quinta-feira, 10 de maio de 2007

GRÃO E CORISCO




















Enzo Carlo Barrocco

Meu verso diminuto e tão pequeno,
talvez, assim, inexpressivo grão,
mas, também, sei, entumecido e pleno
foge um pouco além da minha mão.

E se consigo domá-lo, potro arisco,
escoiceando as portas do poema,
plena luz morta ao chão, corisco
que fende o ar sob dor extrema.

Põe-se, assim, a galopar ligeiro
e sua crina de amarelo-rubro
faz-me louco que se me descubro

sob as vestes de um deus-poeta;
mas também sei, entumecido e pleno,
meu verso diminuto e tão pequeno.

Um comentário:

Merivaldo Pinheiro disse...

:
Efraim, gostei do fluxo verbal.
Parabéns!

: