quarta-feira, 11 de novembro de 2015

SENHORA DA BERLINDA

Enzo Carlo Barrocco




















Estas flores são para ti,

Senhora da Berlinda,
este povo, este sol,
esta manhã de domingo.

Todos os que se ocupam de promessas,
as crianças, os brinquedos,
estas ruas coloridas,
toda essa imensurável devoção.

Estes hinos, essas preces, anjos e arraial,
as fitas diversificadas
que te evocam, são para ti,
Senhora Imaculada.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

CLÁUDIO PTOLOMEU NA SEARA DOS NOTÁVEIS

por Enzo Carlo Barrocco




Claudius Ptolomaeus (Ptolemaida Hérmia 90 – Canopo 168) astrônomo, geógrafo e matemático grego, cuja obra principal é o “Almagesto”, onde defendia a tese do Geocentrismo, pertenceu à famosa Escola de Alexandria. O Geocentrismo era a teoria que colocava a Terra no centro do universo. Favorável ao obscurantismo religioso da idade Média o sistema foi amplamente defendido pela Igreja Católica, o que lhe garantiu uma sobrevivência por mais de 14 séculos. Galileu Galilei, no entanto, estudando o sistema heliocêntrico de Nicolau Copérnico provou o equívoco da teoria de Ptolomeu, fazendo com que a Igreja, algum tempo depois, revisse seu conceito quanto ao Geocentrismo. Na área da matemática Ptolomeu destacou-se por suas contribuições à trigonometria que lhe permitiram fazer da astronomia uma disciplina matemática e catalogar 1.022 estrelas. Em seu trabalho “Introdução à Geografia”, foi o primeiro a usar os termos ‘paralelo’ e ‘meridiano’. Embora o equívoco quanto a posição da Terra no sistema solar e no universo, que perdurou por quase 1500 anos, Claudio Ptolomeu foi um dos maiores sábios da antiguidade e que com equipamentos mais precisos, jamais imaginados no Século II, certamente, teria acertado na posição do nosso planeta.  O minucioso trabalho de catalogar mais de mil estrelas há vinte séculos é a prova contundente da genialidade de Ptolomeu.

HELVÉTIUS, NIETZSCHE E VAILLAVERT NO DIÁRIO DOS PENSADORES




terça-feira, 3 de novembro de 2015

A PAISAGEM CONSUMIDA

Enzo Carlo Barrocco





















As estradas se perdem
para ao sem fim do olhar;
a paisagem toda
consumida num único poema.

O verão proporciona esses dias secos,
áridos, parados.
Poeira e vegetação rala se misturam
à imagem.

Seria esta tarde inativa um sinal?
Seriam esses tempos o início
da hecatombe que se lança sobre nós?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

CAJU

Enzo Carlo Barrocco




















Que o caju acaso
caia
seja um caso calculado.
Castanha, paçoca e polpa.

Flor, inseto e pólen,
o poder
da floração
da estação, do êxtase.

O verão se arma
de colheita
e de cigarra,
de flora, flor e fruto. 
 




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

PAISAGEM DELINEADA

Enzo Carlo Barrocco


























Essas nuvens desenhadas
num azul feito a pincel,
floresta, carro e casebre
batendo as costas do céu.

Toda a luz que se dispersa
sobre a face do papel
emana de um sol onírico,
invisível carrossel.

A paisagem se acende,
deslumbrante fogaréu,
gravura delineada
por delicado cinzel.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

JACQUES PRÉVERT – O POEMA E O POETA




O POEMA...

O Meteoro

Pelas grades do bloco penitenciário
uma laranja
passa como um raio
e cai como uma pedra
dentro do sanitário.
E o prisioneiro
todo lambuzado de merda
resplandece
todo iluminado de alegria.
Ela não me esqueceu.
Ela pensa sempre em mim ainda.


Tradução: Adriano Scandolara.

...E O POETA.

















Jacques Prévert (Neuilly-sur-Seine 1900 – Omonville-la-Petit 1977), poeta francês, abandonou a escola aos 15 anos, sendo que tentou várias profissões antes de se dedicar à poesia, ao teatro e ao cinema. Prévert ficou famoso como roteirista do cineasta Marcel Carné. Por alguns anos esteve ligado aos surrealistas renovando, nesse estilo a velha tradição medieval da poesia oral. Suas canções-poemas reunidas em Paroles tiveram grande sucesso  entre os jovens pela sua carga de protesto, anticlericalismo e humor. Um escritor que não se dedicou apenas à poesia, tendo gravado seu nome nas artes em geral do século XX.


ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...