Estancou à porta com as vozes que vinham da sala. Franziu o sobrolho ao ouvir risadas. O chefe dela era um homem sério, reto, probo e sempre demonstrou serenidade diante dos funcionários. Vez por outra risinhos, vez por outra silêncio. Evidentemente, se fosse algo suspeito, a porta estaria trancada; no entanto não arriscou em conferir sua dúvida. Quem estaria lá? Por um momento fora ao banheiro e, certamente, naquele intervalo a pessoa havia entrado. “A curiosidade também mata” – pensou. Atendeu ao telefone com o recado da portaria com relação a um documento urgente. Correu à portaria. “Meu Deus!” – pensou – “tomara que ela ainda esteja lá!”.
A casinha de bonecas era seu esconderijo preferido. Lá dentro escondia balas e chocolates e se refugiava na hora dos deveres. Tão quieto ficava que esqueciam de sua existencia. Mas o que mais gostava era apreciar, sem ser visto, as brincadeiras de médico que a babá fazia com seu irmão mais velho. Espiava e aprendia como fazer com a amiguinha da escola que convidara para lanchar em sua casa. escrito em 23-04-2009
O poeta e religioso católico baiano Luís José Junqueira Freire (Salvador 1832 – Idem 1855) fez os estudos primários e os de latim precariamente em virtude da saúde abalada. Em 1849, matriculou-seno Liceu Provincial de Salvador no qual se destacou como excelente aluno. Para fugir da pressão familiar ingressou na “Ordem dos Beneditinos”, em 1851. Na clausura do Mosteiro de São Bento, em Salvador, viveu amargurado, revoltado e triste poisnão manifestava a menor vocação monástica, mesmo porque tinha tomada a decisão irrevogável dos votos perpétuos. Nesse período, porém, pôde ler muito e dedicar-se à poesia. Trabalhou, também, dentro do mosteiro, como professor; atendia, então pelo nome de Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira Freire. Pediu a secularização em 1853, recurso que o libertava das disciplinas religiosas, mas que, por força dos votos perpétuos, tinha que permanecer sacerdote. De volta à casa da mãe em 1854, redigiu uma pequena autobiografia. Pouco antes de sua morte, aos 23 anos, fez publicar seu único livro em vida que intitulou “Inspirações do Claustro”. A obra de Junqueira enquadra-se na terceira fase do romantismo, também chamada de ultra-romantismo, ligado aos padrões do neoclassicismo. O equívoco na sua escolha monástica refletiu seriamente nos seus escritos. Seu estilo mais fechado não permitiu ao poeta expressar todos os sentimentos reprimidos. A obra de Junqueira Freire mereceu um louvor, como também uma crítica por parte do poeta, contista, cronista, romancista, dramaturgo e ensaísta fluminense Machado de Assis (Rio de Janeiro 1839 – Idem 1908). Foi louvada pela forma sincera como retratou todo o drama de uma pessoa presa a uma falsa vocação; crítica ao modo dessa poesia que caiu no genérico e no prosaico. Machado ainda disse que os versos de Junqueira não são palestras de sacristia nem mexerico de locutório, mas sim um livro profundamente sentido, uma história dolorosamente narrada em versos, muitas vezes duros, mas evidentemente saídos do coração. A sua breve e sofrida passagem pelo mosteiro forneceram ao poeta as características de sua personalidade, conflitantes, porém. Disse Junqueira no prólogo de Inspirações do Claustro: “Cantei o monge, porque ele é escravo, não da cruz, mas do arbítrio de outro homem. Cantei o monge porque não há ninguém que se ocupe de cantá-lo. É por isso que cantei o monge, cantei também a morte. É ela o epílogo mais belo de sua vida: e seu único triunfo”. O sofrimento e a clausura deram a Junqueira o tormento que a sua alma precisava para nos presentear com belíssimos poemas. O poeta é o patrono da Cadeira nº 25 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Franklin Dória (Itaparica 1836 – Rio de Janeiro 1906) poeta, orador e político baiano. Obras: Inspirações do Claustro (1855); Elementos de Retórica Nacional (1869); Obras, edição crítica por Roberto Alvim, 3 vols. (1944); Junqueira Freire, org. por Antonio Carlos Vilaça (Coleção Nossos Clássicos, nº 66); Desespero na Solidão, org. por Antonio Carlos Vilaça (1976); Obra poética de Junqueira Freire (1970). Fiquemos, portanto, com três raríssimas jóias produzidas pelo vasto universo da mente de Junqueira:
Josette Lassance, paaense de Belém, poeta e contista, no convés da fragata desde 1962, já participou de várias publicações em revistas de Belém, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Sua poesia destaca-se pela excelente colocação das palavras o que dá ao poema o ritmo necessário. Em 2001, Josette publicou o livro Prazer Clandestino, que são cartões fotográficos acompanhados do texto poético, o que faz dela uma escritora eclética e diveersificada.
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ESTANTE DE ACRÍLICO
Livros Sugestionáveis
Nola – O Manuscrito que Abalou o Mundo
Autor: Benedito Ismael Camargo Dutra
Edição: Editora Marcozero
O autor acredita que é ainda possível salvar o planeta o ocultismo, o misterioso, o etério, assuntos que sempre aguçaram a mente humana. Um livro questionador.
O Macaco Malandro
Autora: Tatiana Belinky
Edição: Editora Moderna
O teatro muito bem representado contando a história do macaco que espertamente ludibria um lobo e uma raposa. Graça e leveza no texto de Tatiana.
Os Lusíadas
Autor: Luís Vaz de Camões
Edição: Editora Ática
Poema épico acrecentado de comentários críticos e notas explicativas por Carlos Felipe Moiséis, o que torna a leitura mais elucidativa.
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A FRASE DI/VERSA
Todos os dias, sob todos os pontos de vista, eu vou cada vez melhor.
- Emile Coué (Troyes 1857 – Paris – 1926) psicólogo, farmacêutico e ensaísta francês