sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A OUTRA TEMPESTADE


Enzo Carlo Barrocco




(A Rodrigues Pinajé)

A dor e o dia dividindo a dúvida,
polindo o tempo, parda pedra/sempre,
luz e lábios loucamente lembrem
a tez, o ventre, a semente túmida.

Sobre a solidão sussurrante anseia
o gozo, o sangue; o orgasmo flagra
a música/manhã, calmo mar; amarga
boca e boca, carne e carne: ceia.

Sibilam ébrias sombras à penumbra,
sêmem-saliva assoma sobre o sexo,
línguas, limos, a lascivez alumbra...

Arde a rua, risos estridentes,
fulva flor, enfim, feliz se inflama
e tudo se termina a tara e a trama.



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