sexta-feira, 14 de maio de 2021

O PONTO DO LIVRO: OS SERTÕES

Resenha 

Os Sertões, escrito pelo romancista, ensaísta e jornalista fluminense Euclides da Cunha,  publicado em 1902,  é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro. Euclides fora mandado para Canudos, no interior da Bahia,  para cobrir  a chamada Guerra de Canudos (1896-1897). Euclides presenciou parte da guerra, correspondente que era do jornal  A província de São Paulo, hoje o Estado de São Paulo. Esse gênero literário pertence tanto à prosa científica quanto à artística. Alguns críticos afirmam que esse trabalho pode ser compreendido tanto como uma obra de Sociologia, Geografia, História ou crítica humana, assim como sendo uma epopeia  da vida sertaneja em sua luta diária contra a a incompreensão da elite. Segundo o crítico Enio Squeff, Os Sertões é uma das três grandes epopeias da língua portuguesa, podendo ser comparada à Ilíada — assim como Os Lusíadas podem ser comparados à Eneida e Grande Sertão: Veredas, à Odisseia. O autor desenvolveu um romance histórico numa mistura de narração  literária, sociológica e geográfica. Euclides da Cunha nos deixou uma obra que se baseia em três pilares: a terra, o homem e a luta. 

*€NZOCB2021



sexta-feira, 7 de maio de 2021

MACHADO DE ASSIS E JOAQUIM NABUCO NA MÁQUINA DO TEMPO

O fluminense Machado de Assis, aos 67 anos  e o pernambucano Joaquim Nabuco, aos 57 anos Dois geniais escritores brasileiros, em uma foto para a posteridade, em 1906.



quarta-feira, 5 de maio de 2021

O POEMA E O POETA: RORAIMA ALVES DA COSTA

O POEMA E O POETA:  RORAIMA ALVES DA COSTA 


O POEMA... 


VENDAVAL 


Exilo-me da vida,

sigo meu destino.

O meu espírito agitado

de homem comum

caminha sem rumo para além-mar.

Sou nômade efêmero,

filho da civilização decadente,

desligado da fé.

Na letargia do meu corpo,

percebo que sou apenas cadáver

em meio à idolatria dos templos.

Minha alma flutua morta

na atmosfera terrestre.

Sou estrela sem brilho,

sol sem luz,

oceano sem água,

sou:

Homem corroído,

banido do mundo

a te procurar! 


...E O POETA 


Roraima Alves da Costa, roraimense de Boa Vista, poeta, no convés da fragata desde 1956, é o que podemos chamar de "o poeta peregrino", justamente pelo fato de andar pelas escolas do Brasil ensinando os prazeres da leitura. O poeta, na sua intinerância, já palestrou para mais de 28 milhões de pessoas e já  rodou alguns milhares de quilômetros pelo país.  O poeta não tem residência fixa, visto  que está sempre na estrada, se hospedando em casa de amigos ou hotéis. Roraima, portanto resolveu juntar a sua  vocação de  poeta com a extraordinária  vontade de levar a leitura para alunos de todo o país. Segundo Caio Porfírio Carneiro, "demonstra constante preocupação em revelar uma face amarga do mundo" e segundo Galileu Nascimento, "apresenta um lúgubre tão próprio de um Augusto dos Anjos e um simbolismo fatalista que esbarra em Cruz e Souza". Em vista disso, é categórico afirmar que Roraima é um dos grandes poetas brasileiros de nossos tempos. 

ENZOCB2021



sexta-feira, 16 de abril de 2021

O PONTO DO LIVRO: A RUA DOS CATAVENTOS

Resenha 

A Rua dos Cataventos, publicado em 1940, foi  o primeiro livro de poesias que o escritor  gaúcho Mário Quintana (1906 - 1994) publicou na sua longa carreira literária. O livro é composto por 35 excepcionais sonetos saídos da mente genial deste que foi um dos maiores poetas brasileiros. Os poemas, que foram elaborados de forma fixa, e que alguns críticos afirmam estarem em desuso (asserção que não concordo), trazem em suas temáticas reflexões  sobre a infância do poeta, bem como considerações sobre a morte. O livro teve tamanha importância que até hoje alguns poemas são transcritos para antologias e livros escolares. Deste primeiro trabalho advém o lirismo inalcançável que Quintana poria em seus poemas subsequentes eivados de luz e naturalidade. Indico, aqui, para quem não conhece,  a leitura de A Rua dos Cataventos, marco inicial da jornada literária  do grande Mário Quintana, o poeta da simplicidade. 

*€NZOCB2021



ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...