sexta-feira, 8 de maio de 2009

O DIÁRIO DOS PENSADOREDS - PÁGINA 38


Os cabelos brancos são arquivos do passado.

- Edgar Allan Poe (Boston 1809 – Baltimore 1849) poeta

contista e ensaísta americano


A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são.

- Fernando Pessoa (Lisboa 1888 – Idem 1935) poeta, ensaísta e cronista português


A vida é um sonho vão que a vida leva. Cheias de dores, tristemente mansas.

- Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro 1913 - Idem 1980) poeta, compositor e cantor fluminense


Há duas coisas infinitas: o universo e a estupidez. Ando inseguro quanto ao universo.

- Albert Einstein (Ulm 1879 – Princenton, EUA 1955) físico americano nascido na Alemanha


Poucas pessoas são modestas o suficiente para suportar uma avaliação correta.

- Marquês de Vauvenargues (Aix-en-Provence 1715 – Paris 1747) ensaísta francês


Por medo de diminuir, deixamos de crescer.

- Paulo Coelho (Rio de Janeiro 1947) romancista, compositor e jornalista fluminense


Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas.

- Benjamin Disraeli (Londres 1804 – Idem 1881) político inglês


Cabe à mulher casar-se o quanto antes e ao homem ficar solteiro o maior tempo que puder.

- George Bernard Shaw (Dublin 1856 - Hertfordshire 1950) dramaturgo, ensaísta e crítico irlandês


Demonstrar ira é vingar as faltas alheias em si mesmo.

- Alexander Pope (Londres 1688 - Idem 1744) poeta inglês


Se você está perdendo o seu prazer, preste atenção! Você pode estar perdendo a sua alma.

- Logan Pearsall Smith (Millville 1865 – Londres 1946) ensaísta americano


A solução para a violência é fácil: a punição dos culpados.

- Barbosa Lima Sobrinho (Recife 1897 – Rio de Janeiro 2000) ensaísta, jurista, historiador, jornalista e político pernambucano


A verdade não está com os homens, mas entre os homens.

- Sócrates (Atenas 470 – Idem 399 a C.) filósofo grego




segunda-feira, 4 de maio de 2009

THAÍS GUIMARÃES: UMA POETISA DO BRASIL


Thaís Guimarães
(Fortaleza 1961)
Poetisa cearense

A OUTRA


E te amei desde sempre
em cada mulher que sou.
Ainda que soubesse
sempre me perderias.
E te odiei noite e dia
em cada mulher que te amou.


CURIOSIDADE


Minoconto


por Enzo Carlo Barrocco



Estancou à porta com as vozes que vinham da sala. Franziu o sobrolho ao ouvir risadas. O chefe dela era um homem sério, reto, probo e sempre demonstrou serenidade diante dos funcionários. Vez por outra risinhos, vez por outra silêncio. Evidentemente, se fosse algo suspeito, a porta estaria trancada; no entanto não arriscou em conferir sua dúvida. Quem estaria lá? Por um momento fora ao banheiro e, certamente, naquele intervalo a pessoa havia entrado. “A curiosidade também mata” – pensou. Atendeu ao telefone com o recado da portaria com relação a um documento urgente. Correu à portaria. “Meu Deus!” – pensou – “tomara que ela ainda esteja lá!”.



quinta-feira, 23 de abril de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - MICROARGUMENTOS


O APRENDIZ







A casinha de bonecas era seu esconderijo preferido. Lá dentro escondia balas e chocolates e se refugiava na hora dos deveres. Tão quieto ficava que esqueciam de sua existencia. Mas o que mais gostava era apreciar, sem ser visto, as brincadeiras de médico que a babá fazia com seu irmão mais velho. Espiava e aprendia como fazer com a amiguinha da escola que convidara para lanchar em sua casa.

escrito em 23-04-2009


DO BLOG DA ÂNGELA


http://microargumentos.blogspot.com/





quarta-feira, 22 de abril de 2009

A POESIA ATORMENTADA DE JUNQUEIRA FREIRE


O poeta e religioso católico baiano Luís José Junqueira Freire (Salvador 1832 – Idem 1855) fez os estudos primários e os de latim precariamente em virtude da saúde abalada. Em 1849, matriculou-se no Liceu Provincial de Salvador no qual se destacou como excelente aluno. Para fugir da pressão familiar ingressou na “Ordem dos Beneditinos”, em 1851. Na clausura do Mosteiro de São Bento, em Salvador, viveu amargurado, revoltado e triste pois não manifestava a menor vocação monástica, mesmo porque tinha tomada a decisão irrevogável dos votos perpétuos. Nesse período, porém, pôde ler muito e dedicar-se à poesia. Trabalhou, também, dentro do mosteiro, como professor; atendia, então pelo nome de Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira Freire. Pediu a secularização em 1853, recurso que o libertava das disciplinas religiosas, mas que, por força dos votos perpétuos, tinha que permanecer sacerdote. De volta à casa da mãe em 1854, redigiu uma pequena autobiografia. Pouco antes de sua morte, aos 23 anos, fez publicar seu único livro em vida que intitulou “Inspirações do Claustro”. A obra de Junqueira enquadra-se na terceira fase do romantismo, também chamada de ultra-romantismo, ligado aos padrões do neoclassicismo. O equívoco na sua escolha monástica refletiu seriamente nos seus escritos. Seu estilo mais fechado não permitiu ao poeta expressar todos os sentimentos reprimidos. A obra de Junqueira Freire mereceu um louvor, como também uma crítica por parte do poeta, contista, cronista, romancista, dramaturgo e ensaísta fluminense Machado de Assis (Rio de Janeiro 1839 – Idem 1908). Foi louvada pela forma sincera como retratou todo o drama de uma pessoa presa a uma falsa vocação; crítica ao modo dessa poesia que caiu no genérico e no prosaico. Machado ainda disse que os versos de Junqueira não são palestras de sacristia nem mexerico de locutório, mas sim um livro profundamente sentido, uma história dolorosamente narrada em versos, muitas vezes duros, mas evidentemente saídos do coração. A sua breve e sofrida passagem pelo mosteiro forneceram ao poeta as características de sua personalidade, conflitantes, porém. Disse Junqueira no prólogo de Inspirações do Claustro: “Cantei o monge, porque ele é escravo, não da cruz, mas do arbítrio de outro homem. Cantei o monge porque não há ninguém que se ocupe de cantá-lo. É por isso que cantei o monge, cantei também a morte. É ela o epílogo mais belo de sua vida: e seu único triunfo”. O sofrimento e a clausura deram a Junqueira o tormento que a sua alma precisava para nos presentear com belíssimos poemas. O poeta é o patrono da Cadeira nº 25 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Franklin Dória (Itaparica 1836 – Rio de Janeiro 1906) poeta, orador e político baiano. Obras: Inspirações do Claustro (1855); Elementos de Retórica Nacional (1869); Obras, edição crítica por Roberto Alvim, 3 vols. (1944); Junqueira Freire, org. por Antonio Carlos Vilaça (Coleção Nossos Clássicos, nº 66); Desespero na Solidão, org. por Antonio Carlos Vilaça (1976); Obra poética de Junqueira Freire (1970). Fiquemos, portanto, com três raríssimas jóias produzidas pelo vasto universo da mente de Junqueira:



Teus Olhos


Que lindos olhos

Que estão em ti!

Tão lindos olhos

Eu nunca vi...

Pode haver belos

Mas não tais quais;

Não há no mundo

Quem tenha iguais.

São dois luzeiros,

São dois faróis:

Dois claros astros,

Dois vivos sóis.

Olhos que roubam

A luz de Deus:

Só estes olhos

Podem ser teus.

Olhos que falam

Ao coração:

Olhos que sabem

Dizer paixão.

Têm tal encanto

Os olhos teus!

— Quem pode mais?

Eles ou Deus?



Sonho


Era um bosque, um arvoredo,

Uma sagrada espessura,

— Mitológica pintura

Que o romantismo não faz.

Era um sítio tão formoso,

Que nem um pincel romano,

Nem Rubens, nem Ticiano

Copiariam assaz.

Ali pensei que sonhava

Com a donzela que me inspira,

Que põe-me nas mãos a lira,

Que põe-me o estro a ferver;

Que me acalenta em seu colo,

Que me beija a vasta crente,

Que me obriga a ser mais crente

No Deus que ela julga crer.

Sonhei com a visão dourada,

Que todo o poeta sonha,

— Idéia gentil, risonha,

Tão poucas vezes real!

Que só, com o peito abafado,

Se vai de noite em segredo

Contar no denso arvoredo

Ao cipreste sepulcral.

Mas, despertando do sonho,

Que aos homens não se revela,

Achei comigo a donzela,

Me apertando o coração,

E ainda presa a meus lábios,

Entre um riso, entre um gemido,

Murmurou-me ao pé do ouvido

— Que não era um sonho, não. —

E não mais, enquanto vivo,

Deixarei esta espessura,

— Mitológica pintura

Que o romantismo não faz.

Era um sítio tão formoso,

Que nem o pincel romano,

Nem Rubens, nem Ticiano

Copiariam assaz.



Soneto


Arda de raiva contra mim a intriga,

Morra de dor a inveja insaciável;

Destile seu veneno detestável

A vil calúnia, pérfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,

Contra mim só, o mundo miserável.

Alimente por mim ódio entranhável

O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos;

Sei desprezar um nome não preciso;

Sei insultar uns cálculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso

De uns lábios de mulher gentis, ufanos;

E o mais que os homens são, desprezo e piso.



sábado, 18 de abril de 2009

JIRAU DIVERSO Nº 37


JIRAU DIVERSO

Nº 37 – março.2009

por Enzo Carlo Barrocco


A POESIA PARAENSE DE JOSETTE LASSANCE


O POEMA


BLADE RUNNER
 
Ele,
Ela
Bonecos de cera
Na rua, piche.
No céu,
Oito aviões supersônicos
Noferastu nos museus
Um beijo que acaba no vácuo.
 
 

A POETA


Josette Lassance, paaense de Belém, poeta e contista, no convés da fragata desde 1962, já participou de várias publicações em revistas de Belém, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Sua poesia destaca-se pela excelente colocação das palavras o que dá ao poema o ritmo necessário. Em 2001, Josette publicou o livro Prazer Clandestino, que são cartões fotográficos acompanhados do texto poético, o que faz dela uma escritora eclética e diveersificada.

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ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis


Nola – O Manuscrito que Abalou o Mundo

Autor: Benedito Ismael Camargo Dutra

Edição: Editora Marcozero

O autor acredita que é ainda possível salvar o planeta o ocultismo, o misterioso, o etério, assuntos que sempre aguçaram a mente humana. Um livro questionador.


O Macaco Malandro

Autora: Tatiana Belinky

Edição: Editora Moderna

O teatro muito bem representado contando a história do macaco que espertamente ludibria um lobo e uma raposa. Graça e leveza no texto de Tatiana.


Os Lusíadas

Autor: Luís Vaz de Camões

Edição: Editora Ática

Poema épico acrecentado de comentários críticos e notas explicativas por Carlos Felipe Moiséis, o que torna a leitura mais elucidativa.


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A FRASE DI/VERSA


Todos os dias, sob todos os pontos de vista, eu vou cada vez melhor.

- Emile Coué (Troyes 1857 – Paris – 1926) psicólogo, farmacêutico e ensaísta francês


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DA LAVRA MINHA

LINHAS BARROQUIANAS

Poemas de um verso só

Nº 4



Enzo Carlo Barrocco


TEMPORAL NUM FIM DE TARDE

A chuva fala à floresta a sai linguagem líquida.


BIBLIOTECA

Livros abertos; mentes que se alargam ao mundo.


O POENTE NO ARQUIPÉLAGO

O sol mergulha nas águas pretas das Anavilhanas.


LUAR LITORÂNEO

A lua no mangal – um poema de beleza única única.


POVOADO

Vento rés ao chão. Um cão se enovela na calçada.



ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...