quarta-feira, 15 de julho de 2009
segunda-feira, 13 de julho de 2009
DA LAVRA POÉTICA DE ABGAR RENAULT
NA RUA FEIA
Abgar Renault
(Barbacena 1901 - Rio de Janeiro 1995)
Na rua feia,
de casas pobres,
morreu o filhinho daquela mulher
que lava o linho rico
de um bairro distante.
Morreu bem simplesmente,
assim como um passarinho.
O enterro saiu...lá vai...
um caixãozinho azul
num carro velho de 3a. classe.
Atrás dois autos. Dois.
A tarde irá pôr luto
na rua feia,
de casas pobres?
Garotos brincam de esconder
atrás do muro de cartazes.
Lá no alto
vai-se abrindo grande céu sem mancha
cruzeiro-do-sulmente iluminado.
A FENDA
Miniconto
Enzo Carlo Barrocco
Antônio reparou quando a viúva Costa, furtivamente, entrou nos aposentos do padre Bruno. Será que o padre estava lá? Lembrou da fenda no forro de madeira que dava para o quarto do pároco. Ah, não! – pensou – vou ver o que ela foi fazer lá! O sacristão subiu pela escada da sala e foi para o quarto da fenda, justamente sobre o cômodo do pároco. Antônio achou a cena grotesca. A viúva, sentado em uma das pernas do padre, o beijava desesperadamente. Um segundo à frente o padre abriu a batina e pôs o seu sexo à mostra. A viúva o agarrou delicadamente, acariciando-o, ao mesmo tempo em que entreabria a perna colocando o seu sexo também à mostra, já que, naquele momento, não usava calcinha. Antônio não suportou ver o resto da cena. Impossível imaginar o respeitabilíssimo padre Bruno naquela situação. Antônio, nessa mesma tarde, pediu dispensa da função.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
A AGUÇADA POESIA DE WILMAR SILVA
DESPEDIDAS
Enzo Carlo Barrocco

Eram 6 e 30 e, embora a manhã estivesse claríssima para Regian era uma manhã muito triste. Ao longe o ruído conhecido do velho ônibus de todos os dias, exceto aos domingos, que levaria para a cidade, depois de 20 dias, a prima Odila. Apaixonou-se pela prima de 14 anos, olhos grandes e pretos, cabelos longos e tez parda. Não teve a devida coragem de interpelá-la quando, por vezes, existia a possibilidade. O ônibus parou entre as duas casas do lugar, abriu a porta dianteira e esperou. Regian, por trás de uns velhos coqueiros observava as despedidas; sentiu um aperto, mas o que fazer? O coletivo, empoeirado da estrada, desapareceu por trás do mato.
COMO FLAGREI SONINHA SE MASTURBANDO
Miniconto
Enzo Carlo Barrocco

- Fala de novo como foi que aconteceu?
- Mas eu já contei três vezes!
Marionaldo insistia par que eu contasse novamente como flagrei Soninha se masturbando no caminho do Pequiá.
- “Égua do cara insistente!!”. Tá bom eu conto! Pô, mas é só essa vez!
Foi assim:
- Eu tinha ido à vivenda dos Brito devolver um arco-de-pua que eu tinha emprestado do Nenzinho quando no retorno, às proximidades da Curva do Ipê, avistei Soninha. Apressadamente me escondi para dentro do mato para fazer uma espécie de brincadeira com ela, já que nos conhecíamos há tempos e eu, sem nenhuma maldade, achava que aquilo não iria causar a ela nenhum tipo de dano. O curioso é que antes de chegar onde eu estava escondido, Soninha entrou numa vereda do outro lado da estrada de terra deixando-me frustrado quanto à brincadeira que iria fazer. Mas por que ela entrou no mato? Atravessei a estrada me escondendo pelas touceiras de sororoca e vislumbrei Soninha se agachando ao lado de um tronco caído. Aproximei-me um pouco tomando cuidado para não fazer ruído nas folhas secas e, evidentemente, não ser percebido. Estranhei, pois ela estava com a calcinha nas mãos. Se fosse fazer xixi, pensei, deixaria a calcinha pelos joelhos. Ajeitou-se na direção para onde eu estava. Entreabria as pernas e olhava, olhava e entreabria as pernas novamente. A essa altura eu já estava louco. De repente, Soninha começou a esfregar os dedos por cima da racha. Já havia largado a calcinha e os pêlos estavam cortados rentes. Com a mão esquerda abria os grandes lábios para um dos lados e com os dedos da mão direita esfregava sofregamente o clitóris. Aqui e acolá apertava os bicos dos seios, parava um pouco, tomava fôlego e continuava, fazendo uma expressão de quem vai chegar ao orgasmo. Pensei surpreendê-la, mas sem saber a reação dela, desisti, pois não queria perder aquele belíssimo espetáculo Eu estava ali, escondido pelas touceiras de sororocas assistindo tudo gratuitamente. Nesse momento, com os dedos lambuzados, Soninha os enfiava na vagina, fazendo o conhecido movimento de vai-e-vem. Por fim, voltou a esfregar os dedos no grelo róseo e carnudo completamente encharcado pelo húmus vaginal. Por vezes os esfregava no ânus. Quando chegou ao orgasmo se vergou para trás apoiando-se com as costas no tronco caído. Que cara linda ela fez quando estava no auge do gozo! Como estava, vestiu rapidamente a calcinha, se ajeitou e apressou o passo. Fiquei ali por alguns minutos, quase sem forças para me levantar, pois eu não resisti à cena e, como Soninha, também “fiz justiça com as próprias mãos”.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
A TENDA DOS BLOGUEIROS - MICRORELATOS DO CHEEKO
451. males que vem pro bem
DO BLOG DO CHICO PASCOAL
http://microrelatosdocheeko.blogspot.com/
sexta-feira, 3 de julho de 2009
O DIÁRIO DOS PENSADOREDS - PÁGINA 39
O mais bonito nos homens viris é algo feminino; o mais bonito nas mulheres femininas é algo masculino.
- Susan Sontag (Nova York 1933 – Idem 2004) contista, novelista e ensaísta americana
Temos sociólogos bons e medíocres. Uns acabam professores; outros, presidentes da República.
- Herbert José de Souza, o Betinho (Bocaiúva 1935 – Rio de Janeiro 1997) sociólogo e ativista político mineiro
Sonho com sinceridade e amor. A paixão importa menos do que a harmonia.
- Lady Di (Norfolk 1961 – Em um acidente automobilístico em Paris, França 1997) princesa inglesa
A paixão sem a razão é cega, a razão sem a paixão é inativa.
- Benedictus Spinoza (Amsterdã 1632 – Haia 1677) filósofo holandês
Ninguém pode ser totalmente livre, enquanto não forem todos livres.
- Herbert Spencer (Derby 1820 - Brighton 1903) filósofo e sociólogo inglês
O escritor é o técnico da alma humana.
- Joseph Stalin (Gori, Geórgia 1879 – Moscou 1953) político georgiano
Um marido é apenas um amante com a barba de dois dias, um colarinho sujo e queixando-se o tempo todo de enxaqueca.
- Glória Steinem (Toledo 1934) militante política, jornalista, feminista e ensaísta americana
A aparência é uma injustiça.
- Henry Stendhal (Grenoble 1783 – Paris 1842) romancista francês
Aqueles que corrompem a opinião pública são tão funestos como aqueles que roubam as finanças públicas.
- Adlai Stevenson (Los Angeles 1900 – Idem 1965) político americano
O riso é o mais inocente de todos os diuréticos.
- Jonathan Swift (Dublin 1667 – Idem 1745) poeta e romancista irlandês
E certa idade, quer pela astúcia, quer pelo amor-próprio, as coisas que mais desejamos são as que fingimos não desejar.
- Marcel Proust (Paris 1871 – Idem 1922) romancista francês
As três melhores coisas da vida são: um uísque antes e um cigarro depois
- Elizabeth Taylor (Londres 1932) atriz inglesa
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O SEGREDO DE EURÍDICE
Enzo Carlo Barrocco

Veio um homem e disse algo no ouvido da viúva chorosa. Eu, Celito e Marcílio não conseguimos discernir o que o homem dissera. Percebemos, entretanto, que a viúva esboçou um sorriso. Sabíamos, em caráter oficioso, que Eurídice traía, amiúde, nosso distraído amigo. Daquele momento em diante passamos a desconfiar do homem de óculos de grau e jaqueta jeans que se aproximou de Eurídice ainda há pouco. Quando levantaram o caixão para pô-lo no carro fúnebre o homem do sussurro pegou em uma das alças e, nesse momento, apenas eu percebi que Eurídice com o rosto voltado para o homem, abrira um discreto e gracioso sorriso. Eu, que não tinha nada a ver com isso, não comentei com ninguém. Em vista disso, que prossiga o enterro!
ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE
Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...
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O POEMA... DEPOIS DA HECATOMBE Quando a torpe insensatez humana Varrer da terra toda a humanidade, Por entre as cinzas da radioatividade,...


