sexta-feira, 31 de agosto de 2007

OUTEIRO

RUY BARATA: A POESIA DO BAIXO-AMAZONAS


Ruy Barata
Santarém 1920 - São Paulo 1990
Poeta, compositor e político paraense

PRIMEIRO DE MAIO

Surja esse verso de maio,
trazido pelos arcanjos,
um verso que faça maio,
o maio dos desenganos,
e fel transforme em doçura,
rendilhando de ternura,
os meus fracassos humanos.

Um verso que me decifre,
nas horas de ansiedade,
que não sendo antologia,
seja a minha humanidade,
levando por onde for,
os meus suspiros de amor
e gritos de liberdade.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

JIRAU DOS CÉLEBRES: ROBERTO DINAMITE

por Enzo Carlo Barrocco

Roberto Dinamite: o artilheiro de São Januário
Carlos Roberto de Oliveira, o Roberto Dinamite, fluminense de Duque de Caxias, ex-jogador de futebol e atualmente político, no convés da fragata desde 1954, logo cedo começou a mostrar a intimidade com a bola. O curioso é que Roberto, na infância, foi torcedor do Botafogo. Aos 12 anos já era titular do Esporte Clube São Bento, time do bairro onde morava em Duque de Caxias. Depois Roberto foi convidado a treinar nas categorias de base do Vasco e, um mê
s depois, já estava jogando nos juvenis. Após um ano no clube, Roberto aumentou 15 quilos, graças a um rigoroso trabalho de musculação. No campeonato carioca de juvenis de 1970, foi o artilheiro do Vasco com 10 gols. Vê-se daí que Roberto nasceu para ser artilheiro. Por aqueles tempos, o técnico da equipe principal “um tal” Mário Travaglini, o relacionou para a disputa do Campeonato Brasileiro de 1971. O apelido “Dinamite” foi criação dos jornalistas Eliomário Valente e Aparício Pires, ambos vascaínos e que trabalhavam no Jornal dos Sports. O primeiro gol de Roberto Dinamite no time profissional do Vasco aconteceu no dia 28 de novembro de 1971 contra o Internacional no Maracanã. Roberto atuou pelo time profissional do Vasco da Gama de 1971 a 1980, quando se transferiu para o Barcelona da Espanha, mas infelizmente não se adaptou voltando três meses depois a São Januário ficando até 1989. Alto e forte, Dinamite usava com muita inteligência seu corpo e dificilmente perdia a bola para um adversário, tornando-se um grande perigo na área inimiga. Ele conseguiu uma média de 36 gols por temporada nos 22 anos de carreira - disputou 1.108 partidas. No final da carreira recebeu convite para jogar pela Portuguesa de Desportos, em 1989 e disputou pelo time do Canindé, o campeonato brasileiro daquele ano. Em seis meses jogando em São Paulo, Roberto marcou nove gols que o ajudaram a atingir a histórica marca de190 gols, tornando-se o maior artilheiro do Campeonato Brasileiro. Em 1991 Roberto também jogou pelo Campo Grande, disputando o Campeonato Carioca. Na Seleção Brasileira, Dinamite esteve nas Copas de 1978 e 1982, embora nesta última, o técnico Telê Santana não tenha escalado o artilheiro vascaíno em nenhuma partida. Hoje, Roberto Dinamite exerce o mandato de Deputado Estadual, visto que desde 1991 vem desenvolvendo essa atividade. Rival de Eurico Miranda, atual presidente do vascaíno, Roberto já perdeu por duas vezes as eleições para a presidência do Vasco.
NÚMEROS E MARCAS DE ROBERTO DINAMITE:
Pessoais
Artilheiro do Campeonato Brasileiro: 1974 (16 gols) e 1984 (16 gols)
Artilheiro do Campeonato Carioca: 1978 (19 gols), 1981 (31 gols) e 1985 (12 gols)
Estatísticas
Temporadas em que atuou: 22
Jogos pelo Vasco: 1.110 (recorde)
Maior Artilheiro em Campeonatos Brasileiros: 190 gols
Maior Artilheiro em São Januário: 184 gols
Gols Marcados
Em Clubes e na Seleção
Vasco da Gama: 708 gols
Barcelona: 3 gols
Portuguesa: 11 gols
Amistosos: 36 gols
Total: 784 gols na carreira
Portanto, o esporte brasileiro deve muitíssimo a Roberto Dinamite, profissional exemplar que deu grandes alegrias às torcidas vascaína e brasileira. Eu, particularmente, tenho absoluta certeza que Roberto continuará lutando pelo engrandecimento do esporte do Rio de Janeiro e do Brasil.

A DIVERSIDADE POÉTICA DE JOAQUIM MONCKS


Joaquim Moncks
Pelotas 1946
Poeta, ensaísta, ativista cultural e político gaúcho


MATÉRIA ARDENTE

(a Miguel Torga, poeta português)

Ainda em elaboração,
matéria ardente, o poema
vai tomando forma e corpo.

A seu destino segue a pedra
cinzelada com o buril
da técnica,
alguma experimentação,
e olho vivo
no inconsciente coletivo.

O suspiro e a rebeldia,
por ora, têm esta cara deslavada...


segunda-feira, 27 de agosto de 2007

JIRAU DI/VERSO nº 7

JIRAU DI/VERSO
Nº 07 – setembro.2006
por Enzo Carlo Barrocco
A poesia goiana de Gabriel Nascente
O POEMA

MOVIMENTOS DE UMA TARDE

A tarde se debruça sobre os ombros da cadeira.
Andorinha faz xixi no muro, ninguém aplaude.
o céu empurra seu quinhão de nuvens
para o sossego das varandas.

É caseiro esse fim de domingo
no olhar do povo, no perfil das árvores.

Maçã-de-amor, picolés, perfumes vagabundos:
o povo passeia livre dos onívoros da pátria.

E na varanda a folhagem (suprema lembrança
do verde) está suspensa:
será que o céu
lhe dá socorro?

Barão, o querençoso cão de casa,
entrevou-se na velhice e chora
como alguém de costas para a vida.


O POETA

Gabriel José Nascente, poeta, novelista, romancista e jornalista, goiano da capital, no convés da fragata desde 1950, é autor de quase trinta livros principalmente de poesias. Nascente se mostra um poeta autêntico e seus textos dão a verdadeira dimensão do ofício da palavra. Menotti Del Picchia (São Paulo 1892 – Idem 1988), poeta da melhor estirpe, se rendeu à magnífica poesia deste poeta de Goiânia.
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ESTANTE DE ACRÍLICO
Livros Sugestionáveis

“O Primeiro Beijo e Outros Contos”.
Autora: Clarice Lispector
Edição: Editora Ática.
São doze contos laboriosamente escritos, numa explanação clara e limpa. Cada conto é um poema em prosa. Surpreendentes, inventivos e com imagens belíssimas.

“Brasão de Barro” (poesias)
Autor: Antônio Juraci Siqueira
Edição do Autor
A facilidade que tem de falar da Amazônia faz de Juraci um dos melhores poetas paraense da atualidade. Em Brasão de Barro se observa a linguagem puramente regional.

“Escolha Seu Sonho” (crônicas)
Autora: Cecília Meireles
Edição: Record
Cecília é, inegavelmente, uma de nossas maiores autoras e, aqui, põe toda a sua sensibilidade a serviço da arte de escrever. Uma aula de como observar poeticamente a vida.
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A FRASE DI/VERSA
O número dos que nos invejam confirmam nossa capacidade.
- Oscar Wilde (Dublin 1854 – Paris 1900) poeta, contista e dramaturgo irlandês.

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DA LAVRA MINHA





sexta-feira, 24 de agosto de 2007

ETERNIDADE



A IMAGEM PERFEITA DA DESTRUIÇÃO

Crônica
por Enzo Ca
rlo Barrocco

Queimadas no Pará: crimes hediondos que degradam o meio-ambiente

É impressionante o descaso para com o meio-ambiente por parte das autoridades, sejam elas municipais, estaduais ou federais. Assisti a uma reportagem no sábado, 18.08, em uma emissora de televisão falando que o Pará é o Estado da Amazônia que mais provocou queimadas no mês de agosto. Imagens que mostravam áreas a beiras de estradas com fogo tão alto e cortinas de fumaça intransponíveis que motoristas e motoqueiros, algumas vezes, tinham que recuar. Fazendeiros inescrupulosos que realmente só pensam em seus próprios lucros e que põem fogo nessas áreas para, algum tempo depois, essas áreas virem pasto para o gado. Pequenos agricultores que apenas trabalham pela própria subsistência, também produzem este tipo de artifício, às vezes, inconscientemente, não atentando para o perigo que as queimadas representam para plantas animais e pessoas. Aí eu pergunto: onde estão os órgãos do Governo que não agem contra este tipo de atividade e que, em alguns casos, são verdadeiros crimes contra a vida humana? Onde estão os órgãos estaduais do Pará responsáveis por florestas e meio-ambiente? Por que não imputar multas pesadas a esses fazendeiros que pensam ser os donos do Estado? Pequenos lavradores deveriam receber treinamento em outras técnicas que substituam a famigerada queimada. E os Ibamas da vida, onde estão? Só neste mês de agosto o satélite do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectou mais de dois mil focos de queimadas em todo o Estado, inclusive ultrapassando o Estado de Mato Grosso neste item. O Pará se transformou numa fornalha. O trágico disso tudo é que não é apenas o Pará que vive esse horrível drama, mas vários Estados brasileiros, principalmente e lamentavelmente aqui no norte do Brasil e Centro-Oeste. Em todo o planeta a biodiversidade grita por clemência, e pessoas, sem nenhum escrúpulo estão acelerando todo o processo de destruição. Francamente: apelar para quem?

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

CRUZ E SOUZA : O GÊNIO DO SIMBOLISMO


Cruz e Souza
Nossa Senhorado Desterro, atual Florianópolis 1861 - Barbacena, MG 1898
Poeta catarinense



MANHÃ

Alta alvorada. — Os últimos nevoeiros

A luz que nasce suavemente espalha,

Move-se o bosque, a selva que farfalha
Cheia da vida dos clarões primeiros.

Da passarada os vôos condoreiros,
Os cantos e o ar que as árvores ramalha
Lembram combate, estrídula batalha
De elementos contrários e altaneiros.

Vozes, trinados, vibrações, rumores
Crescem, vão se fundindo nos esplendores
Da luz que jorra de invisível taça.

E como um rei num galeão do oriente
O sol põe-se a tocar bizarramente
Fanfarras marciais, trompas de caça.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O DIÁRIO DOS PENSADORES - PÁGINA 8

Não há virtude tão grande que esteja livre da tentação.
- Immanuel Kant (Konisberg 1724 – Idem 1804) filósofo alemão

O fato de ter nascido me estraga a saúde.
- Clarice Lispector (Tchelchenik 1925 – Rio de Janeiro 1977) romancista brasileira nascida na Ucrânia

Faz-me bem apanhar, vez ou outra, a chuva da vida.
- Henry Longfellow (Portland 1807 - Cambridge 1882) poeta americano

Se você obtém sucesso é sempre pelas razões erradas. Se você se torna popular é sempre pelos piores aspectos de sua vida.
- Ernest Hemingway (Oak Park 1899 - Ketchum 1961) romancista americano

Porque o poema
ninguém sabe como nasce, como
a vida o engendra,
que pétala entra em sua composição
que voz, que latido de cão;
ninguém sabe.
- Ferreira Gullar (São Luiz 1930) poeta, contista, cronista, dramaturgo e ensaísta maranhense

Deus é cheio de compaixão. Mas há só uma coisa que ele não perdoa. Quando uma mulher chama um homem para a sua cama e ele não vai. Deus detesta os tolos.
- Nikos Kazantzakis (Candía, atual Iraklion, Ilha de Creta 1885 – Fribourg, Suíça 1957) poeta, romancista e dramaturgo grego

Os dias prósperos não vêm do acaso; são granjeados, como as searas, a muita fadiga e com muitos intervalos de desalento.
- Camilo Castelo Branco (Lisboa 1825 - Freguesia de Seide, Vila Nova de Famalicão 1895) poeta, dramaturgo, romancista, crítico, cronista, novelista, historiador e jornalista português.

Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. A alma dos homens ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
- Charles Chaplin (Londres 1889 - Corsier-sur-Vevey, Suíça 1977) ator e cineasta inglês

Dos amigos ofendidos, saem os piores inimigos.
- Baltasar Gracián (Calatayud 1601 - Zaragoza 1658) ensaísta, filósofo e religioso católico espanhol


ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...