terça-feira, 5 de agosto de 2008

CASIMIRO DE ABREU, O ANJO ROMÂNTICO


por Enzo Carlo Barrocco

José Marques Casimiro de Abreu poeta e dramaturgo fluminense (Barra de São João 1839 - Indaiaçu, atual Casimiro de Abreu 1860), era filho de um rico comerciante e dono de terras no Estado do Rio de Janeiro. Estudou humanidades em Nova Friburgo, mas não chegou a concluir o curso, pois foi obrigado a se dedicar ao comércio. Esse episódio o deprimiu muito. Entre 1853 e 1857 viveu em Lisboa onde encenou sua peça “Camões e o Jaú” que, inclusive, obteve certo êxito, embora Casimiro fosse eminentemente poeta. De volta ao Brasil, novamente foi trabalhar no comércio da família. Em 1859, publica o volume de poesias “As Primaveras” com o apoio financeiro do pai. O poeta, depois que voltou ao Brasil, começou a levar uma vida desregrada. Diante disso, o poeta contraiu tuberculose e veio a falecer com apenas 22 anos de idade. O amor expresso em seus poemas é sempre impossível, platônico e idealizado. A saudade é um sentimento bastante cultivado nos versos do poeta, acentuada pela distância da pátria e da família, assim como o lamento da infância perdida. A grande maioria dos críticos torce o nariz para o trabalho de Casimiro, entretanto, no meu entender, a literatura brasileira deve muito a este poeta terno, delicado e inspirado que deixou seus poemas em apenas um livro. O poeta pertence à segunda geração do Romantismo, denominada Byroniana ou Mal do Século. Fiquemos, portanto, com três raríssimas jóias produzidas pelo vasto universo da mente de Casimiro.

Três Cantos

Quando se brinca contente
Ao despontar da existência
Nos folguedos de inocência,
Nos delírios de criança;
A alma, que desabrocha
Alegre, cândida e pura —
Nesta contínua ventura
É toda um hino: — esperança!

Depois... na quadra ditosa,
Nos dias da juventude,
Quando o peito é um alaúde,
E que a fronte tem calor:
A alma que então se expande
Ardente, fogosa e bela —
Idolatrando a donzela
Soletra em trovas: — amor!

Mas quando a crença se esgota
Na taça dos desenganos,
E o lento correr dos anos
Envenena a mocidade;
Então a alma cansada
Dos belos sonhos despida,
Chorando a passada vida —
Só tem um canto: — saudade!


QUE É - SIMPATIA

Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'agosto
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é quase amor!


MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem, mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
—Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

....

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

NOTAS PEQUENAS: UMA PRAGA NA IMPRENSA

Croniquetas

por Enzo Carlo Barrocco




E uma praga se instalou em diversos meios de comunicação de nosso país: a indigesta junção dos verbos ir e estar em frases de facílima construção sintática. “Vamos estar fazendo”, “vamos estar ligando”, “vamos estar facilitando” etc, etc. Nascida nas mesas dos operadores de telemarketing, a coisa migrou para a imprensa (principalmente para o rádio e a televisão) atingindo a população em geral, contaminando, também, o pessoal com nível escolar universitário. Meu Deus! Já não basta o uso equivocado da palavra pleno! O mais absurdo é ouvir certos jornalistas, que deveriam ser os primeiros a respeitar o idioma, usando de forma danosa expressões que poderiam ser definitivamente banidas da imprensa, principalmente.

JACKSON DO PANDEIRO E A MÚSICA NO JIRAU

Resenha

por Enzo Carlo Barrocco






Título: Jackson do Pandeiro – Sua Majestade O Rei do Ritmo
Intérprete: Jackson do Pandeiro
Gravadora: Bervely - 1954

Quando chegou ao Rio de janeiro em 1954, juntamente com a sua parceira e esposa Almira Castilho, Jackson do Pandeiro (Alagoa Grande 1919 – Brasília 1962) já era famoso na região Nordeste, principalmente nos estados da Paraíba (sua terra natal) e Pernambuco, onde se apresentava na Rádio Jornal do Comércio de Recife. Essa viagem aconteceu devido ao dinheiro arrecadado com um compacto gravado anteriormente. E foi nesse ano que Jackson, na então Capital Federal, gravou seu primeiro grande trabalho. “Jackson do Pandeiro – Sua Majestade o Rei do Ritmo” traz sucessos antológicos como “Sebastiana”, estrondoso sucesso no Norte e Nordeste do país. Jackson, dono do um recurso vocal único, levou toda a riqueza dos cantadores das feiras livres das cidades nordestinas para a indústria musical do Brasil. Cultuado por grandes nomes da MPB hoje, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Alceu Valença, Elba Ramalho, entre outros, aqui e acolá alguns dos grandes sucessos de Jackson vem à tona revisitados por esses grandes cantores. “Jackson do Pandeiro – Sua Majestade O Rei do Ritmo” traz clássicos como: Forró em Caruaru (Zé Dantas), Cabo Tenório (Rosil Cavalcante), O Canto da Ema (Alvertino Cavalcante – Aires Viana e João do Vale), Sebastiana (Rosil Cavalcante), Cremilda (Edgar Ferreira), Xote de Capacabana (Jackson do Pandeiro), A Mulher do Aníbal (Genival Macedo – N. de Paula), 1 X 1 (Edgar Ferreira), Coco Social (Rosil Cavalcante), Falsa Patroa (Geraldo Jacques – Isaías de Freitas), O Crime Não Compensa (Genival Macedo – Eleno Clemente). Que prazer ouvir Jackson do Pandeiro, a mais pura e cristalina música brasileira!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

PEQUENA CANÇÃO PARA MINHA MÃE


NOTAS PEQUENAS: XIMENES E SECCO: AS CHORONAS

Croniquetas

por Enzo Crlo Barrocco



Débora Secco e Mariana Ximines na festa de lançamento da novela
ao lado de outras atrizes globais

Aconteceu que as duas maiores choronas da televisão brasileira se encontraram em uma mesma novela. Mariana Ximenes (São Paulo 1981) e Débora Secco (Rio de Janeiro 1979) são tidas como as atrizes que mais choram em cena, haja vista as personagens sofridas que costumam interpretar. “A Favorita”, atual novela global é um rio caudaloso de lágrimas pelos olhos dessas duas excelentes atrizes da chamada nova geração da teledramaturgia brasileira. Espere, pois Lara (Ximenes) e Maria do Céu (Secco) ainda vão chorar muuuiiitttooo.

JIRAU DIVERSO
Nº 28– junho..2008
por Enzo Carlo Barrocco


A POESIA SUL-MATO-GROSSENSE DE GERALDO RAMON PEREIRA

O POEMA

VERSO E REVERSO

Luz de Deus ou felicidade pura
- Como pura é a candura do meu verso -
Foi encontrar-te, ó santa criatura,
Na textura complexa do Universo!

Procurei-te, amor, como quem procura
Na moeda da vida o seu reverso...
E no meu ser cinzelaste uma escultura
Em que, se Deus é frente, és tu o verso!

Pois me trouxeste tão sublime afeto,
Que eu, já do amor descrente e vil ateu,
Reencontro o amor em ti e tão completo,

Que eis-me não mais desiludido e triste:
O mesmo amor que em ti me reviveu,
Me fez de novo crer que Deus existe!

O POETA

Geraldo Ramon Pereira, sul-mato-grossense de Maracaju, poeta, contista, cronista, romancista e compositor, no convés da fragata desde 1939, é um ativista cultural que percorre vários caminhos literários, inclusive as trilhas da música. Sua obra escrita inclui alguns livros de poesias, um romance e um livro de contos e crônicas. Geraldo é ocupante da cadeira n° 39 da Academia Sul-mato-grossense de Letras. No meio musical, já que também é violeiro, Geraldo é conhecido como “Gê da Viola”.
ESTANTE DE ACRÍLICO
Livros Sugestionáveis

Chão D´Água (poesias)
Autor: José Ildone
Edição: Cultural Cejup
A poética Amazônica nos versos deste livro mostra a densidade dos textos de Ildone. “Chão D´Água” é a alma do povo da região do salgado paraense.

Convite ao Desespero (Romance)
Autor: Esdras do Nascimento
Edição: Multimais Editorial
A tragédia nordestina da miséria e da fome, agora sob o olhar perspicaz de um piauiense que mais do que ninguém convive com este lamentável drama.

Uma Mulher Não Chora (Romance)
Autora: Rita Ferro
Edição: Editora Lacerda
Todas as situações por quais passa uma mulher de meia-idade. Problemas que vão aparecendo e cotidianamente sendo enfrentados. O romance português por Rita Ferro.
***
A FRASE DI/VERSA
Quanto mais se é feliz, menos se presta atenção à felicidade.
- Alberto Moravia (Roma 1907 – Idem 1990) poeta, contista, novelista e romancista italiano


DA LAVRA MINHA


quinta-feira, 31 de julho de 2008

NEIDE ARCHANJO: A ATIVISTA CULTURAL


NEIDE ARCHANJO
(São Paulo 1940)
Poeta paulista

Fragmento

no que sonho ou cavo
no que me falha ou cinde
existe um brilho
que não alcanço.
Ainda.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

REVÔO DE BEIJA-FLORES - MICROTROVAS - REVÔO Nº 03

A MINHA MÃE
Branca
alma,
calma,
franca.


TELA DE MONET
Flores,
loucas
bocas:
cores.


MICROTROVA PARA A PRÓXIMA AMANTE
Negra
Neusa;
deusa
grega.


BRAGANÇA
Eu: a
ju
ru
teua.


CASAMENTO
Caso, a-
caso
caso: a-
traso.

LAVRA

Trago aqui
uns poemas ordinários
no recôncavo das mãos,
visto a dificuldade da empreita,
sobretudo as insípidas palavras

E nos brancos eitos da minha lavoura,
sintáticos arados,
uns papéis escritos ontem,
poderás, sob estes sóis vocálicos,
colhê-los acaso depará-los.

CAJUÚNA

ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...