a roleta e sentei ao lado de um distinto senhor de paletó e gravata, bem apessoado, cabelo certinho e uma pasta tipo presidente colocada no chão do ônibus. Naquele dia eu só tinha o dinheiro da passagem de ida; iria emprestar de algum colega para voltar a casa. Na Avenida Souza Paiva, o distinto senhor pediu licença para passar, pois, naturalmente, iria descer. Virei de lado, o homem passou e puxou a campainha. Quando o ônibus parou percebi que o engravatado tinha esquecido a pasta. Chamei-o imediatamente; ele pôs a mão na cabeça e entreguei-lhe a pasta e ele convidou-me a descer. Será que ele quer me recompensar? Foi o que me veio à cabeça. Desci, claro, com certa alegria, pois qualquer quantia, àquela altura, seria muito bem-vinda. O homem pegou minha mão e agradeceu-me várias vezes, penhoradamente, dizendo que ali tinha documentos importantes, etc.etc. E eu esperando a recompensa. De repente, o homem dá sinal para um táxi que parou e, agradecendo-me, pela última vez, o biltre entrou no carro e foi embora. Fiquei ali, a uns três quilômetros do meu trabalho, sem dinheiro, sol alto, calor insuportável, atrasado e atônito.



terça-feira, 11 de agosto de 2009

DA LAVRA POÉTICA DE ADELAIDE LESSA


EVOLUÇÃO


Adelaide Lessa

Paulista da Capital

83 anos


Seremos de tal lirismo
que por descuido somente
voltaremos ao instinto
de comer os grãos de pólen.
Tão luminosos seremos,
de tal pureza divina,
que em nós haverá tormento
se o néctar for ingerido
e mancharemos o amor
se houver escolha de sumo
e pesaremos o dobro
com o perfume dos frutos.



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

NOTAS PEQUENAS – SENADO DA REPÚBLICA – A CASA DA MÃE JOANA


Croniquetas

por Enzo Carlo B arrocco



Renan vociferando: não esqueçamos seu passado negro.


Enquanto isso, no Senado Federal, continuam os desmandos. Uma instituição onde se decidem os rumos de todo um país, a corrupção e a falta de ética correm soltas. O presidente da “Casa”, José Sarney, metido em todos os tipos de falcatruas; alguns aliados dele querendo defender o indefensável... Com todo o respeito aos feirantes de todo Brasil, um bate-boca de final de feira semana passada entre Renan Calheiros e Tasso Jereissaiti foi um episódio que jamais poderia ter acontecido. É como se diz: um sujo falando de um mal-lavado. Se o Senado está nesse patamar o que não dizer de todas as outras instituições públicas espalhadas pelo Brasil? Sinceramente falando: este é um país de ordinários.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

FLORES DE SALSA


Enzo Carlo Barrocco




O que vejo seria uma estrada cujas margens

estariam cobertas de flores de salsa,

o chão carregado de roxo,

onde ninguém mais observasse.


O sol sobre essas flores

daria um excelente aspecto,

uma casa de telhas novas e a simplicidade

de uma fileira de cajueiros.


As nuvens se movendo lentas

no céu esplêndido;

borboletas num pé de papoula.

O dia correndo muitíssimo bem.



terça-feira, 4 de agosto de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - MINIMÍNIMOS



EMERGÊNCIA


Silvio Vasconcellos



- Alô, polícia?
- Você ligou para a polícia...
- Socorro!!!
- Disque 1 para assaltos...
- Hã?
- Disque 2 para sequestros...
- É emergência!!
- Disque 3 para estupros...
- Como assim?
- Disque 4 para a caixa beneficiente...
- Socorro!!
- Ou aguarde...
- Alô? Alô?
- Código inválido. Ligue novamente.

DO BLOG DO SILVIO VASCONCELLOS


http://miniminimos.blogspot.com/2009/08/




O DIÁRIO DOS PENSADOREDS - PÁGINA 40

Todo povo é um campo armado.

- Mao Tse-Tung (Shaoshan 1893 – Pequim 1976) político,

revolucionário, militar chinês


Não nego que as mulheres sejam bobas: Deus, todo poderoso,

as fez para se equipararem aos homens.

- George Eliot (Chilvers Coton 1819 – Londres 1880) novelista e romancista inglesa


Amor é mistério sem fim: não existe o que explique.

- Rabindranath Tagore (Calcutá 1861 – Santiniketan 1941) poeta, filósofo, músico e pintor indiano


A morte é o sinal de igual na equação da vida.

- Júlio César de Mello e Souza, o Malba Tahan (Rio de Janeiro 1885 – Recife 1974) contista, romancista e matemático fluminense


Temos apenas que crer.

- Pierre de Chardin (Orcines 1881 – Nova York 1955) paleontologista, filósofo e religioso católico francês


A bravura nunca passa de moda.

- William Makepeace Thackeray (Calcutá 1811 – Londres 1863) novelista e romancista inglês, nascido na Índia


A única cura para o amor é amar ainda mais.

- Henry Thoreau (Concord 1817 – Idem 1862) poeta, filósofo e naturalista americano


A falta de dinheiro é a raiz de todos os males.

- George Bernard Shaw (Dublin 1856 - Hertfordshire 1950) dramaturgo, ensaísta e crítico irlandês


É a luta do homem neste planeta emaranhado o que mais me fascina.

- Lygia Fagundes Telles (São Paulo 1921) romancista paulista


Nossos espíritos se precipitam um para o outro ao tocar dos lábios.

- Alfred Tennyson (Somersby 1809 – Londres 1892) poeta inglês


Mais que as idéias, são os interesses que separam as pessoas.

- Alexis Tocqueville (Verneuil-Sur-Seine 1805 – Cannes 1859) historiador francês


A mudança é o progresso através do qual o futuro invade nossas vidas.

- Alvin Toffler (Nova York 1928) ensaísta americano




segunda-feira, 3 de agosto de 2009

POEMA PARA UMA MULHER ANGUSTIADA


Enzo Carlo Barrocco



Quadro: Os Retirantes (Cândido Portinari)

Técnica: Óleo sobre tela
Dimensão: 190 x 180 cm
Local: Coleção Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp)


... E foi nesse dia

que Maria

visivelmente decepcionada, fora mandada embora do emprego.


Pensou nos filhos, evidentemente,

um casal de pequenas almas

que dependiam dela tão-somente.


Que os patrões fossem

para os quintos dos infernos – desejou –

e mais dez quilômetros para dentro,

pela insensatez e pela crueza.


Eles sabiam das crianças,

da dificuldade e do bairro afastado.

O tempo avança,

lembrou da dispensa que acabaria logo...



quarta-feira, 29 de julho de 2009

DA LAVRA POÉTICA DE ADAILTON MEDEIROS


Exílio dele nas Urubuguáias


Adailtom Medeiros

71 anos

Maranhense de Caxias


exilAdo nas urubuguáias

boi serapião do buriti

corre nos cerrAdos e grotões

tal marruá de tamAnca e reza


andarilho sem odres de couro

um patori desaplumbeAdo

na travessia das grAndes estórias

construindo em sete mil dias Dios


um antropomOrfa como

o veAdo do mistéRio

de gelos e vinhos tintos


ou o carCará castrAdo

vindo dos salEs noturnos

furnicAdo de marinhas


sexta-feira, 24 de julho de 2009

PÃO COM ABÓBORA Nº 1









quinta-feira, 23 de julho de 2009

A CASA EM QUE O POETA MORA


Enzo Carlo Barrocco




Tenho pouco:

um fogão velho,

uma cadeira ao canto,

uma rede e um lençol puído.


Lá fora flores

num jardim que plantei cantando.


terça-feira, 21 de julho de 2009

DA LAVRA POÉTICA DE ABELARDO ROMERO


ODE A RASUNDA


Abelardo Romero

(Lagarto, SE 1907 - Idem 1979)


Torres coroadas de brasas
correndo atrás de comboios,
a rubra boca rotunda
dois faróis falando às vagas,
e nas balizas celestes
pipilo de estranhas aves.

Na orla da noite ornada
de luzes senta-se o Rio,
e, na escuridão profunda,
em vermelho sobre o negro
datilografa seu augúrio:
chove amanhã em Rasunda.

A manhã já não divulga
o chilreio das gaivotas,
nem o marulho dos cascos
de potros de escamas alvas
se contorcendo feridos
pela chama que os inunda.

.................................................

Sirenes, sinos, girândolas.
Não se janta. Ninguém ama.
E os rios descem salobros
na larga face fecunda.
Pais e filhos dormem juntos
sobre os louros de Rasunda.


CLAUSURA


Enzo Carlo Barrocco




Os religiosos olham as trancas,
os cadeados, as taramelas,
bem sabemos que Deus
está lá fora
não no escuro deste claustro.

E andam por aqui
nestes adros amortalhados,
nos entremeios destas colunas rudes,
nos semiescuros destes cômodos abafados
à procura da paz inexistente.

Deus está lá fora
com o seu sorriso de luz
e seus olhos resplandecentes sobre o dia.


sexta-feira, 17 de julho de 2009

A BOLSA DO GENIVAL

Miniconto

por Enzo Carlo Barrocco






O velho Genival era daquelas pessoas desconfiadas e arredias com pessoas estranhas, mas com os conhecidos se tornava falante, ainda mais se estivesse com “duas” na cabeça. Certo dia deixou a bolsa tiracolo no banco comprido da sala do casal de irmãos Nogueira, solteirões convictos, enquanto ia ao igarapé tomar banho. Só Dona Regina, velha solteirona estava na casa. O enfezado Genival voltava do banho quando ouviu o velho Rinaldo, que havia retornado, perguntar: de quem é essa “borsa”? A irmã respondeu: é de “Genivalo” O pessoal da família Nogueira sempre acrescentava “O” no final das palavras terminadas em “L”. Genival, ignorante por toda a vida, apanhou a bolsa e foi embora sem, ao menos, se despedir, resmungando que pela frente o chamavam de “seu” Genival, mas por trás o chamavam apenas de Genival. Os dois velhos estupefatos entreolharam-se enquanto o desfeiteado sumia na curva do caminho.

A TENDA DOS BLOGUEIROS - MINICONTO


SOLITUDE


O homem solitário estende a mão, pega o livro sobre o sofá e retoma a leitura. Os aparelhos, à sua volta, permanecem desligados. O homem Kafka, “Na colônia penal”. Um silêncio de estúdio toma conta do apartamento. Talvez seja noite no Brasil. O homem solitário entrega o mundo, fora, ao seu natural desconcerto. E sente em silêncio, enquanto lê, o quanto dói pensar, o quanto dói criar, "o quanto dói viver".


Do Blog do Carlos Barbosa

http://miniconto.zip.net/


quarta-feira, 15 de julho de 2009

O INVERNO ENTRE A CIDADE E O MAR

Enzo Carlo Barroco



Foi por setembro
o mar cresceu e invadiu os tapiris;
a chuva veio
e a temperatura, subitamente, caiu.

Mais além, as ondas
contra o muro de arrimo
assustavam alguns pássaros.

As janelas embaçadas
dos prédios próximos
atestavam o sossego
daquela noite, inesperadamente, fria.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

DA LAVRA POÉTICA DE ABGAR RENAULT


NA RUA FEIA


Abgar Renault
(Barbacena 1901 - Rio de Janeiro 1995)


Na rua feia,
de casas pobres,
morreu o filhinho daquela mulher
que lava o linho rico
de um bairro distante.
Morreu bem simplesmente,
assim como um passarinho.
O enterro saiu...lá vai...
um caixãozinho azul
num carro velho de 3a. classe.
Atrás dois autos. Dois.

A tarde irá pôr luto
na rua feia,
de casas pobres?

Garotos brincam de esconder
atrás do muro de cartazes.
Lá no alto
vai-se abrindo grande céu sem mancha
cruzeiro-do-sulmente iluminado.


A FENDA


Miniconto

Enzo Carlo Barrocco




Antônio reparou quando a viúva Costa, furtivamente, entrou nos aposentos do padre Bruno. Será que o padre estava lá? Lembrou da fenda no forro de madeira que dava para o quarto do pároco. Ah, não! – pensou – vou ver o que ela foi fazer lá! O sacristão subiu pela escada da sala e foi para o quarto da fenda, justamente sobre o cômodo do pároco. Antônio achou a cena grotesca. A viúva, sentado em uma das pernas do padre, o beijava desesperadamente. Um segundo à frente o padre abriu a batina e pôs o seu sexo à mostra. A viúva o agarrou delicadamente, acariciando-o, ao mesmo tempo em que entreabria a perna colocando o seu sexo também à mostra, já que, naquele momento, não usava calcinha. Antônio não suportou ver o resto da cena. Impossível imaginar o respeitabilíssimo padre Bruno naquela situação. Antônio, nessa mesma tarde, pediu dispensa da função.



quarta-feira, 8 de julho de 2009

A AGUÇADA POESIA DE WILMAR SILVA


Wilmar Silva

(Rio Paranaíba 1965)

Poeta, ator e dramaturgo mineiro


pardal de rapina


redivivo pardal de rapina
enterro entre ervas e árvore
medra o piar da coruja
preso em meus ouvidos

cortado pelo sol da tarde
penas misturadas de terra
congelam em mim o sangue

o ópio
a água
o éter



DESPEDIDAS

Miniconto

Enzo Carlo Barrocco





Eram 6 e 30 e, embora a manhã estivesse claríssima para Regian era uma manhã muito triste. Ao longe o ruído conhecido do velho ônibus de todos os dias, exceto aos domingos, que levaria para a cidade, depois de 20 dias, a prima Odila. Apaixonou-se pela prima de 14 anos, olhos grandes e pretos, cabelos longos e tez parda. Não teve a devida coragem de interpelá-la quando, por vezes, existia a possibilidade. O ônibus parou entre as duas casas do lugar, abriu a porta dianteira e esperou. Regian, por trás de uns velhos coqueiros observava as despedidas; sentiu um aperto, mas o que fazer? O coletivo, empoeirado da estrada, desapareceu por trás do mato.

COMO FLAGREI SONINHA SE MASTURBANDO


Miniconto

Enzo Carlo Barrocco





- Fala de novo como foi que aconteceu?
- Mas eu já contei três vezes!
Marionaldo insistia par que eu contasse novamente como flagrei Soninha se masturbando no caminho do Pequiá.
- “Égua do cara insistente!!”. Tá bom eu conto! Pô, mas é só essa vez!
Foi assim:
- Eu tinha ido à vivenda dos Brito devolver um arco-de-pua que eu tinha emprestado do Nenzinho quando no retorno, às proximidades da Curva do Ipê, avistei Soninha. Apressadamente me escondi para dentro do mato para fazer uma espécie de brincadeira com ela, já que nos conhecíamos há tempos e eu, sem nenhuma maldade, achava que aquilo não iria causar a ela nenhum tipo de dano. O curioso é que antes de chegar onde eu estava escondido, Soninha entrou numa vereda do outro lado da estrada de terra deixando-me frustrado quanto à brincadeira que iria fazer. Mas por que ela entrou no mato? Atravessei a estrada me escondendo pelas touceiras de sororoca e vislumbrei Soninha se agachando ao lado de um tronco caído. Aproximei-me um pouco tomando cuidado para não fazer ruído nas folhas secas e, evidentemente, não ser percebido. Estranhei, pois ela estava com a calcinha nas mãos. Se fosse fazer xixi, pensei, deixaria a calcinha pelos joelhos. Ajeitou-se na direção para onde eu estava. Entreabria as pernas e olhava, olhava e entreabria as pernas novamente. A essa altura eu já estava louco. De repente, Soninha começou a esfregar os dedos por cima da racha. Já havia largado a calcinha e os pêlos estavam cortados rentes. Com a mão esquerda abria os grandes lábios para um dos lados e com os dedos da mão direita esfregava sofregamente o clitóris. Aqui e acolá apertava os bicos dos seios, parava um pouco, tomava fôlego e continuava, fazendo uma expressão de quem vai chegar ao orgasmo. Pensei surpreendê-la, mas sem saber a reação dela, desisti, pois não queria perder aquele belíssimo espetáculo Eu estava ali, escondido pelas touceiras de sororocas assistindo tudo gratuitamente. Nesse momento, com os dedos lambuzados, Soninha os enfiava na vagina, fazendo o conhecido movimento de vai-e-vem. Por fim, voltou a esfregar os dedos no grelo róseo e carnudo completamente encharcado pelo húmus vaginal. Por vezes os esfregava no ânus. Quando chegou ao orgasmo se vergou para trás apoiando-se com as costas no tronco caído. Que cara linda ela fez quando estava no auge do gozo! Como estava, vestiu rapidamente a calcinha, se ajeitou e apressou o passo. Fiquei ali por alguns minutos, quase sem forças para me levantar, pois eu não resisti à cena e, como Soninha, também “fiz justiça com as próprias mãos”.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - MICRORELATOS DO CHEEKO


451. males que vem pro bem

o torcicolo, de incômodo, fez-se providencial.: impediu-o de presenciar a cena de ciúme que sua namorada protagonizou bem ao seu lado e que, fatalmente, o levaria a torcer o pescoço da sirigaita.


DO BLOG DO CHICO PASCOAL

http://microrelatosdocheeko.blogspot.com/

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O DIÁRIO DOS PENSADOREDS - PÁGINA 39


O mais bonito nos homens viris é algo feminino; o mais bonito nas mulheres femininas é algo masculino.

- Susan Sontag (Nova York 1933 – Idem 2004) contista, novelista e ensaísta americana


Temos sociólogos bons e medíocres. Uns acabam professores; outros, presidentes da República.

- Herbert José de Souza, o Betinho (Bocaiúva 1935 – Rio de Janeiro 1997) sociólogo e ativista político mineiro


Sonho com sinceridade e amor. A paixão importa menos do que a harmonia.

- Lady Di (Norfolk 1961 – Em um acidente automobilístico em Paris, França 1997) princesa inglesa


A paixão sem a razão é cega, a razão sem a paixão é inativa.

- Benedictus Spinoza (Amsterdã 1632 – Haia 1677) filósofo holandês


Ninguém pode ser totalmente livre, enquanto não forem todos livres.

- Herbert Spencer (Derby 1820 - Brighton 1903) filósofo e sociólogo inglês


O escritor é o técnico da alma humana.

- Joseph Stalin (Gori, Geórgia 1879 – Moscou 1953) político georgiano


Um marido é apenas um amante com a barba de dois dias, um colarinho sujo e queixando-se o tempo todo de enxaqueca.

- Glória Steinem (Toledo 1934) militante política, jornalista, feminista e ensaísta americana


A aparência é uma injustiça.

- Henry Stendhal (Grenoble 1783 – Paris 1842) romancista francês


Aqueles que corrompem a opinião pública são tão funestos como aqueles que roubam as finanças públicas.

- Adlai Stevenson (Los Angeles 1900 – Idem 1965) político americano


O riso é o mais inocente de todos os diuréticos.

- Jonathan Swift (Dublin 1667 – Idem 1745) poeta e romancista irlandês


E certa idade, quer pela astúcia, quer pelo amor-próprio, as coisas que mais desejamos são as que fingimos não desejar.

- Marcel Proust (Paris 1871 – Idem 1922) romancista francês


As três melhores coisas da vida são: um uísque antes e um cigarro depois

- Elizabeth Taylor (Londres 1932) atriz inglesa




quarta-feira, 1 de julho de 2009

O SEGREDO DE EURÍDICE

Miniconto

Enzo Carlo Barrocco





Veio um homem e disse algo no ouvido da viúva chorosa. Eu, Celito e Marcílio não conseguimos discernir o que o homem dissera. Percebemos, entretanto, que a viúva esboçou um sorriso. Sabíamos, em caráter oficioso, que Eurídice traía, amiúde, nosso distraído amigo. Daquele momento em diante passamos a desconfiar do homem de óculos de grau e jaqueta jeans que se aproximou de Eurídice ainda há pouco. Quando levantaram o caixão para pô-lo no carro fúnebre o homem do sussurro pegou em uma das alças e, nesse momento, apenas eu percebi que Eurídice com o rosto voltado para o homem, abrira um discreto e gracioso sorriso. Eu, que não tinha nada a ver com isso, não comentei com ninguém. Em vista disso, que prossiga o enterro!

POEMA ANTIGO


Enzo Carlo Barrocco





A casa de estilhas e taipa,

o menino de ontem,

o chão de barro -

O pai, a mãe, a paisagem,

o branco terreiro de todos os dias,

O igarapé próximo, próxima lembrança.


Caminhos para desconhecidos lugares,

um rádio,

o céu de criança que fui,

o céu do século passado,

poema antigo.



quarta-feira, 27 de maio de 2009

PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA PAI D´ÉGUA DA TV CULTURA DO PARÁ

Dei uma entrevista para o programa "Cultura Pai D´égua" da TV Cultura do Pará que já foi ao ar. Caso queira assistir, vá no link:

http://www.portalcultura.com.br/?site=6&sub=42

segunda-feira, 25 de maio de 2009

NOTAS PEQUENAS - O FLUMINENSE NEM FRED NEM CHEIRA


Croniquetas

por Enzo Carlo Barrocco



Fluminense 1 X Santos 4: sobraram as espinhas do Peixe na garganta tricolor

E o Fluminense, hem! Eliminado no meio da semana passada pelo Corinthians pela Copa do Brasil, ontem acabou goleado pelo Santos que nem está com essa bola toda, também. Aliás, o Fluminense só avançou na Copa do Brasil no jogo contra o Águia de Marabá do Pará, porque os dois auxiliares prejudicaram sobremaneira o time paraense. O Fluminense tem um elenco cheio de craques, um técnico campeão do mundo, mas parece carne de porco: não rende.




sexta-feira, 22 de maio de 2009

UM RECADO PARA QUEM ESCREVE


Enzo Carlo Barrocco




A palavra modifica

a dor,

desarruma o ritmo;

um recado para quem escreve:


logo que assentar a palavra

aguarde um tempo

para que a espera possa depurá-la.

A precipitação é um suicídio.


A palavra tonifica

o gozo,

rearruma a frase;

um poema para quem me lê.



terça-feira, 19 de maio de 2009

SE É BELA A NOITE

Enzo Carlo Barrocco



Se é bela a noite
a cidade é bela;
as luminárias das avenidas largas,
neons nas fachadas dos bares.

Os táxis aguardam
nas esquinas, nas praças, nos largos.
Ninguém repara o céu,
repara a conta,
a cerveja, gelada companheira.

Música alta, noite alta,
a madrugada começa a ficar bêbada.
Os motéis funcionam à toda força,
a noite prossegue; tudo bem!

O JEJU


Miniconto
por Enzo Carlo Barrocco




Paulinha com uma bacia de roupa passou para o igarapé. Zé Antônio que observa a seguiu. Deu a volta e escondeu-se para cima do barranco atrás de um tronco. Esperou e esperou até que Paulinha terminasse tudo. Por fim a moça tirou toda a roupa e desapressadamente mergulhou. O Zé, evidentemente, tinha medo de ser flagrado ali, pois seria eternamente chamado de Jeju (peixe abundante nos rios amazônicos), apelido que tomam os que são pegos nessa situação. Que corpo lindo! Após, saiu da água para se ensaboar. Sem querer, Zé Antônio fez um ruído; Paulinha, com o sabão no corpo, levantou a cabeça perscrutando em volta. Devia ser um lagarto qualquer, pensou. Zé Antônio enlouqueceu quando Paulinha ensaboou delicadamente o sexo; afastara até um pouco a perna. O desajustado Zé ouviu vozes para o caminho de cima e, mais que depressa, esperou ao largo. Quando voltou Paulinha se fora. Broco, o cachorro do velho Bena, à beira d´água, saciava a sede.




A TENDA DOS BLOGUEIROS - MICROCONTOS DA ZEZÉ


76 - Quatro amigos

O tempo havia passado para os quatro amigos. No café, relembravam os arroubos da juventude enquanto despiam com o olhar as ninfetas que passavam.

Do Blog da Zezé Pina

http://microcontoszeze.blogspot.com/

segunda-feira, 18 de maio de 2009

POR DEBAIXO DE ACHAS


Miniconto


por Enzo Carlo Barrocco



À noitinha eu, meu pai e dois irmãos fomos visitar o professor Joaquim que caíra doente na terça-feira. O fato é que o professor, querendo economizar algum dinheiro, resolveu ele próprio derrubar árvores com a finalidade de confeccionar cavacos para a cobertura da casa que estava estragada. Com um machado às mãos, o professor cortava o tronco de um açacu quando, subitamente, a árvore vergou e, em seguida, veio abaixo e os últimos galhos pegaram o professor que corria atarantado. A situação apontava para remédios caseiros já que a localidade de cinco casas situava-se longe de tudo e de todos. Quando saímos de lá meu pai comentou: é! o professor Joaquim “está por debaixo de achas!”.





quinta-feira, 14 de maio de 2009

TUTI MAIOLI NETO: O POETA DA IMAGEM



Tuti Maioli Neto
(Jacarezinho 1954)
Poeta, jornalista e fotógrafo paranaense


...............................

se
caem estrelas &
meteoritos
chuvas de lavar almas
despencam bananas
avencas &
lembranças
de bonito
fazendo malabarista
caio por você

..............................




terça-feira, 12 de maio de 2009

HAI-KAIS - 16º TERCETO


Enzo Carlo Barrocco



Um sol poente,
algumas cigarras trinam
no abacateiro.

***

As borboletas
num jardim de luz e limo -
tardes de agosto.

***

Casebre de taipa,
um frio, um sono tranquilo -
alta madrugada.


A TENDA DOS BLOGUEIROS - MICROCONTOS CARLOS SEABRA

microcontos de carlos seabra

Sortear um novo microconto




Um mendigo atropelado na beira da estrada. Os carros se desviam o suficiente para não sujarem os pneus com sangue.

Do blog do Carlos Seabra

http://www.seabra.com/cgi-seabra/contos/randtxt.pl/contos2.html

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O DIÁRIO DOS PENSADOREDS - PÁGINA 38


Os cabelos brancos são arquivos do passado.

- Edgar Allan Poe (Boston 1809 – Baltimore 1849) poeta

contista e ensaísta americano


A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são.

- Fernando Pessoa (Lisboa 1888 – Idem 1935) poeta, ensaísta e cronista português


A vida é um sonho vão que a vida leva. Cheias de dores, tristemente mansas.

- Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro 1913 - Idem 1980) poeta, compositor e cantor fluminense


Há duas coisas infinitas: o universo e a estupidez. Ando inseguro quanto ao universo.

- Albert Einstein (Ulm 1879 – Princenton, EUA 1955) físico americano nascido na Alemanha


Poucas pessoas são modestas o suficiente para suportar uma avaliação correta.

- Marquês de Vauvenargues (Aix-en-Provence 1715 – Paris 1747) ensaísta francês


Por medo de diminuir, deixamos de crescer.

- Paulo Coelho (Rio de Janeiro 1947) romancista, compositor e jornalista fluminense


Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas.

- Benjamin Disraeli (Londres 1804 – Idem 1881) político inglês


Cabe à mulher casar-se o quanto antes e ao homem ficar solteiro o maior tempo que puder.

- George Bernard Shaw (Dublin 1856 - Hertfordshire 1950) dramaturgo, ensaísta e crítico irlandês


Demonstrar ira é vingar as faltas alheias em si mesmo.

- Alexander Pope (Londres 1688 - Idem 1744) poeta inglês


Se você está perdendo o seu prazer, preste atenção! Você pode estar perdendo a sua alma.

- Logan Pearsall Smith (Millville 1865 – Londres 1946) ensaísta americano


A solução para a violência é fácil: a punição dos culpados.

- Barbosa Lima Sobrinho (Recife 1897 – Rio de Janeiro 2000) ensaísta, jurista, historiador, jornalista e político pernambucano


A verdade não está com os homens, mas entre os homens.

- Sócrates (Atenas 470 – Idem 399 a C.) filósofo grego




quarta-feira, 6 de maio de 2009

A CONTRAPELO


Enzo Carlo Barrocco




Uma garrafa de sidra

e sábado,

Vinícius no som.


Mãos e glande

e grelo,

mamilos hirtos.


Seios túmidos

e greta,

boca a contrapelo.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

THAÍS GUIMARÃES: UMA POETISA DO BRASIL


Thaís Guimarães
(Fortaleza 1961)
Poetisa cearense

A OUTRA


E te amei desde sempre
em cada mulher que sou.
Ainda que soubesse
sempre me perderias.
E te odiei noite e dia
em cada mulher que te amou.


CURIOSIDADE


Minoconto


por Enzo Carlo Barrocco



Estancou à porta com as vozes que vinham da sala. Franziu o sobrolho ao ouvir risadas. O chefe dela era um homem sério, reto, probo e sempre demonstrou serenidade diante dos funcionários. Vez por outra risinhos, vez por outra silêncio. Evidentemente, se fosse algo suspeito, a porta estaria trancada; no entanto não arriscou em conferir sua dúvida. Quem estaria lá? Por um momento fora ao banheiro e, certamente, naquele intervalo a pessoa havia entrado. “A curiosidade também mata” – pensou. Atendeu ao telefone com o recado da portaria com relação a um documento urgente. Correu à portaria. “Meu Deus!” – pensou – “tomara que ela ainda esteja lá!”.



terça-feira, 28 de abril de 2009

DA SÉRIE: PAISAGENS DE BELÉM - FOTOGRAFIA Nº 2


Enzo Carlo Barrocco




As flores nas mãos da moça,

olhos negros

pela generalíssimo;

Belém se esconde sob a tarde:

floresta e água.

Ah!... A igreja de Nazaré,

gotas de luz no frontispício.


O poema singular para à esquina

(houve chuva no decorrer do dia),

a moça com as flores nas mãos

meigamente transpõe meus versos...

Relâmpagos para os lados do Guamá.



sexta-feira, 24 de abril de 2009

31


Enzo Carlo Barrocco





Bateu a noite, o coração batia,

As ruas todas, a cidade inteira

Envolvida num torpor profundo

De janeiro já se despedia.


Veio a chuva ensopando tudo,

As ruas todas, a cidade inteira,

Pelos prédios umas luzes fracas

Um domingo opressivo, mudo.


O cenário estava bem soturno,

As ruas todas, a cidade inteira,

Poucos carros; pouca gente havia.


Aqui e além uma alma errante.

Ante o vulto da manhã distante

Fevereiro já se entrevia.