sexta-feira, 6 de março de 2009

HAI-KAIS - 13° Terceto


Enzo Carlo Barrocco


Chuva rápida,
o sol voltou mais forte -
incenso da terra.

#

Sombras nos caminhos,
o sol se esconde entre as árvores -
quatro bem-te-vis.

#

Roupas na cerca,
clara manhã de janeiro.
A lavadeira canta.

PEROLAS DE CARANANDUBA - CANTO Nº 06


Enzo Carlo Barrocco


E-MAIL

Este caminho nos veio
belo, claro, virtual,
a luz incondicional
da garganta do e-mail.


ROSALICE

Rosalice (moça linda
ama alguém; de mim distante,
sem reclamos, obstante,
Rosalice eu ame ainda.


SONHOS

- Qual sonho tens mais sonhado?
- Por favor, meu caro, diga!
- Nenhum, pois o que me intriga
são os que tenho acordado.


UMA TAÇA DE VENENO

Meu amor era tão pouco,
meu amor não era pleno,
uma taça de veneno
receitada por um louco.


A LUA AZUL

Eu agora, claro vejo,
no teu corpo, rubro eito,
no limbo mar do teu peito,
a lua azul do desejo.


segunda-feira, 2 de março de 2009

O DIÁRIO DOS PENSADORES - PÁGINA 36


Se os líderes lessem poesia, seriam mais sábios.

- Octávio Paz (Cidade do México 1914 – Idem 1998) poeta,

contista e ensaísta mexicano


Nossos amigos nos mostram o que podemos fazer; nossos inimigos

nos ensinam o que precisamos fazer.

- Goethe (Frankfurt 1749 – Weimar 1832) poeta, dramaturgo, ensaísta e romancista alemão


As dores do amor são tantas quanto as conchinhas da praia.

- Ovídio (Sulmona 43 a C. – Tomi, atual Constanta, Romênia 17 a C.) poeta romano


A entrada, em momento oportuno, vale por meia vitória.

- Coelho Neto (Caxias 1864 – Rio de Janeiro 1934) romancista, contista, novelista e poeta maranhense


Memória foi feita para esquecer.

- Friedrich Nietzsche (Röcken 1844 – Weimar 1900) filósofo alemão


A terra fez do homem o seu castigo.

- Pablo Neruda (Parral 1904 – Santiago 1973) poeta chileno


Enganam-se os que imaginam possível levantar uma nação rica e poderosa sobre os ombros de um povo explorado, doente, marginalizado e triste.

- Tancredo Neves (São João Del Rei 1910 – São Paulo 1985) político mineiro e ex-presidente da República


Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos.

- Anaïs Nin (Paris 1903 – Los Angeles, EUA 1977) novelista francesa


Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro.

- Juscelino Kubitschek (Diamantina 1902 – Em um acidente de carro em Resende, RJ 1976) político mineiro, ex-presidente da República


O que é a violência senão a razão dos desesperados.

- Jose Ortega y Gasset (Madrid 1883 – Idem 1975) filósofo e humanista espanhol


Existem coisas que só os intelectuais são loucos de acreditar.

- George Orwell (Nova Delhi 1903 – Londres 1950) romancista e ensaísta inglês nascido na Índia


Quem acende uma luz é o primeiro a beneficiar-se da claridade.

- Gilbert Keith Chesterton (Londres 1874 – Idem 1936) romancista e ensaísta inglês




A TENDA DOS BLOGUEIROS - eraOdito


carnavAIS

a bAterIa da escola na AvenIda a bunda do pAssIsta da mAdrInha da porta-bAndeIra a coisa mAIs linda na prAIa nas lAdeIras de olinda de minas gerAIs nas prAcInhas coloniAIs do recife nas orlas cArIocas nos bAIles gays nos salões tradicionAIs nos camarotes federAIs estaduAIs municipAIs nos ensAIos AssIm na tv para o brAsIl todo ver essa AlegrIa dos negros da bAhIa enquanto eu bato umAzInha em paz e por hoje é só meu amor e fUI e AI e só não vAI quem já gozou e eta danado e volto AquI só no dia dois de março e viva a putArIa e marAvIlha e beijos nessa bundinha do papAI e aquelabraço e valeu e té mAIs



do blog do Marcelino Freire



http://www.eraodito.blogspot.com/



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

OS VENTOS DO RIO GRANDE – A RUA DA POESIA


Resenha


por Enzo Carlo Barrocco







Mario Quintana só publicou seu primeiro livro de poemas em 1940, quando já contava 34 anos, daí a poesia amadurecida, pronta e completa do livro “A Rua dos Cataventos” (Editora Globo, 1998, 122 páginas). Composto de 35 sonetos, o livro vai na contramão do propósito dos modernistas que queriam impor uma nova ordem na poesia brasileira a partir de 1922. A excelente repercussão do livro levaram alguns dos poemas a figurarem em manuais escolares, antologias e livros didáticos. Quintana é de um lirismo encantador e a sua métrica, ritmo e rimas são levados a mais pura forma. Todos os assuntos são, sem descriminação, abordados pelo poeta; desde a infância, o cotidiano, o inusitado, as paisagens, o amor, sempre dosados entre a ironia (quase que imperceptível), a melancolia e o humor – constante em seus poemas. Em “A Rua dos Cataventos” o poeta procura o seu próprio caminho, a sua própria identidade, não se importando com rótulos, modismos ou outras amarras literárias. Quintana é, simplesmente, o poeta que se compromete, apenas com ele próprio e a poesia. Nesse primeiro livro, Quintana se mostra um poeta puramente urbano, e essa característica é comprovada nos seus trabalhos posteriores. Portanto, “A Rua dos Cataventos” trouxe para a poesia brasileira a beleza, o humor, o lirismo deste poeta gaúcho que tudo fez para colocar a poesia brasileira no mais alto nível.


***


UM SONETO DO LIVRO “A RUA DOS CATAVENTOS”

SONETO - X


Eu faço versos como os saltimbancos
Desconjuntam os ossos doloridos.
A entrada é livre para os conhecidos...
Sentai, Amadas, nos primeiros bancos!

Vão começar as convulsões e arrancos
Sobre os velhos tapetes estendidos...
Olhai o coração que entre gemidos
Giro na ponta dos meus dedos brancos!

"Meu Deus! Mas tu não tu não mudas o programa!"
Protesta a clara voz das Bem-Amadas.
"Que tédio!" o coro dos Amigos clama.

"Mas que vos dar de novo e de imprevisto?"
Digo... e retorço as pobres mãos cansadas:
"Eu sei chorar... eu sei sofrer... Só isto!"



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - IDEÁLIA


UNI VERSO


psyche opening the golden box by John William Waterhouse


Todos os poemas de amor são iguais
todas as cartas de cobrança se parecem
todas as dores, embora diversas,
quando reclamadas, são sempre a mesma.

O ser humano existe apenas em espelho
Onde
a alma perde seus contornos,
É raro o sentimento vestir roupa nova,
sob medida e a gosto de quem o experimenta.

Somos únicos e ainda não sabemos,
ou repetimos uma mesma história
sem perceber que o texto ancestral,
derruba-se sobre cada um que nasce
tornando-o cúmplice de uma humanidade
tediosa e amarga,
incapaz de aprender

e reinventar-se.

Escrito em 05-02-2009


DO BLOGUE DA ÂNGELA TERRA

http://idealiapolaris.blogspot.com/


ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...