terça-feira, 17 de julho de 2007
MENOTTI DEL PICCHIA: A POESIA DE UM MODERNISTA

Há um grande aparato de câmara funerária
Os homens ficam rígidos,
Cada leito é a maquete de um túmulo.
No cemitério da treva
sexta-feira, 13 de julho de 2007
RESISTINDO A TODAS AS OPRESSÕES - DE REPENTE UMA FÁBULA ISRAELENSE

Capa do livro: De Repente nas Profundezas do Bosque
Resenha
por Enzo Carlo Barrocco
caminhos que levam à resistência a todos esses problemas. A história fala de um lugar paradisíaco onde não existe nenhum animal. Nas escolas é ensinado que todos os animais foram para o bosque, local terminantemente proibido e que, acredita-se, vive um misterioso demônio. O garoto Mati e sua amiga Maia, desconfiados com os donos do poder, resolvem entrar na floresta mesmo correndo todos os riscos. O questionamento é a principal função deste romance. Amos é um escritor que luta pela paz e em 2005 ele recebeu o prestigiado prêmio Goethe pelo seu irrepreensível sentido de responsabilidade moral do conjunto de sua belíssima obra. Politicamente Amos é ligado à esquerda israelense e participa ativamente do movimento “Israeli Peace Now” desde a sua fundação, em 1977. Diante de todas essas características Amos se vale do prestígio que detém em muitos países do mundo para denunciar, através de excelentes fábulas como esta. “De Repente nas Profundezas do Bosque” então é isso: uma fábula para mostrar a todos nós os bons caminhos que devamos seguir.
TRECHO DO LIVRO “DE REPENTE NAS PROFUNDEZAS DO BOSQUE”
CAPÍTULO I
A professora Emanuela explicou à classe como é um urso, como os peixes respiram e que sons a hiena produz à noite. Ela também pendurou na sala gravuras de animais e aves. Quase todos os alunos debocharam dela, porque nunca na vida tinham visto um animal sequer. E muitos deles não acreditaram que existissem no mundo tais criaturas. Pelo menos nas redondezas. Sem contar, disseram, sem contar que a professora não tinha conseguido encontrar na aldeia alguém que topasse ser seu marido, e por isso, disseram, a cabeça dela estava cheia de raposas, pardais, todo o tipo de invencionice que as pessoas sozinhas criam devido à solidão.
Só o pequeno Nimi, de tanto ouvir o falatório da professora Emanuela, começou a ter sonhos com animais à noite. A turma ria dele quando chegava contando, logo pela manhã, como seus sapatos marrons, que durante a noite ficam ao lado da cama dele se transformavam em dois ouriços que se arrastavam e examinavam o quarto a noite inteira, mas de manhã, quando ele abria os olhos, os ouriços voltavam de repente a ser um simples par de sapatos ao lado da cama. Numa outra vez, morcegos negros vieram à meia-noite, levaram-no sobre as asas e voaram com ele através das paredes da casa pelo céu da aldeia e por sobre os montes e os bosques, até que o conduziram a um palácio encantado.
Nimi era um menino um pouco descuidado, e andava quase sempre com o nariz escorrendo. Além disso, entre os salientes dentes da frente havia um belo intervalo. As crianças chamavam esse espaço de poço de lixo.
Todas as manhãs Nimi chegava à sala e começava a contar a todos um novo sonho, e todas as manhãs diziam-lhe chega, já ficou chato, fecha o teu poço de lixo. E quando ele não parava, atormentavam-no. Mas Nimi, em vez de ficar ofendido, também participava do deboche. Fungava e engolia o catarro, e começava de repente a chamar a si mesmo, numa alegria transbordante, exatamente pelos apelidos pejorativos que as crianças lhe deram: Poço de Lixo, Sonhador, Sapato-Ouriço.
Maia, a filha de Lília, a padeira, que sentava atrás dele na sala, cochichava algumas vezes: Nimi. Escuta. Você pode sonhar com o que quiser, com animais, com meninas, mas fique quieto. Não conte. Não vale a pena.
Mati dizia a Maia, você não entende, Nimi sonha só para contar os sonhos. E geralmente os sonhos dele não se interrompem nem quando ele acorda pela manhã.
Tudo divertia Nimi e tudo despertava nele alegria: a xícara rachada da cozinha e a lua cheia no céu, o colar da professora Emanuela e seus próprios dentes salientes, os botões que esqueceu de abotoar e o rugido dos ventos no bosque, tudo o que existe e acontece parecia engraçado a Nimi. Em todas as coisas via um motivo suficiente para se arrebentar de rir.
Até que uma vez ele fugiu da sala de aula e da aldeia, e entrou sozinho no bosque. Durante dois ou três dias, procuraram-no quase todos os aldeões. Por mais uma semana ou dez dias, procuraram-no os guardas. Depois, apenas seus pais e a irmã continuaram a procurar por ele.
Passadas três semanas ele voltou, magro e imundo, todo arranhado e machucado, mas relinchando de tanto entusiasmo e alegria. E desde então o pequeno Nimi não parou mais de relinchar e tampouco tornou a falar: não pronunciou nenhuma palavra desde que voltou do bosque, e só ficava circulando descalço e esfarrapado pelas ruelas da aldeia, o nariz escorrendo, mostrando os dentes e o intervalo entre eles, se metendo entre os pátios de trás, subindo nas árvores e postes, relinchando o tempo todo, com o olho direito lacrimejando sem parar por causa da sua alergia.
Era totalmente impossível voltar a freqüentar a escola por causa da "doença do relincho". As crianças, quando saíam da aula, provocavam-no intencionalmente, para que ele relinchasse. Eles o chamavam de Nimi, o potro. O médico esperava que isso fosse passar com o tempo: talvez ali, no bosque, ele tivesse se deparado com alguma coisa que o assustou ou abalou, e por enquanto está com a doença do relincho.
Maia dizia a Mati: será que eu e você deveríamos fazer alguma coisa? Como podemos ajudá-lo? E Mati respondia: deixa pra lá, Maia. Daqui a pouco eles vão se cansar disso. Daqui a pouco eles vão esquecê-lo.
Quando as crianças lhe davam um chega-pra-lá com zombarias, e atiravam pinhas e cascas sobre ele, o pequeno Nimi corria, relinchando. Subia bem alto nos galhos da árvore mais próxima e de lá, em meio às ramagens, se voltava para eles relinchando, com um olho lacrimejando e os dentes da frente salientes. E às vezes, até no meio da noite alta, parecia que se ouvia ao longe o eco de seu relincho no escuro.
AS VIOLETAS SENSUAIS DE FLORBELA ESPANCA

Florbela Espanca
Vila Viçosa 1894 – Matosinhos 1930
Poeta e contista portuguesa
Crisântemos
Sombrios mensageiros das violetas,
De longas e revoltas cabeleiras;
Brancos, sois o casto olhar das virgens
Pálidas que ao luar, sonham nas eiras.
Vermelhos, gargalhadas triunfantes,
Lábios quentes de sonhos e desejos,
Carícias sensuais d´amor e gozo;
Crisântemos de sangue, vós sois beijos!
Os amarelos riem amarguras,
Os roxos dizem prantos e torturas,
Há-os também cor de fogo, sensuais…
Eu amo os crisântemos misteriosos
Por serem lindos, tristes e mimosos,
Por ser a flor de que tu gostas mais!
quinta-feira, 12 de julho de 2007
UM GAVIÃO ME AGUARDA DE MANHÃ

Lago Água Preta: o Complexo do Utinga clama por proteção
Crônica
por Enzo Carlo Barrocco
Quase todas as manhãs quando vou pegar o ônibus para ir ao trabalho, no final das linhas Águas Lindas, bairro do mesmo nome, onde moro, um gavião, pássaro raro por aqueles lados, está comodamente pousado no alto de uma grande árvore à margem da estrada. Existe de um dos lados da rua uma reserva florestal que é mantida pela SECTAM - Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, com o apoio do BPA - Batalhão de Policiamento Ambiental do Exército, cercada por um muro, até certo ponto, e por uma cerca aramada deste ponto
Portanto é um privilégio residir ao lado de uma reserva florestal de importância tão grande como o Complexo do Utinga. Roguemos para que as autoridades competentes não deixem que inescrupulosos destruam essa pequena mostra da floresta amazônica que é uma das poucas áreas verdes que existem nos arredores de Belém. Seria um crime hediondo deixá-la à sorte de todo tipo de depredação como acontecem em outras áreas que deveriam, também, ser preservadas. Quanta vida existe ali! Em vista disso, meus amigos, juntemos-nos aos que realmente querem preservar o que ainda resta para que, mais adiante, não nos arrependamos de atitudes que não tomamos.
Ah! Hoje mesmo aquele gavião ainda me esperava!
Em: 12.07.2007
terça-feira, 10 de julho de 2007
JIRAU DI/VERSO N° 4
Nº 04 – Junho.2006
por Enzo Carlo Barrocco
A poesia mineira de Adélia Prado
O POEMA
Poema Começado no Fim
Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.
A POETA
Adélia Luzia Prado Freitas, mineira de Divinópolis, poeta, contista e romancista, no convés da fragata desde 1935, publicou, no início da década de 1970, seus primeiros versos em jornais e periódicos da época. Seu primeiro livro, “Bagagem”, publicado em 1976, é excepcionalmente bem recebido pela crítica. A linguagem despojada e direta dos seus textos faz de Adélia uma escritora diferenciada dentro do cenário de nossa literatura.ooooo
Estante de Acrílico
Livros Sugestionáveis
“Repertório Selvagem” (Poesias)
Autora: Olga Savary
Edição: Multimais Editorial / Fundação Biblioteca Nacional
São doze livros reunidos em “Repertório Selvagem”, sendo dois inéditos, publicados entre os anos de 1947 e 1998. Savary é fugaz e estonteante.
“O Louco” (Poesias)
Autor: Gibran Khalil Gibran
Edição: Acigi
A poesia suave de Gibran cativa pela simplicidade . Pequenas histórias, o que torna a leitura bastante agradável.
“O Despertar do Amor” (Memórias)
Autor: Eno Teodoro Wanke
Edição: Plaquette
As aventuras e descobertas do autor quando estudante na década de 1940,
A FRASE DI/VERSA
”No fim tudo dará certo. Se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim”.
- Fernando Sabino (Belo Horizonte 1923 – Rio de Janeiro 2004) contista, romancista e cronista mineiroooooo
DA LAVRA MINHA
A VOZ PARNASIANA DE ALBERTO DE OLIVEIRA

Alberto de Oliveira
Palmital de Saquarema 1857 – Niterói 1937
Poeta fluminense
A Vingança da Porta
Era um hábito antigo que ele tinha:
Entrar dando com a porta nos batentes.
— Que te fez essa porta? a mulher vinha
E interrogava. Ele cerrando os dentes:
— Nada! traze o jantar! — Mas à noitinha
Calmava-se; feliz, os inocentes
Olhos revê da filha, a cabecinha
Lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.
Uma vez, ao tornar à casa, quando
Erguia a aldraba, o coração lhe fala:
Entra mais devagar... — Pára, hesitando...
Nisto nos gonzos range a velha porta,
Ri-se, escancara-se. E ele vê na sala,
A mulher como doida e a filha morta.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
O DIÁRIO DOS PENSADORES - PÁGINA 5

Esperar é o tormento do desejo.
- Joaquim Manuel de Macedo (Itaboraí 1820 – Rio de Janeiro
1882) poeta romancista, dramaturgo e jornalista fluminense
É verdade que a liberdade é algo precioso – tão preciosa que só deve
ser concedida a poucos.
- Vladimir Ilitch Ulianov, o Lenin (Simbirsk, atual Ulianovsk 1870 – Gorki 1924) político russo
Uma vida com drogas é escravidão, autodestruição e morte. Qualquer glamourização de seu uso é perigosa e enganadora. É mentira.
- Fernando Henrique Cardoso (Rio de Janeiro 1931) sociólogo, ensaísta e político fluminense, ex-presidente da República
Cada vez que nasce uma criança em teu quarteirão, um novo tempo começa a correr para alguém.
- Aníbal Machado (Sabará 1894 – Rio de Janeiro 1964) cronista, ensaísta, romancista e contista mineiro
Caminhante, não há caminho. Faz-se o caminho ao andar.
- Antônio Machado y Ruiz (Sevilha 1875 – Collioure, França 1939) dramaturgo e poeta espanhol
É importante para mim que as pessoas encarem a vida de um modo diferente vendo que as mulheres podem seduzir e ter fantasias sexuais.
- Louise Veronica Ciccone, a Madonna (Bay City 1958) cantora e atriz americana
Cada um ao nascer traz sua dose de amor, mas os empregos, o dinheiro, tudo isso nos resseca o solo do coração.
- Vladimir Maiakovski (Bagdadi 1893 – Moscou 1930) poeta e dramaturgo russo nascido na Geórgia
Bom que saibam que existem flores.
- Cyro de Mattos (Itabuna 1939) poeta, contista, novelista, cronista e jornalista baiano
Democracia com fome, sem educação e saúde, para a maioria, é uma concha vazia.
- Nelson Mandela (Umtata 1918) político sul-africano
- Niccolo Machiavelli (Florença 1469 - Idem 1527) ensaísta, político e filósofo italiano
ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE
Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...
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O POEMA... DEPOIS DA HECATOMBE Quando a torpe insensatez humana Varrer da terra toda a humanidade, Por entre as cinzas da radioatividade,...
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por Enzo Carlo Barrocco Jacinta Veloso Passos (Cruz das Almas 1914 – Aracaju, SE 1973) poeta, cronista, jornalista e ativista políti...







