segunda-feira, 5 de abril de 2010

A LÚGUBRE AMEIXEIRA DOS ALVES

Enzo Carlo Barrocco



Um caminho soturno –
antes da ladeira do igarapé raso
uma frondosa ameixeira
onde há três décadas
se avistava um paupérrimo
povoado de três casas.

Embaixo da ameixeira,
mesmo em noites de lua cheia,
fazia um escuro assustador
e o caminho, tortuoso e sombrio,
passava meramente a dois
metros do tronco da árvore.

Certa vez, quando o povoado
não mais existia, passei lá
meia-noite em ponto;
apenas um calango assustado
correu da beira do caminho
por sobre as folhas secas.

Se aparecia visagem,
como muitos afirmavam,
naquela noite não pude constatar;
somente um vento frio envolvia a noite.
Hoje nada disso mais existe;
o desmatamento se apossou de tudo.

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