quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

GENIVAL LACERDA E A MÚSICA NO JIRAU

Resenha

por Enzo Carlo Barrocco





TÍTULO: TRIBUTO A JACKSON DO PANDEIRO

INTÉRPRETE: GENIVAL LACERDA

GRAVADORA: RGE (1998)

Um trabalho de valor inestimável. É o que é esse CD do irreverente Genival Lacerda, um dos representantes nordestinos na MPB, numa justa homenagem a Jackson do Pandeiro, “O Rei do Ritmo” (falecido em 1982). José Gomes Filho, ou melhor, Jackson do Pandeiro dispensa qualquer comentário e essa homenagem feita por Genival, seu conterrâneo, vem resgatar a importância desse paraibano dentro da MPB. Genival dá uma conotação mais malemolente, digamos assim, a verdadeiras jóias como: Cantiga do Sapo (Buco do Pandeiro – Jackson do Pandeiro), Sebastiana (Rosil Cavalcante), Forró em Limoreiro (Edgar Ferreira), Forró em Caruaru (Zé Dantas), Secretário do Diabo (Osvaldo Oliveira – Ronaldo Costa), Como Tem Zé na Paraíba (Catulo de Paula – Manezinho Araújo), entre outras. Os músicos que acompanham Genival são excepcionais, destacando-se a dupla de sanfoneiros Dominguinhos e Osvaldinho. São vinte músicas sendo doze em pout-pourri. Não deixe de adquirir esse maravilhoso trabalho, possa ser que você não tenha outra oportunidade.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

RIMBAUD: O POETA INFANTE


JEAN-ARTHUR RIMBAUD
(Charleville 1854 – Marselha 1891)
Poeta francês

Quando eu atravessava os Rios impassíveis,
Senti-me libertar dos meus rebocadores.
Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis
Os espetaram nus em postes multicores.
Eu era indiferente à carga que trazia,
Gente, trigo flamengo ou algodão inglês.
Morta a tripulação e finda a algaravia,
Os Rios para mim se abriram de uma vez.

Imerso no furor do marulho oceânico,
No inverno, eu, surdo como um cérebro infantil,
Deslizava, enquanto as Penínsulas em pânico
Viam
turbilhonar marés de verde e anil.

Tradução: Haroldo de Campos

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

TOCO PRETO E A MÚSICA NO JIRAU

TÍTULO: UM CAVACO NO PARTIDO (CHORINHO)

INTÉRPRETE: TOCO PRETO

GRAVADORA: CBS/TROPICANA – 1974

Toco Preto é um daqueles chorões que não pode ser encontrado facilmente. Instrumentista de primeira linha coloca o cavaquinho, musicalmente, onde bem entende, ainda mais que o repertório, aqui, foi magistralmente escolhido. Toco transforma, por exemplo, “Forever and Ever” (S. Flavianos – R. Constantinos), a qual Demis Roussos deu conotação universal, numa verdadeira obra de arte, passando por “Lamento” (Pixinguinha – Vinícius de Morais), adaptada bem ao seu estilo; “Viagem” (João de Aquino – Paulo Cezar Pinheiro); “Matriz ou Filial” (Lúcio Cardim); “Kalu” (Humberto Teixeira) que ao cavaquinho é absolutamente deliciosa, bem como algumas composições suas: “Calango Pé de Cana”, “Espere no Cais”, em parceria com Marcos Venâncio; “Espere o Carnaval”. Esse disco, transformado em raridade, certamente está fora de circulação. Contudo, caso você tenha oportunidade de ouvi-lo, ouça-o. Toco Preto e o cavaquinho, aqui, estão, simplesmente, excepcionais.

EM TEMPO: Infelizmente não consegui nenhuma informação adicional sobre o artista, tampouco uma foto.

UM POEMA DA LAVRA DO VOGT


Carlos Vogt
(Sales Oliveira 1943)
Poeta paulista

Bichos da Noite


Um dia
era noite
eu disse para duas moças velhas
Sentadas num alpendre de jardim:
Cuidado com os curiangos!
Elas em uníssono responderam:
Não sabemos o que é curiango,
mas não fale conosco assim.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

JIRAU DIVERSO Nº 17

JIRAU DIVERSO
Nº 17 – julho.2007
por Enzo Carlo Barrocco


A poesia sergipana de Gizelda Santana de Morais

O Poema

Viola de Gamba
Nossas mãos juntas
construirão gestos insuspeitados
nossos passos juntos caminharão
dobro dos caminhos
nossos corpos juntos
suportarão o peso das pressões
elevado ao quadrado
nossos mentes juntas
nossos pensamentos
nossos momentos
se esticarão como cordas
de viola de gamba
nos ouvidos dos séculos.


A Poeta

Gizelda Santana de Morais, sergipana de Campo do Brito, poeta, contista e romancista, no convés da fragata desde 1939, teve seu primeiro livro, “A Rosa do Tempo”, publicado em 1958. Desde então Gizelda vem sempre se destacando nos meios literários brasileiros. O trabalho do Gizelda, mormente a poesia, deixa transparecer uma alma inquieta e preocupada com os rumos que a humanidade está tomando. Saudemos o vigor poético de Gizelda!

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ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis

A Lua e os Saltimbancos
Autor: Fernando Tasso
Edição do autor
A excelente escrita de Fernando Tasso enternece logo á primeira leitura. “A Lua e os Saltimbancos” é um tesouro a ser descoberto.

Chove nos Campos de Cachoeira
Autor: Dalcídio Jurandir
Edição: Cejup/Secult/A Província do Pará
A história de um morador dos campos nos confins da Ilha do Marajó. A vida atribulada do homem marajoara enfrentando as intempéries daquela região.

Ércia os os Elfos
Autor: Reivaldo Vinas
Edição: Secult - FCPTN
A escrita nevrálgica de Reivaldo nos remete a um mundo de deuses, fadas, gnomos, duendes. Os poemas são resultado de anotações circunstanciais e escritos diários que foram tomando contornos simbólicos.

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A FRASE DI/VERSA

Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, é que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.
- Machado de Assis (Rio de Janeiro 1839 – Idem 1908) poeta, contista, romancista, dramaturgo, cronista e ensaísta fluminense
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DA LAVRA MINHA


PABLO NERUDA: O POETA UNIVERSAL


Pablo Neruda
(Parral 1904 - Santiago 1973)
Poeta chileno

POEMA XXIII

Os dias não se descartam nem se somam, são abelhas
que arderam de doçura ou enfureceram
o aguilhão: o certame continua,
vão e vêm as viagens do mel à dor.
Não, não se desfia a rede dos anos: não há rede.
não caem gota a gota de um rio: não há rio.
O sonho não divide a vida em duas metades,
nem a ação, nem o silêncio, nem a virtude:
a vida foi como uma pedra, um só movimento,
uma única fogueira que reverberou na folhagem,
uma flecha, uma só, lenta ou ativa, um metal
que subiu e desceu queimando em teus ossos.

A LANTERNA DOS LUMIÈRE – AS AVENTURAS DE ALBERT FINNEY

Resenha
por Enzo Carlo Barrocco

A INOCENTE INTENÇÃO DE CHOCAR

FILME: As Aventuras de Tom Jones (Tom Jones) – Comédia – Inglaterra (1963) 121 minutos. Direção Tony Richardson. Com: Albert Finney, Susannah York, Hugh Griffith, Edit Evans, Joan Greenwood.

“As Aventuras de Tom Jones”, filmado há 45 anos, hoje ficou com cara de filme B. Richardson leva a direção a contento. Tom Jones (Finney) é o filho adotivo de um dono de terras e que se vê obrigado a sair de casa por que se apaixonara pela filha do vizinho (York), que quer vê-la casada com o irmão afetado de tom. O filme tem a inocente intenção de chocar. Finney, que como o filme, arrematou o Oscar de melhor ator, é plausível.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

JIRAU DIVERSO Nº 19

Envelhecer é apenas um mau hábito que os homens ocupados não têm tempo de adquirir.
- André Maurois (Elbeuf 1885 – Paris 1967) romancista e biologista francês

- William Somerset Maughan (Paris 1874 – Londres 1965) romancista, contista, dramaturgo e ensaísta inglês nascido na França

Quando a vida é insípida, a própria desgraça é um divertimento; e um incêndio, uma festa.
- Maksím Gorki (Nijny Novgórod 1868 – Moscou 1936) romancista e dramaturgo russo

A doçura maior da vida flui na luz do sol. Até urubus são belos no largo círculo dos dias sossegados.
- Cecília Meireles (Rio de Janeiro 1901 – idem 1964) poeta e cronista fluminense

A morte é indolor
o que dói nela é o nada
que a vida faz do amor.
- Thiago de Melo (Bom Socorro, distrito do município de Barreirinha 1926) poeta amazonense

Estando em moda todos os vícios passam por virtudes.
- Jean-Baptiste Poquelin, o Molière (Paris 1622 – Idem 1673) dramaturgo e ator francês

A maior coisa do mundo é saber como ser você mesmo.
- Michel de Montaigne (Périgord 1533 – Bordeaux 1592) ensaísta francês

A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção de seus princípios.
- Montesquieu (La Brède 1689 – Paris 1755) filósofo francês

A verdadeira poesia deve comunicar antes de ser compreendida.
- T. S. Eliot (St. Louis 1888 – Londres 1965) poeta e dramaturgo inglês nascido nos Estados Unidos

Trabalha e fiscaliza com severidade e justiça a aplicação do produto do teu esforço.
- Roquette-Pinto (Rio de Janeiro 1884 – Idem 1954) antropólogo e educador fluminense

O homem é um aprendiz, a dor o seu mestre.
- Alfred de Musset (Paris 1810 – Idem 1857) poeta, dramaturgo e romancista francês

Duvide de tudo ao menos uma vez. Até da regra: duas vezes dois é quatro.
- Georg Lichtenberg (Oberramstadt bei Darmstadt 1742 - Göttingen 1799) filósofo alemão


ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...