por Enzo Carlo Barrocco
Livro: O Diário da Ilha (Crônicas)
Autora: Lindanor Celina
Edição: Cejup

As crônicas inigualáveis, meigas, ternas e eternas com o singular estilo de Lindanor. A clareza é o que leva o leitor ao ponto final.
A LITERATURA NAS SUAS DIVERSAS VERTENTES
poesia não é voz - é uma inflexão.
Dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho de cada um, expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos homens um sentido que não há nos gestos nem nas coisas:
vôo sem pássaro dentro.
Adolfo Casais Monteiro (Porto 1908 – São Paulo 1972) poeta, romancista, ensaísta e crítico literário português, notabilizou-se pelo engajamento político que custou a ele a proibição à docência nas universidades lusitanas. Adolfo, por conseguinte, acabou por se instalar no Brasil tendo lecionado em universidades do Rio de Janeiro e São Paulo.Certa época, Adolfo teceu duras críticas ao Concretismo, tendência poética surgida em meados do século passado no Brasil.
Em todas as circunstâncias
abre tua alma
mesmo que estejas
entre a miséria
e o lodo.
Pouco a pouco notarás,
então,
uma luz acendendo
ante a tua alma
que se abriu.
Nunca de aterroriza,
mantém a tua calma!
Os obstáculos, caro amigo,
foram feitos, justamente,
a fim que pudéssemos galgá-los.
Vi em sangue os pulsos da virgem
Cortado por navalhas de rosários e conchas
Dos seus pés sem vida, brotavam brumas de hóstias azuis.
Eram vermelho-uva os lábios da virgem
Tinha no hálito a plumagem galopante dos ventos
E cabelos que geravam leopardos e esfinges gregas
Seus olhos guardavam o canto das planícies e dos rios
E desde o princípio era ali que as noites se alimentavam
Do Blog do Tonho França
http://www.tonhofranca.com.br/poesias/body.php?id=3
Mulher bonita é aquela que briga pela vontade de viver.
- Tizuka Yamazaki (Porto Alegre 1949) telenovelista, produtora e
cineasta gaúcha
O universo é uma harmonia de contrários.
- Pitágoras (Samos 560 – Idem
É necessária uma mente fora do comum para tentar observar o óbvio.
- Alfred Whitehead (Ramsgate 1861 - Cambridge 1947) filósofo inglês
É pequeno o número de pessoas que vêem com seus próprios olhos e pensam por suas próprias mentes.
- Albert Einstein (Ulm 1879 – Princenton, EUA 1955) físico americano nascido na Alemanha
A sociedade é, em todos os lugares, uma conspiração contra a personalidade de seus componentes.
- Ralph Waldo Emerson (Boston 1803 – Concord 1882) poeta, filósofo e ensaísta americano
O prazer é o primeiro dos bens. É a ausência de dor no corpo e de inquietação na alma.
- Epicuro (Samos 341 – Atenas
A maioria das pessoas são como alfinetes: suas cabeças não são o mais importante.
- Jonathan Swift (Dublin 1667 – Idem 1745) poeta e romancista irlandês
A admissão da propriedade privada prejudicou o individualismo ao confundir o homem com o que ele possui.
- Oscar Wilde (Dublin 1854 – Paris 1900) poeta, contista e dramaturgo irlandês
Os mentirosos não ganham senão uma coisa: é não serem acreditados mesmo quando dizem a verdade.
- Esopo (Frigia
A vaidade é a mais universal das características humanas.
- Millôr Fernandes (Rio de Janeiro 1924) poeta, dramaturgo, jornalista e humorista fluminense
Os fundamentos da moral são como todos os fundamentos: aprofundados em demasia, toda a superestrutura vem abaixo.
- Samuel Butler (Langar 1600 – Londres 1680) romancista e filósofo inglês
AS EXUBERANTES PAISAGENS AMAZÔNICAS
A Amazônia, uma das regiões mais exuberantes do Brasil, merece se tratada com toda a atenção, tanto por parte do Governo quanto da sociedade, visto a sua peculiaridade. A cultura amazônica, bem como a sua fauna e flora, têm de ser preservadas a todo custo, pois a ganância de pessoas interessadas apenas em suas riquezas naturais está à solta espreitando para que, sem o menor escrúpulo, seja arrasada o que vem acontecendo ao longo dos anos. Este livro dividido em quatro partes (Caderno de Sonetos, Poemas à Mão Livre, Libélulas Rubras e Linhas Barroquianas) leva o leitor a uma reflexão sobre essa região. O poeta, a cada poema, vai pintando, como num quadro, igarapés, igapós, pássaros, pores-do-sol, ribeirinhos, madrugadas, manhãs, povoados, enfim os elementos que formam esse fantástico pedaço do Brasil.
Tenho plena certeza que você vai gostar muitíssimo deste livro e ficaria feliz se você o adquirisse. O livro tem um custo prosaico, e pode ser adquirido pelo site http://clubedeautores.com.br/book/7517--Paisagem_Amazonica
ou solicitando através do e-mail efraimpinheiro@funtelpa.com.br ou ainda pelos telefones 4005.7734 ou 8128.0846.
Abraços,
Enzo Carlo Barrocco
Londrix 79
velha lamparina
vela a chuva na janela à toa
entrelábios flora rara trança loura
belamiga rindo rindo rindo rindo me desfolha
lingerie despida breve brisa sei minha face crispa
e doura
O POETA
Ademir Assunção, paulista de Araraquara, poeta, compositor e jornalista, no convés da fragata desde 1961, é um entusiasta militante do jornalismo e ativista cultural incansável. Participou de várias antologias poéticas no Brasil e no exterior. Como letristas Ademir tem parcerias gravadas com Itamar Assunção, Edvaldo Santana e Madan. Atualmente o poeta é um dos editores da Revista Coyote.

O ser humano precisa de um pouco de loucura. Do contrário, nunca ousa cortar a corda e ser livre
- Nikos Kazantzakis (Candia, atual Iraklion, Ilha de Creta 1885 –
Fribourg, Suíça 1957) poeta, romancista e dramaturgo grego
As heresias são experimentos na insaciável busca da verdade.
- Herbert George Wells (Bromley 1866 – Londres 1946) novelista, historiador e cientista inglês
A melhor maneira de mulher prender marido em casa é ela dormir fora.
- Leon Eliachar (Cairo 1923 – Rio de Janeiro 1987) contista, cronista e humorista brasileiro nascido no Egito
Uma vez compartilhada com outra pessoa, as confissões tornam-se públicas.
- Donald Margulies (Nova York 1954) dramaturgo americano
A mentira nunca sobrevive até alcançar a idade adulta.
- Sófocles (Colona 496 – Atenas
Ciência sem consciência é apenas a ruína da alma.
- François Rabelais (
A honestidade é a melhor política. Mas quem age com este princípio não está sendo honesto.
- Richard Whately (Londres 1787 – Dublin 1863) arcebispo e teólogo irlandês, nascido na Inglaterra
A ficção deve ater-se aos fatos; quanto mais verdadeiros os fatos, melhor a ficção.
- Virgínia Woolf (Londres 1882 – Lewes 1941) romancista inglesa
A árvore nascente aguarda-te a bondade e a tolerância para que te possas ofertar os próprios frutos em tempo certo.
- Francisco Cândido Xavier (Pedro Leopoldo 1910 – Uberaba 2002) poeta, ensaísta, líder espiritual e médium mineiro
Quantas pessoas sucumbem diante do infortúnio por haver formado projetos excessivamente grandiosos apenas porque se sentiam fortes em demasia.
- Xenófanes (Cólofon 427 – Idem
As mais cruéis mentiras, muitas vezes, são ditas em silêncio.
- Roberto Louis Stevenson (Endiburgo 1850 – Valima, Samoa 1894) romancista, poeta e ensaísta escocês
Noite de cachaça e vapor de gin, seguiu sonâmbulo o som da viola e cheiro a alecrim da nova amiga. Que susto de manhã bem a seu lado um cavalo sorria.
Do Blog da Eugenia Tabosa
http://parlares.blogspot.com/
A CASA DE AZUL E URTIGA
Amigo, onde é a morada
da esperança? Diga, diga!
É naquela casa azulada
toda cercada de urtiga.
DOS MÍNIMOS BIQUINIS
Um pedacinho de pano
cobrindo o “vale encantado”,
assevero e não me engano:
deixa o sentido aguçado.
1964
Pela antiga ferrovia
a caminho de Bragança,
do trem que nela corria
restou somente a lembrança.
MOCAJUBA
Bem tranquila dividida
pela estrada do campinho,
Mocajuba tem na vida
um Caeté no caminho.
INSÔNIA
A rua iluminada,
da tua boca relembro;
segue a fria madrugada
nas longas mãos de setembro.
Soneto da última estação (Mitologia Marinha)
Adelmo Oliveira
Baiano de Itabuna
75 anos
Esta que vem do mar por entre os ventos,
Sacudindo as espumas dos cabelos,
Vem molhada de azul nos pensamentos,
Seu corpo oculta a ilha dos segredos.
Vem e dança ao andar sobre as areias
Úmidas sob os passos e os desejos,
Onde as ancas são ondas
Infinitas
Nem precisa de flor nem de perfume,
Ela é a própria essência do ciúme,
Feita de mito e se fazendo estrela.
Vem – dança – e passa aos fogos do verão
– Fantasia da última estação.
Explodiu na vertigem da beleza.
VELA BRANCA
ADELMAR TAVARES
(Recife 1888 – Rio de Janeiro 1963)
Vela branca, vela branca,
que vais lá longe... no mar...
quem me dera, vela branca,
que me quisesses levar
para tão longe... tão longe,
que eu não pudesse voltar...
Mas uma vez, vela branca,
que não me queres levar,
para tão longe... tão longe...
que eu não pudesse voltar,
leva-me a saudade dela
para o mais fundo do mar.

Finalmente, com 46 anos de atraso, chega ao Brasil O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, romance francês de ficção científica que inspirou o filme homônimo, de 1967. Adeptos, cultores e outros aproveitem! A edição, pela Agir, integra a coleção Pocket Ouro, série Grandes Filmes, a preço relativamente módico. Quem não se lembra da cena
Do Blog do Mayrant Gallo
http://nonleia.blogspot.com/
A droga que melhor altera a mente é a verdade.
- Lily Tomlin (Detroit 1939) atriz americana
A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.
- Apparicio Torelly, o Barão de Itararé (Rio Grande 1895 – Rio de Janeiro 1971) jornalista e humorista gaúcho
A fome não tem nacionalidade: a abundância, tampouco, deve temê-la.
- Harry S. Truman (Lamar 1884 – kansas City 1972) político e ex-presidente americano
O pobre Adão caiu porque não teve mãe, não foi menino.
- Miguel de Unamuno (Bilbao 1864 – Salamanca 1936) ensaísta, romancista, poeta e filósofo espanhol
Certo prazer existente na tristeza é mais doce do que o prazer do prazer.
- Percy Bysshe Shelley (Field Place 1792 – Em um naufrágio no Golfo de
Sou uma pessoa profundamente superficial.
- Andy Warhol (Pittsburgh 1928 – Nova York 1987) artista plástico americano
A liberdade, quando começa a criar raízes, é uma planta de crescimento rápido.
-George Washington (Westmoreland County 1732 - Monte Vernon 1799) político e ex-presidente americano
Quem tem fome tem pressa
- Herbert José de Souza, o Betinho (Bocaiúva 1935 – Rio de Janeiro 1997) sociólogo e ativista político mineiro
Alguma coisa misteriosa nesse universo é cúmplice dos que amam o bem.
- Simone Weil (Paris 1909 – Ashford, Inglaterra 1943) filósofa e política francesa
A última cena é sempre trágica, pouco importa quão felizes tenham sido as outras: um pouco de terra é jogada por cima de nossa cabeça e é o fim para todo o sempre.
- Blaise Pascal (Clermont 1623 – Paris 1662) filósofo, matemático, físico, teólogo e ensaísta francês
Quando a riqueza cai nas mãos de homens fracos, sem consciência de paixões desregradas, não é, senão, uma tentação e uma cilada.
- Samuel Smiles (Haddington 1812 – Londres 1904) ensaísta e reformista social escocês
A pior coisa dos livros novos é que eles nos impedem de ler os antigos.
- Joseph Joubert (Montignac 1754 - Villeneuve-sur-Yonne 1824) ensaísta francês
A lua acende a noite
que, por sua vez, se acendeu ao sol.
Espera as estrelas tomarem posição.
Somente os grilos e outros
poucos animais da noite
trarão desassossego
ao silêncio e à brisa.
Pois bem!
Aproveita se teu sono é justo,
que o homem honesto não
se fabrica em série.
A lua sobe,
a cantata dos galos se aproxima.
É tão divina a angélica aparência
e a graça que ilumina o rosto dela,
que eu concebera o tipo de inocência
nessa criança imaculada e bela.
Peregrina do céu, pálida estrela,
exilada na etérea transparência,
sua origem não pode ser aquela
da nossa triste e mísera existência.
Tem a celeste e ingênua formosura
e a luminosa auréola sacrossanta
de uma visão do céu, cândida e pura.
E quando os olhos para o céu levanta,
inundados de mística doçura,
nem parece mulher - parece santa.
Miniconto
por Enzo Carlo Barrocco
Enfiou-se entre dois ônibus emparelhados na avenida Lauro Penedo. Na saída do corredor mortal, viu pelo retrovisor da moto, os dois veículos abalroarem-se. Um cachorro, assustadíssimo, fugia desesperadamente pelo canteiro central.
Nas horas tardias
uivos de lobos ecoam.
Cordeiros vigiam.
*
Do alto da torre
uma coruja espreita:
prelúdio mortal.
*
O sapo do brejo,
em pose de majestade
engole os tolos.
*
Bebem seiva rubra
os vampiros amorais.
Defecam decretos.
*
Pedaços de céu,
no balançar dessa rede:
paiol estelar.
*
Um risco no céu.
A estrela se desfaz
num sonho sutil.
*
cingem as folhas cansadas.
Aves outonais

Apresentação
Era uma vez... Trajando uma batina preta,
arcado o torso magro, em curva atestatória
da prece... um jesuíta, um padre... era Anchieta;
surgiu logo no albor da brasileira história.
Viveu fugindo, sempre, aos toques de trombeta
que, em sua milagrosa e humana trajetória,
devia receber dos homens. A faceta
mais radiante nele era furtar-se à glória.
Foi piedoso e santo e foi, também o filho
de Deus, cuja mansão, edênica, inefável,
aos índios descerrou. Quem da Virgem, o brilho
em versos exaltou... Mas, servo da humildade,
insistia em fazer calar, irrecusável,
os testemunhos mil de sua santidade...
Não me olhe
da beira d' água
de nossa praia
e venha agora!
Sei que esse (a)mar
não dá pé,
mas a gente bóia!
DO BLOG DO FLA PEREZ
http://nanobardoescritor.blogspot.com/
UM POEMA À TARDE
A lua sobre a estrada,
sol e buritizeiros –
um poema à tarde.
NOITE ALTA NO BAIRRO DISTANTE
A madrugada célere,
a fraca luminária.
Estrelas sobre um muro baixo.
DO OUTRO LADO DO RIO
Montaria ao largo;
mulher, menino e trapiche
na dobra do rio.
Quando subi para o ônibus na Rua Vinho Novo ainda tinha um lugar vago nas cadeiras de trás. Passei a roleta e sentei ao lado de um distinto senhor de paletó e gravata, bem apessoado, cabelo certinho e uma pasta tipo presidente colocada no chão do ônibus. Naquele dia eu só tinha o dinheiro da passagem de ida; iria emprestar de algum colega para voltar a casa. Na Avenida Souza Paiva, o distinto senhor pediu licença para passar, pois, naturalmente, iria descer. Virei de lado, o homem passou e puxou a campainha. Quando o ônibus parou percebi que o engravatado tinha esquecido a pasta. Chamei-o imediatamente; ele pôs a mão na cabeça e entreguei-lhe a pasta e ele convidou-me a descer. Será que ele quer me recompensar? Foi o que me veio à cabeça. Desci, claro, com certa alegria, pois qualquer quantia, àquela altura, seria muito bem-vinda. O homem pegou minha mão e agradeceu-me várias vezes, penhoradamente, dizendo que ali tinha documentos importantes, etc.etc. E eu esperando a recompensa. De repente, o homem dá sinal para um táxi que parou e, agradecendo-me, pela última vez, o biltre entrou no carro e foi embora. Fiquei ali, a uns três quilômetros do meu trabalho, sem dinheiro, sol alto, calor insuportável, atrasado e atônito.
Adelaide Lessa
Paulista da Capital
83 anos
Seremos de tal lirismo
que por descuido somente
voltaremos ao instinto
de comer os grãos de pólen.
Tão luminosos seremos,
de tal pureza divina,
que em nós haverá tormento
se o néctar for ingerido
e mancharemos o amor
se houver escolha de sumo
e pesaremos o dobro
com o perfume dos frutos.
Renan vociferando: não esqueçamos seu passado negro.
Enquanto isso, no Senado Federal, continuam os desmandos. Uma instituição onde se decidem os rumos de todo um país, a corrupção e a falta de ética correm soltas. O presidente da “Casa”, José Sarney, metido em todos os tipos de falcatruas; alguns aliados dele querendo defender o indefensável... Com todo o respeito aos feirantes de todo Brasil, um bate-boca de final de feira semana passada entre Renan Calheiros e Tasso Jereissaiti foi um episódio que jamais poderia ter acontecido. É como se diz: um sujo falando de um mal-lavado. Se o Senado está nesse patamar o que não dizer de todas as outras instituições públicas espalhadas pelo Brasil? Sinceramente falando: este é um país de ordinários.
O que vejo seria uma estrada cujas margens
estariam cobertas de flores de salsa,
o chão carregado de roxo,
onde ninguém mais observasse.
O sol sobre essas flores
daria um excelente aspecto,
uma casa de telhas novas e a simplicidade
de uma fileira de cajueiros.
As nuvens se movendo lentas
no céu esplêndido;
borboletas num pé de papoula.
O dia correndo muitíssimo bem.
EMERGÊNCIA
- Alô, polícia?
- Você ligou para a polícia...
- Socorro!!!
- Disque 1 para assaltos...
- Hã?
- Disque 2 para sequestros...
- É emergência!!
- Disque 3 para estupros...
- Como assim?
- Disque 4 para a caixa beneficiente...
- Socorro!!
- Ou aguarde...
- Alô? Alô?
- Código inválido. Ligue novamente.
DO BLOG DO SILVIO VASCONCELLOS
http://miniminimos.blogspot.com/2009/08/
Todo povo é um campo armado.
- Mao Tse-Tung (Shaoshan 1893 – Pequim 1976) político,
revolucionário, militar chinês
Não nego que as mulheres sejam bobas: Deus, todo poderoso,
as fez para se equipararem aos homens.
- George Eliot (Chilvers Coton 1819 – Londres 1880) novelista e romancista inglesa
Amor é mistério sem fim: não existe o que explique.
- Rabindranath Tagore (Calcutá 1861 – Santiniketan 1941) poeta, filósofo, músico e pintor indiano
A morte é o sinal de igual na equação da vida.
- Júlio César de Mello e Souza, o Malba Tahan (Rio de Janeiro 1885 – Recife 1974) contista, romancista e matemático fluminense
Temos apenas que crer.
- Pierre de Chardin (Orcines 1881 – Nova York 1955) paleontologista, filósofo e religioso católico francês
A bravura nunca passa de moda.
- William Makepeace Thackeray (Calcutá 1811 – Londres 1863) novelista e romancista inglês, nascido na Índia
A única cura para o amor é amar ainda mais.
- Henry Thoreau (Concord 1817 – Idem 1862) poeta, filósofo e naturalista americano
A falta de dinheiro é a raiz de todos os males.
- George Bernard Shaw (Dublin 1856 - Hertfordshire 1950) dramaturgo, ensaísta e crítico irlandês
É a luta do homem neste planeta emaranhado o que mais me fascina.
- Lygia Fagundes Telles (São Paulo 1921) romancista paulista
Nossos espíritos se precipitam um para o outro ao tocar dos lábios.
- Alfred Tennyson (Somersby 1809 – Londres 1892) poeta inglês
Mais que as idéias, são os interesses que separam as pessoas.
- Alexis Tocqueville (Verneuil-Sur-Seine 1805 – Cannes 1859) historiador francês
A mudança é o progresso através do qual o futuro invade nossas vidas.
- Alvin Toffler (Nova York 1928) ensaísta americano
Quadro: Os Retirantes (Cândido Portinari)
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensão: 190 x 180 cm
Local: Coleção Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp)
... E foi nesse dia
que Maria
visivelmente decepcionada, fora mandada embora do emprego.
Pensou nos filhos, evidentemente,
um casal de pequenas almas
que dependiam dela tão-somente.
Que os patrões fossem
para os quintos dos infernos – desejou –
e mais dez quilômetros para dentro,
pela insensatez e pela crueza.
Eles sabiam das crianças,
da dificuldade e do bairro afastado.
O tempo avança,
lembrou da dispensa que acabaria logo...
Exílio dele nas Urubuguáias
Adailtom Medeiros
71 anos
Maranhense de Caxias
exilAdo nas urubuguáias
boi serapião do buriti
corre nos cerrAdos e grotões
tal marruá de tamAnca e reza
andarilho sem odres de couro
um patori desaplumbeAdo
na travessia das grAndes estórias
construindo em sete mil dias Dios
um antropomOrfa como
o veAdo do mistéRio
de gelos e vinhos tintos
ou o carCará castrAdo
vindo dos salEs noturnos
furnicAdo de marinhas
ODE A RASUNDA
Abelardo Romero
(Lagarto, SE 1907 - Idem 1979)
Torres coroadas de brasas
correndo atrás de comboios,
a rubra boca rotunda
dois faróis falando às vagas,
e nas balizas celestes
pipilo de estranhas aves.
Na orla da noite ornada
de luzes senta-se o Rio,
e, na escuridão profunda,
em vermelho sobre o negro
datilografa seu augúrio:
chove amanhã em Rasunda.
A manhã já não divulga
o chilreio das gaivotas,
nem o marulho dos cascos
de potros de escamas alvas
se contorcendo feridos
pela chama que os inunda.
.................................................
Sirenes, sinos, girândolas.
Não se janta. Ninguém ama.
E os rios descem salobros
na larga face fecunda.
Pais e filhos dormem juntos
sobre os louros de Rasunda.

O
Na rua feia,
de casas pobres,
morreu o filhinho daquela mulher
que lava o linho rico
de um bairro distante.
Morreu bem simplesmente,
assim como um passarinho.
O enterro saiu...lá vai...
um caixãozinho azul
num carro velho de 3a. classe.
Atrás dois autos. Dois.
A tarde irá pôr luto
na rua feia,
de casas pobres?
Garotos brincam de esconder
atrás do muro de cartazes.
Lá no alto
vai-se abrindo grande céu sem mancha
cruzeiro-do-sulmente iluminado.
Antônio reparou quando a viúva Costa, furtivamente, entrou nos aposentos do padre Bruno. Será que o padre estava lá? Lembrou da fenda no forro de madeira que dava para o quarto do pároco. Ah, não! – pensou – vou ver o que ela foi fazer lá! O sacristão subiu pela escada da sala e foi para o quarto da fenda, justamente sobre o cômodo do pároco. Antônio achou a cena grotesca. A viúva, sentado em uma das pernas do padre, o beijava desesperadamente. Um segundo à frente o padre abriu a batina e pôs o seu sexo à mostra. A viúva o agarrou delicadamente, acariciando-o, ao mesmo tempo em que entreabria a perna colocando o seu sexo também à mostra, já que, naquele momento, não usava calcinha. Antônio não suportou ver o resto da cena. Impossível imaginar o respeitabilíssimo padre Bruno naquela situação. Antônio, nessa mesma tarde, pediu dispensa da função.


O mais bonito nos homens viris é algo feminino; o mais bonito nas mulheres femininas é algo masculino.
- Susan Sontag (Nova York 1933 – Idem 2004) contista, novelista e ensaísta americana
Temos sociólogos bons e medíocres. Uns acabam professores; outros, presidentes da República.
- Herbert José de Souza, o Betinho (Bocaiúva 1935 – Rio de Janeiro 1997) sociólogo e ativista político mineiro
Sonho com sinceridade e amor. A paixão importa menos do que a harmonia.
- Lady Di (Norfolk 1961 – Em um acidente automobilístico em Paris, França 1997) princesa inglesa
A paixão sem a razão é cega, a razão sem a paixão é inativa.
- Benedictus Spinoza (Amsterdã 1632 – Haia 1677) filósofo holandês
Ninguém pode ser totalmente livre, enquanto não forem todos livres.
- Herbert Spencer (Derby 1820 - Brighton 1903) filósofo e sociólogo inglês
O escritor é o técnico da alma humana.
- Joseph Stalin (Gori, Geórgia 1879 – Moscou 1953) político georgiano
Um marido é apenas um amante com a barba de dois dias, um colarinho sujo e queixando-se o tempo todo de enxaqueca.
- Glória Steinem (Toledo 1934) militante política, jornalista, feminista e ensaísta americana
A aparência é uma injustiça.
- Henry Stendhal (Grenoble 1783 – Paris 1842) romancista francês
Aqueles que corrompem a opinião pública são tão funestos como aqueles que roubam as finanças públicas.
- Adlai Stevenson (Los Angeles 1900 – Idem 1965) político americano
O riso é o mais inocente de todos os diuréticos.
- Jonathan Swift (Dublin 1667 – Idem 1745) poeta e romancista irlandês
E certa idade, quer pela astúcia, quer pelo amor-próprio, as coisas que mais desejamos são as que fingimos não desejar.
- Marcel Proust (Paris 1871 – Idem 1922) romancista francês
As três melhores coisas da vida são: um uísque antes e um cigarro depois
- Elizabeth Taylor (Londres 1932) atriz inglesa

E o Fluminense, hem! Eliminado no meio da semana passada pelo Corinthians pela Copa do Brasil, ontem acabou goleado pelo Santos que nem está com essa bola toda, também. Aliás, o Fluminense só avançou na Copa do Brasil no jogo contra o Águia de Marabá do Pará, porque os dois auxiliares prejudicaram sobremaneira o time paraense. O Fluminense tem um elenco cheio de craques, um técnico campeão do mundo, mas parece carne de porco: não rende.

Paulinha com uma bacia de roupa passou para o igarapé. Zé Antônio que observa a seguiu. Deu a volta e escondeu-se para cima do barranco atrás de um tronco. Esperou e esperou até que Paulinha terminasse tudo. Por fim a moça tirou toda a roupa e desapressadamente mergulhou. O Zé, evidentemente, tinha medo de ser flagrado ali, pois seria eternamente chamado de Jeju (peixe abundante nos rios amazônicos), apelido que tomam os que são pegos nessa situação. Que corpo lindo! Após, saiu da água para se ensaboar. Sem querer, Zé Antônio fez um ruído; Paulinha, com o sabão no corpo, levantou a cabeça perscrutando
À noitinha eu, meu pai e dois irmãos fomos visitar o professor Joaquim que caíra doente na terça-feira. O fato é que o professor, querendo economizar algum dinheiro, resolveu ele próprio derrubar árvores com a finalidade de confeccionar cavacos para a cobertura da casa que estava estragada. Com um machado às mãos, o professor cortava o tronco de um açacu quando, subitamente, a árvore vergou e, em seguida, veio abaixo e os últimos galhos pegaram o professor que corria atarantado. A situação apontava para remédios caseiros já que a localidade de cinco casas situava-se longe de tudo e de todos. Quando saímos de lá meu pai comentou: é! o professor Joaquim “está por debaixo de achas!”.
| microcontos de carlos seabra | |
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| Um mendigo atropelado na beira da estrada. Os carros se desviam o suficiente para não sujarem os pneus com sangue. | |
Os cabelos brancos são arquivos do passado.
- Edgar Allan Poe (Boston 1809 – Baltimore 1849) poeta
contista e ensaísta americano
A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são.
- Fernando Pessoa (Lisboa 1888 – Idem 1935) poeta, ensaísta e cronista português
A vida é um sonho vão que a vida leva. Cheias de dores, tristemente mansas.
- Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro 1913 - Idem 1980) poeta, compositor e cantor fluminense
Há duas coisas infinitas: o universo e a estupidez. Ando inseguro quanto ao universo.
- Albert Einstein (Ulm 1879 – Princenton, EUA 1955) físico americano nascido na Alemanha
Poucas pessoas são modestas o suficiente para suportar uma avaliação correta.
- Marquês de Vauvenargues (Aix-en-Provence 1715 – Paris 1747) ensaísta francês
Por medo de diminuir, deixamos de crescer.
- Paulo Coelho (Rio de Janeiro 1947) romancista, compositor e jornalista fluminense
Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas.
- Benjamin Disraeli (Londres 1804 – Idem 1881) político inglês
Cabe à mulher casar-se o quanto antes e ao homem ficar solteiro o maior tempo que puder.
- George Bernard Shaw (Dublin 1856 - Hertfordshire 1950) dramaturgo, ensaísta e crítico irlandês
Demonstrar ira é vingar as faltas alheias em si mesmo.
- Alexander Pope (Londres 1688 - Idem 1744) poeta inglês
Se você está perdendo o seu prazer, preste atenção! Você pode estar perdendo a sua alma.
- Logan Pearsall Smith (Millville 1865 – Londres 1946) ensaísta americano
A solução para a violência é fácil: a punição dos culpados.
- Barbosa Lima Sobrinho (Recife 1897 – Rio de Janeiro 2000) ensaísta, jurista, historiador, jornalista e político pernambucano
A verdade não está com os homens, mas entre os homens.
- Sócrates (Atenas 470 – Idem
Estancou à porta com as vozes que vinham da sala. Franziu o sobrolho ao ouvir risadas. O chefe dela era um homem sério, reto, probo e sempre demonstrou serenidade diante dos funcionários. Vez por outra risinhos, vez por outra silêncio. Evidentemente, se fosse algo suspeito, a porta estaria trancada; no entanto não arriscou em conferir sua dúvida. Quem estaria lá? Por um momento fora ao banheiro e, certamente, naquele intervalo a pessoa havia entrado. “A curiosidade também mata” – pensou. Atendeu ao telefone com o recado da portaria com relação a um documento urgente. Correu à portaria. “Meu Deus!” – pensou – “tomara que ela ainda esteja lá!”.
As flores nas mãos da moça,
olhos negros
pela generalíssimo;
Belém se esconde sob a tarde:
floresta e água.
Ah!... A igreja de Nazaré,
gotas de luz no frontispício.
O poema singular para à esquina
(houve chuva no decorrer do dia),
a moça com as flores nas mãos
meigamente transpõe meus versos...
Relâmpagos para os lados do Guamá.
Bateu a noite, o coração batia,
As ruas todas, a cidade inteira
Envolvida num torpor profundo
De janeiro já se despedia.
Veio a chuva ensopando tudo,
As ruas todas, a cidade inteira,
Pelos prédios umas luzes fracas
Um domingo opressivo, mudo.
O cenário estava bem soturno,
As ruas todas, a cidade inteira,
Poucos carros; pouca gente havia.
Aqui e além uma alma errante.
Ante o vulto da manhã distante
Fevereiro já se entrevia.