segunda-feira, 16 de junho de 2014

A POESIA SUL-AFRICANA DE EUGÈNE MARAIS



O POEMA...


NOITE DE INVERNO

   Ó como é frio o ventinho
   e magro,
   e brilha na luz fosca
   e nu,
   tão largo quão a misericórdia do Senhor,
   jazem os campos à luz da lua e à escura
   E alto nas montanhas,
   espalhado entre os fogos,
   as sementes do capim sussurram
   como mãos que acenam.

   Ó triste a musiquinha
   que vem acompanhada do vento do leste,
   Como o canto de uma menina
   Abandonada ao seu amor.

   Em cada dobra de espiga de capim
   brilha uma gota de orvalho,
   e logo se torna pálida
   vira geada ao vento!


...E O POETA





















Eugène Marais (Pretória  1871 – Pelindaba – 1936)  poeta, contista, ensaísta, jornalista e naturalista sul-africano, pelo fato de ter concluído seus estudos em escolas inglesas começou a escrever seus primeiro poemas nesse idioma. Quando tinha 20 anos Marais fundou jornal Land en Volk (País e Povo). Envolveu-se na política a nível local ao mesmo tempo que lutava para se livrar do uso da morfina. Embora tenha ido para Londres estudar medicina acabou convencido a estudar direito. Marais, como naturalista, lançou vários ensaios de cunha científico. Eugène Marais é reconhecido como o pai do estudo científico do comportamento dos animais, a Etologia. Seu trabalho foi traduzido para várias línguas. Seu mais célebre poema chama-se Winternag (Noite de inverno) considerado o primeiro poema em afrikaans de mérito literário. 


quarta-feira, 4 de junho de 2014

UM POEMA

 Enzo Carlo Barrocco
















Um poema: a manhã se levanta
com sua cara de sono
preguiçosamente inadiável.

A libido transformada em luz,
louca madrugada de orgasmos
e palavras pornográficas;
o suspiro e o riso profanados.

Preguiçosamente inadiável,
com sua cara de sono,
a manhã se levanta.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

A TENDA DOS BLOGUEIROS - Zekzander "Cacos para um vitral".



H.P. Lovecraf e os Gatos.

Dizem que em Ulthar, lá atrás do rio Sakai, ninguém jamais mata um gato; e ao olhar para aquele que ronrona perto do fogo aceso na lareira, sei que é verdade. Pois o gato é o enigma chegado às coisas que o homem não consegue ver. Ele é a alma do Egito Antigo, conhecedor de histórias das cidades esquecidas de Meroe e Ophir. É sangue do sangue dos senhores das selvas, herdeiro dos segredos da África venerável e sinistra. Primo da Esfinge, fala a sua língua e, ainda mais antigo, se lembra de coisas que a Esfinge já esqueceu.

POASTADO POR ZEKZANDER
22.09.2013

http://zekzander.blogspot.com.br/

terça-feira, 20 de maio de 2014

LIBÉLULAS RUBRAS - 20ª TRÍADE



MUDANÇA

Tudo muda.
Até a minha rua
reta, geométrica, inflexível
muda conforme os dias,
sutilmente
Ante as pegadas do tempo.


ENCHENTES

A chuva trouxe um poema.
Hoje?
Infelizmente, não!
Apenas lixo, sujeira, enchente.
A paisagem enfarruscada
desmantelando a manhã


A LUZ INACABÁVEL

Seria  uma chama que se acendesse
nos confins da memória.
O início do teu universo,
teus eclipses,
teus dias claros;
tua alma é uma luz inacabável.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

LIBÉLULAS RUBRAS - 5ª TRÍADE

Enzo Carlo Barrocco


PAUTAS MORTAIS

Pautas mortais
os fios retesos!
    A música inox
espanta o pássaro
no verde-pálido
sonoro da cidade.


A BOMBA

A bomba,
cogumelo infernal,
arrebenta teus olhos;
pássaro louco
    sob o silêncio da queda.


BELA TARDE

Sol de ocaso,
bela tarde,
        acaso,
algures
outro dia
        arde.



ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...