quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LINHA CURVA



Enzo Carlo Barrocco



Na contracosta da página
voa um pássaro;
             pássaro ázigo
perdido de outras
páginas.

Pousa, enfim, à linha
curva o pássaro
à tarde cris;
cinza lua
e fecha o livro
e fim.


DALCÍDIO, SÓFOCLES E D'ÁVILA NA ESTANTE VIRTUAL




Passagem dos Inocentes (Romance)
Autor: Dalcídio Jurandir
Edição: Falângola Editora
Belém, adjacências e Muaná, no Marajó; atritos e conflitos de toda espécie de gente. O povo amazônico, os igapós, os igarapés, os aguapés, as igarités...

***
Édipo Rei (Peça Teatral)
Autor: Sófocles
Edição: Editora América do Sul Ltd.
O oráculo anunciava que Édipo mataria o seu pai e se casaria com sua própria mãe Jocasta. Um clássico escrito há mais ou menos 2.500 anos.

***

Poesias Completas em Prosa e Verso
Autor: Ângelo D’Ávila
Edição: LGE Ltda.
Este livro de 659 páginas é o resultado de toda a lavra poética de Ângelo. São 20 livros reunidos em apenas um. Sonetos, poemas livres, trovas, hai-kais. Ângelo D´Ávila em meio século de poesias.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

LUAS DE AJURUTEUA - CANTO Nº 10



Enzo Carlo Barrocco

FINAL DE UM LINDO DIA

Pousa uma garça ligeira
No topo da galharia,
O mangal empardecendo,
Final de um lindo dia.


PERFUME DE MUITAS ROSAS

Assim como a lua cheia
Nasce nas noites morosas,
Surges bela pela porta;
Perfume de muitas rosas.


CAMINHOS LARGOS

Não abandona tua fé
Embora tenhas sofrido;
Evite os caminhos largos
Podem ter cacos de vidro.


SOMOS O QUE NÃO PARECEMOS

Dentro de cada vivente
Uma fera se agiganta
E pode a qualquer momento
Saltar na tua garganta.


FOGO ETERNO

Esta trova tão malfeita
Não deixa verdade alguma;
Quem sabe no fogo eterno
O trovador se consuma. 


A POESIA CATARINENSE DE HUGO MUND JÚNIOR




A POEMA

VÊNUS TARDIA

Pérfido, aquece o verão esta chama,
extrema euforia sustentada por Vênus,
fábula que aflige a carne madura.

Derrota o sol a excessiva indulgência
do coração afogado na embriaguez
que não quer saber do seu outono.

Na duração da incógnita, o enjôo do fruto.
Este é o lugar da víbora e da pomba,
risco de insulto no irrevogável impulso.


O POETA



Hugo Mund Júnior, catarinense de Mafra, poeta e artista plástico, no convés da fragata desde 1933, eleva significativamente o nível da poesia catarinense com seus textos compactos. O poeta lança mão de sua condição de artista plástico para criar a chamada poesia visual, um gênero que só se arrisca a fazer quem realmente tem capacidade técnica e intelectual. Não percamos de vista esse maravilhoso poeta.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

FLORES DE TRACUATEUA – CANTO Nº 10

Enzo Carlo Barrocco


OUTRAS NAVEGAÇÕES
O céu não pertence às aves
Há outras navegações,
O céu diz respeito às naves,
Helicópteros, aviões.

A TARDE DO ITUQUARA 
Uma sombra de mangueira,
A tarde corre tranqüila,
A rede espreguiçadeira -
Nenhum rumor pela vila.

O HOMEM PETRIFICADO
Pensativo e sem resposta
Lauro Sodré, em São Braz:
Como uma moça de costa
Subiu na coluna atrás?

CREPÚSCULO
Um sol púrpuro mergulha
Num horizonte magento,
O clarão de uma  fagulha,
Nuvens a sotavento.

A MORTE DO ALCOÓLATRA
Nonato morreu sozinho
Num casebre à invasão,
O alcoolismo é um caminho
Sem retorno e sem perdão.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

SOLIDÃO DE TUDO

Enzo Carlo Barrocco


O dia pardo pousa
sobre as coisas;
tudo embuçado
à procura de luz.

Um barco no aclive
da manhã
desliza moroso
pelo lombo do tempo.

O mar, a praia,
beijos, beijos...
Solidão de tudo
na manhã cinzenta.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A LANTERNA DOS LUMIÈRE: NANINI SOB UM DOMÍNIO SEVERO

O SOL CAUSTICANTE DA COLÔNIA



















Filme: Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, Comédia, Brasil, 1995 – 1h40. Direção: Carla Camurati. Com: Marieta Severo, Marco Nanini, Ludmila Dayer, Brent Heatt, Maria Fernanda, Marco Palmeira, Eliana Fonseca, Antônio Abujamra, Ney Latorraca, Norton Nascimento.


É bem provável que Camurati tenha “carregado na tinta”, visto a personalidade imposta à D. Carlota Joaquina (Severo) seja bastante forte. Mesmo assim o filme tem um excelente resultado com um bom roteiro e bons figurinos. Nanini empresta a um D. João VI, mandrião e subserviente, o seu talento apurado. Para escapar das tropas Napoleônicas a Família Real transfere-se para o Brasil, onde vive um exílio de 13 anos. O casal real, já em permanentes conflitos, aumenta consideravelmente a sua desigualdade com a chegada à colônia. Valeu a tenacidade de Camurati para realizar este filme.




quinta-feira, 21 de julho de 2011

POUCO FAÇO O QUE DE MIM SE APARTA

Enzo Carlo Barrocco


Pouco faço o que de mim se aparta,
córregos se arrastando entre as pedras;
rente as grotas um céu profundo
desaparece por trás do seu próprio contorno.

Configuram-se no horizonte graves formatos
sobrevindo uma luz baça sobre os campos.
uma cortina d’água se precipita no vácuo,
o tempo se contorce entre lamentos.

melhor seria toda a claridade
de um sol de meio-dia sobre as paisagens
que se alongam e se perdem para sempre.

Relembro que já fui pastor de estrelas
tangendo ovelhas de luz num campo vasto
cuja imensidão desconhecia
.
 


sexta-feira, 8 de julho de 2011

EVANDRO DO BANDOLIM E A MÚSICA NO JIRAU

CD: Evandro do Bandolim e Seu Regional Interpretam 24 sucessos
Intérprete: Evandro do Bandolim
Gravadora: Brasis (1997)



A gravadora Brasis, numa justíssima homenagem, reuniu neste CD, 24 músicas magistralmente interpretadas por Josevandro Pires Carvalho, o Evandro do Bandolim (João Pessoa, PB 1932  - São Paulo 1994). São dezenove compositores famosíssimos do mundo do choro reunidos nas cordas do bandolim de Evandro. De Garoto a Ernesto Nazareth, de Sivuca a João Pernambuco, passando por Zequinha de Abreu, Abel Ferreira, Pixinguinha, entre outros. O amante do chorinho, a legítima música brasileira, precisa deste CD em sua coleção. Odeon (Ernesto Nazareth), Chorando Baixinho (Abel Ferreira), Flamengo (Bonfiglio de Oliveira), Bem-te-vi Atrevido (Lina Pesce), Carinhoso (Pixinguinha), Na Glória (Raul de Barros), Sons de Carrilhões (João Pernambuco), André de Sapato Novo (André Victor Correa) Elegante (Evandro/Ventura Ramirez), são algumas das preciosidades deste CD. Experimente o mágico bandolim do paraibano Josevandro Pires Carvalho. 


quinta-feira, 7 de julho de 2011

PÉROLAS DE CARANANDUBA - CANTO Nº 10

 

Enzo Carlo Barrocco


AURORA
Surge a aurora, terna imagem,
vem nascendo um lindo dia,
um sol indolente espia,
a luz decora a paisagem.

SALÁRIO MÍNIMO
A grana não deixa rastro,
não chega no fim do mês.
Como dá pra ser cortês
com um problema desse lastro?

SÚBITO, A VELHICE.

“O tempo tem seus poderes”
- um sábio vetusto disse -
num átimo chega a velhice
sem, ao menos, perceberes.

AVAREZA
Não há nada que nos valha
sermos mesquinhos. A faceta:
caixão não possui gaveta,
tampouco bolso, a mortalha.

SERTÃO DE DORES
O povo franco e honrado
tão facilmente se ilude;
o governo escava açude.
com o suor do flagelado.

ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...