quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

CANÇÃO PARA A NOITE FUNDA


Enzo Carlo Barrocco




Eu já nem era solene,
os coturnos dos soldaldos fremem,
fúria que se espraia
pela noite.

Comigo tudo bem, moro no tempo,
contratempo, contraponto, contramarcha;
estrelas cancerosas
aproximam-se angustiadas.

Trovões sem nuvens,
alguns relâmpagos (tempo excelente).
Ruas malfeitas, mal-iluminadas,
ruas que já não posso andar.


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