quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A POESIA ARGELINA DE RACHID BOUDJEDRA



O POEMA...


OS CORVOS

Nas ruas de Argel
Os corvos têm pinta de paraquedistas
Minhas armas pegajosas
Vomitam sobre as paredes brancas.
O Qasba
sangue amarelo
Nos jardins do meu bairro
Almond continua o ódio
O céu está cheio de névoa sórdida
E tem o rosto de um carrasco
Nas vielas de Constantine
As mulheres andam rápido
E suportam nas orelhas
Eletrodos cinzas.

Tradução para o espanhol por Myriam Montoya a partir da tradução francesa de Antoine Moussalli
Tradução do Espanhol por Guilhermo Favaro Pez


...E O POETA

 








Rachid Boudjedra, argelino de Ain-Belda, poeta, novelista, ensaísta, educador, cineasta e roteirista, no convés da fragata desde 1939, é um dos mais renomados  escritores argelinos  da atualidade. Sua obra já foi traduzida para mais de 30 idiomas e sua mais famosa novela “O Repúdio”, de 1972, foi proibida na Argélia por 14 anos. Rachid é um notável defensor dos direitos humanos e por isso já foi perseguido politicamente em seu país. Um escritor criativo revelando  as mazelas e sua visão do mundo através de sua excelente obra literária.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

LAVRA LIBERTINA

Enzo Carlo Barrocco























O mar resvala a língua
sobre a areia,
cio permanente
entres os astros distraídos.

Alvorada e
crepúsculo se alternam
sobre a abóbada dessa alcova
ardente.

A areia em afável entrega,
e o mar com sua lúbrica 
língua salgada
segue em sua lavra libertina.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

PARA NÃO ESQUECER OS TEMPORAIS


Enzo Carlo Barrocco
 


O dia turvo me acomoda a alma
tudo é tão soturno, tão tristonho,
é possível a chuva e hoje ponho
no verso toda a sensatez e toda a calma.

Cai a chuva e o tempo enfadonho
pingo a pingo me ensopando a alma
põe-me à boca a prudência e a calma
por todo o tempo que tenho e disponho.

O tédio irremitente me aquieta
avoluma-se a chuva no telhado
e fico, desse modo, descansado

dentro de mim mesmo, rima e verso,
contudo temporais trago guardados
dentro dos meus olhos sossegados.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

A POESIA AMAPAENSE DE HERBERT EMANUEL



O POEMA...

SABORAÇÃO

olhar agora para estas peras
faz-me desejar comê-las
de outra forma:

salivar na boca
a palavra pera
deixar pingar um pouco
na página
depois recolhê-la
com um leve toque
dos dedos
antes de secar



...E O POETA













Herbert Emanuel, amapaense de Macapá, poeta e ensaísta, no convés da fragata desde 1963, aos treze anos mudou-se para Belém, onde residiu até 1998. Formado em filosofia pela UFPA, lecionou no antigo Núcleo da Universidade, em Macapá. Com a apresentação do poeta gaúcho Carlos Nejar lançou seu primeiro livro “Nada ou quase uma Arte”. Olga Savary viu em Herbert uma genuína verve poética  e o colocou na Antologia Poética Poesia do Grão-Pará,  em 2001.   Em 1998, lançou, em parceria com o artista plástico e mímico Jiddu Saldanha, Cartões Poéticos.  Em 2006 lançou o livro “Do Crepúsculo ao outro dia”, também em parceria Jiddu. Seus artigos  já foram publicados em inúmeros jornais sobre variados temas. Experimentemos a poesia nortista de Herbert Emanuel. 


terça-feira, 14 de julho de 2015

A LUZ ABSTRATA

Enzo Carlo Barrocco





















A luz se espalha abstrata
nas águas que vão embora
mas sei que não está na hora
não é disso que se trata.

O verso estão se converge
a um estágio distinto
porém, agora pressinto
que algo ruim o persegue.

Surge à margem do caminho
um sol de final de dia,
na paisagem tão prosaica

uma certa melancolia,
não perco a fé que carrego,
é ela a minha alegria.


ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...