Bruna Piantino
Betim 1978
Poeta mineira
Por não perceberem a gravidade
Milhões de balões de ego
Sobrevivem elevados.
Quanto ao interior
Nenhum gás
Habita mais.
Bruna Piantino
Betim 1978
Poeta mineira
Por não perceberem a gravidade
Milhões de balões de ego
Sobrevivem elevados.
Quanto ao interior
Nenhum gás
Habita mais.

Carmem fica matutando
no seu corpo já passado.
— Até à volta, meu seio
De mil novecentos e doze.
Adeus, minha perna linda
De mil novecentos e quinze.
Quando eu estava no colégio
Meu corpo era bem diferente.
Quando acabei o namoro
Meu corpo era bem diferente.
Quando um dia me casei
Meu corpo era bem diferente.
Nunca mais eu hei de ver
Meus quadris do ano passado...
A tarde já madurou
E Carmem fica pensando.


A tarde bruscamente se aclarou,
porque já cai a chuva minuciosa.
Cai e caiu. A chuva é só uma coisa
que o passado por certo freqüentou.
Quem a escuta cair já recobrou
o tempo em que a fortuna venturosa
uma flor lhe mostrou chamada rosa
e a cor bizarra do que cor tomou.
Esta chuva que treme sobre os vidros
alegrará nuns arrabaldes idos
as negras uvas de uma parra em horto
que não existe mais. A umedecida
tarde me traz a voz, a voz querida
de meu pai que retorna e não é morto.
Tradução: Renato Suttana
Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...