segunda-feira, 9 de março de 2015

A CURVA DO DOMÍCIO

Conto

por Enzo Carlo Barrocco





Ninguém sabia por que Domício construiu a casa da família exatamente na curva da estrada que dá para o Porto dos Coqueiros, uma curva até certo ponto acentuada numa estrada de mão dupla; um carro que viesse no sentido Vila / Porto e perdesse o controle, certamente atingiria a residência o que causaria um prejuízo muito grande. O terreno de Domício, cujo limite dava na estrada, não era pequeno e tinha, pelos menos, uns quatro quilômetros quadrados, sendo que um dos lados se perdia na mata que protegia o igarapé que atravessava a propriedade. Muitos veículos passavam na estrada dia e noite, principalmente caminhões, carretas e pesadas caçambas que levavam material para despacho no concorrido porto. O próprio Domício contava aos conhecidos que, à noite, os veículos pesados transitavam apressadamente de um lado para o outro. Percebia-se que Domício não se preocupava com essa situação, embora na casa vivesse ele, a esposa e os quatro filhos homens entre 03 e 16 anos, sendo que aquele barulho não causava mais comoção à família.
Certa manhã, a pequena população da Vila Cerqueira, há cinco quilômetros, acordara com a notícia que um caminhão-baú, carregado de caixas de sabão em pó, perdera a direção, já que o motorista havia cochilado, e chocou-se contra a casa na Curva do Domício, como já era conhecida, colocando preocupação nos moradores. A verdade que se constatou, em seguida, foi que o veículo que capotou várias vezes, apenas arrancou um dos mourões que sustentava a puxada que servia de segunda cozinha que Domício havia construído há um mês. O motorista? Colegas  que passaram em seguida, o levaram para a enfermaria do porto.


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