terça-feira, 8 de janeiro de 2013

NUNCA MAIS AS BRANDAS ALVORADAS


Enzo Carlo Barrocco

















Acaso eu partisse amanhã -
A longa noite me abarcaria,
À proa de um batel grotesco
Desapareceria treva adentro.

Nunca mais esta luz vibrante
Contra os dorsos das minhas
Mãos instigantes. Nunca mais,
nunca mais as brandas alvoradas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

HAI-KAIS - 25ª TRÍADE

Enzo Carlo Barrocco


Surge das águas
o sol; o dia nascendo
jangadas  ao mar.


*** 

Chuva nos canteiros,
quiabo, chicória, salsa;
pequena colheita


***

A manhã nublada,
fumaça pelo telhado –
café quentinho.

AS PAISAGENS DO POEMA


Enzo Carlo Barrocco




















Trago agora destoantes
Meus sermões de agonia
Nas largas dunas do dia
Nas paisagens coruscantes.

Costurando céus tingidos
De tintas mirabolantes
Nos horizontes vibrantes
Alguns prazeres fingidos.

Ouço a voz da poesia
Pelos caminhos errantes
Seus apelos delirantes

Soam uma falsa alegria
Jamais eu confiaria
Em seus olhos intrigantes.


ETERNIDADE

Enzo Carlo Barrocco

Teu rosto no vitral, a chuva e a luz
que escorrem lentamente dos meus olhos
ganham a eternidade nos refolhos
destes versos, desesperadamente, azuis.

Nos vitrais, muito embora, embaçados
vê-se ainda o contorno do teu rosto,
é urgente o sorriso anteposto
rente aos teus olhos desolados.

Nas linhas arqueadas destes versos
ponho lume e pedra, cataclismo;
tenho subjúdice  o histerismo

com o qual me diluo e me disperso;
entretanto, vou ter sempre em mim imerso
o teu rosto inteiriço de lirismo.



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A POESIA DA IMAGEM - O CARTÃO POSTAL NA MARÉ BAIXA


DA SÉRIE PAISAGENS 

                                       Foto: Enzo Carlo Barrocco

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A PEQUENA HISTÓRIA DO HOMEM DEPRESSIVO


Enzo Carlo Barrocco
























À beira-mar,
sobre um íngreme penhasco,
um homem contempla
o horizonte distante;
céu e mar.

Embaixo, as ondas se espraiam
sobre as pedras angulosas.
O sol perfura o dia nublado
e a luz se expande
sobre a paisagem.

Súbito, o homem à borda 
do abismo,
como um paraquedista,
se deixa cair.

Devido os ondas não se ouve 
a pancada;
o sol novamente se esconde
entre a nuvens.  

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

HAI-KAIS - 24ª TRÍADE


Enzo Carlo Barrocco



As flores abertas,
o revoo de alguns insetos
sobre as roseiras.

**
 
A praia deserta,
na bela manhã de agosto –
casebres distantes.

**
 
No cais de arrimo
as embarcações  amarradas;
madrugada e estrelas. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

6ª TRÍADE DE MINICONTOS

Enzo Carlo Barrocco



CONFRONTO
Não sei de onde partiu o tiro; percebi apenas um conflito à esquina e os giros rubros das luzes de uma viatura.  Três dias no hospital e ainda não acordei...

O DIA DA CAÇA
Esperava a caça encostado à ucuubeira. Cinco da tarde; mata fechada. Não percebeu uma onça-macho se aproximando. Ouviu o urro. Não deu tempo de detonar a arma.

GARIMPO
Entre a ganga uma pepita do tamanho de um caroço de jaca. Escondeu a pedra. No outro dia, certamente iriam descobrir tudo. Nessa noite quase não dormiu inquieto com o reluzente achado no bolso da calça.

UM POEMA DE JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

PÉROLAS DE CARANANDUBA - CANTO Nº 2

 Enzo Carlo Barrocco


FUTURO
Nasce daqui a esperança
que no futuro verás,
muita luz e muita paz
no choro de uma criança.

INÓPIA
Segue o dia, muito embora,
eu saiba, a fome me espia,
no mais, a melancolia
no adiantado da hora.

TEMPO E SOBRADO
Ergue-se o tempo nublado
sobre o lombo azul do dia,
outra vez melancolia
pelos desvãos dos sobrados.

LUZ-FERIDA
O teu sexo, flor que ouso,
é uma lua bipartida,
rosa estranha, luz-ferida
onde desfruto e repouso.

NAVEGADOR
Procuro (dor de verdade)
no meu lindo barco à vela
os lábios perdidos dela.
num mar de plena saudade.



ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...