quarta-feira, 30 de outubro de 2013
terça-feira, 29 de outubro de 2013
CONSIDERAÇAÇÕES SOBRE UMA BREVE MANHÃ
Enzo Carlo Barrocco
Em
toda a extensão do dia
as
paisagens se abrem
intocadas;
num
tempo parado
nenhuma
fuga
pelas
largas estradas de luz.
O
sol caminha
entre
um zodíaco aparente.
A
manhã entrega
para
a tarde
uma
chuva
que
se arma sobre o mar.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
COM BLOTA JÚNIOR POR OUTROS CAMPOS DE TRIGO
por Enzo Carlo Barrocco
José
Blota Júnior (Ribeirão Bonito 1920 – São Paulo 1999), advogado, locutor, apresentador e
produtor de televisão, primeiramente tentou entrar para o rádio, mas foi
reprovado por cinco vezes, até ser aceito na Rádio Cosmo, hoje Rádio América. Depois
disso rodou por algumas rádios até chegar na Record, tendo trabalhado desde
comentarista esportivo até diretor da emissora sendo, também, locutor da
"Voz da América"da NBC de Nova York. Quando da inauguração em 1953,
da TV Record, apresentou o show inaugural junto com sua mulher Sonia Ribeiro.
Foi também Diretor Superintendente da Radio Pan-Americana (Jovem Pan) e Vice
Presidente da fábrica de bicicletas Caloi.Portanto um homem de um ecletismo
fabuloso. Na carreira política foi deputado estadual por São Paulo por três
legislaturas e deputado federal de 1975 a 1979. Na Bandeirantes, Blota Júnior e
sua esposa, a radialista Sonia Ribeiro, eram os apresentadores oficiais do Troféu
Roquette Pinto (do qual foi criador), "Show do
Dia 7" e "Festivais da Música Popular Brasileira" (1966-1971),
na TV Record, atual Rede Record. Trabalhou também na copa do Mundo de
1974, na Alemanha e nos Jogos Olímpicos de 1988, na Coreia do Sul, como o
narrador esportivo. Na Bandeirantes, apresentou também, o "Programa Blota
Júnior" e comandou o "Fogo Cruzado", programa de debates
políticos. Um de seus últimos trabalhos na TV foi no programa "Gente que
Brilha", exibido pelo SBT até 1997. A televisão brasileira deve muito a
Blota Júnior, um verdadeiro ícone da TV nos
anos de 1960 e 1970 dando uma enorme contribuição para esse veículo de
comunicação no Brasil.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
LINHAS BARROQUIANAS - POEMAS DE UM VERSO SÓ- Nº 5
Enzo Carlo Barrocco
UM VERME
Falas em grandeza, mas tens a alma pequena!
A VIOLÊNCIA GRASSA
O que te digo não te livrará do perigo.
EVOCAÇÃO
A luz evoca o dia. Um diamante... um diamante...
SINFONIA
Todas as cigarras no verão. Sinfonia exasperável.
A REVOLUÇÃO ROSA-CHOQUE
As mulheres armadas; alarmadas; desalmadas; mal-amadas.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
PARA NÃO ESQUECER QUE TE ESQUECI
Enzo Carlo Barrocco
Procuro tuas mãos entre os refolhos
da saudade que me restou, branca,
o gume inox da lembrança arranca
do meu peito fragmentos vários.
A rua nem me causa mais espanto,
já nem me causa medo teu desejo,
ando muito só, eis que hoje vejo
tua boca assombrando meu caminho.
Entretanto paro sobre as vigas
deste sonho que se foi na espuma,
mais à frente avisto vasta bruma
do que me restou tua meiguice;
a nesga de luz que em mim se oculta
mais e mais tua lembrança avulta.
Procuro tuas mãos entre os refolhos
da saudade que me restou, branca,
o gume inox da lembrança arranca
do meu peito fragmentos vários.
A rua nem me causa mais espanto,
já nem me causa medo teu desejo,
ando muito só, eis que hoje vejo
tua boca assombrando meu caminho.
Entretanto paro sobre as vigas
deste sonho que se foi na espuma,
mais à frente avisto vasta bruma
do que me restou tua meiguice;
a nesga de luz que em mim se oculta
mais e mais tua lembrança avulta.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
JORGE DE LIMA: O POEMA E O POETA
O POEMA...
A mão enorme
Dentro da noite, da tempestade,
a nau misteriosa lá vai.
o tempo passa, a maré cresce,
o vento uiva.
A nau misteriosa lá vai.
Acima dela
que mão é essa maior que o mar?
Mão de piloto?
Mão de quem é?
A nau mergulha,
o mar é escuro,
o tempo passa.
Acima da nau
a mão enorme
sangrando está.
A nau lá vai.
O mar transborda,
as terras somem,
caem estrelas.
A nau lá vai.
acima dela
a mão eterna
lá está.
...E O POETA
Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares 1893 — Rio de Janeiro 1953) poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor, político e médico alagoano, começou na vida literária, inicialmente, como autor de versos alexandrinos, depois é que se transformou em um modernista. Os textos de Jorge de Lima abrigam inumeráveis possibilidades de leitura, fazendo dele um autor em constante mutação. O poeta foi recusado por seis vezes à Academia Brasileira de Letras. Em 1939 o poeta passou a se dedicar, também, às artes plásticas participando de algumas exposições. Experimentemos Jorge de Lima, um dos mais criativos escritores brasileiros.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
NÃO RENUNCIA A TUA DOR
Enzo Carlo Barrocco
Sob
a dor a denúncia -
a
palavra dita – renúncia,
o
que a alma aceita,
a
seita, o verbo, a canção...
Cava
o silêncio
a
sua enorme simplicidade,
feito
um facho de luz
sobre
o assoalho.
A
palavra dita – renúncia;
não
renuncia a tua dor.
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