segunda-feira, 4 de maio de 2020

NA SEARA DOS ESCRITORES: ALPHONSUS DE GUIMARAENS

por Enzo Carlo Barrocco

Afonso Henrique da Costa Guimarães (Ouro Preto 1870 – Mariana, MG 1921) poeta e jornalista mineiro, que tinha como pseudônimo Alphonsus de Guimaraens
era sobrinho-neto do também escritor Bernardo Guimarães.
Em 1889, perdeu prematuramente a prima e noiva Constança, filha de Bernardo, que o abalou moral e fisicamente. Em 1890, já em São Paulo, ingressou na Faculdade de Direito se formando em 1895. Em São Paulo colaborou na imprensa. No Rio de Janeiro, em 1895, conheceu o poeta catarinense Cruz e Souza, o qual admirava tornando- se amigo pessoal. Foi juiz-substituto e promotor na cidade de Conceição do Serro, hoje Conceição do Mato Dentro, MG. Em 1897, casou-se com Zenaide de Oliveira. Posteriormente, em 1899, estreou na literatura com dois volumes de versos: Setenário das dores de Nossa Senhora e Câmara Ardente, e Dona Mística, ambos de nítida inspiração simbolista. A partir de 1900 começou a trabalhar como jornalista em "A Gazeta", de São Paulo. Kyriale, publicado em 1902, sob o pseudônimo de Alphonsus de Guimaraens, projetou o poeta no universo literário, obtendo assim reconhecimento, ainda que restrito de alguns raros críticos e de amigos mais próximos. Em 1903, Alphonsus perdeu o cargo de juiz-substituto, o que o levou a graves dificuldades financeiras. Alphonsus, então, foi nomeado para a direção do jornal político Conceição do Serro, onde também colaborariam seu irmão, o poeta Archangelus de Guimaraens, Cruz e Souza e José Severino de Resende. Se transferiu para Mariana, MG, onde tomou posse como juiz municipal, levando consigo sua esposa Zenaide de Oliveira, com quem teve 15 filhos, dois dos quais também escritores: João Alphonsus (1901-1944) e Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008). Devido seu isolamento completo ficou conhecido
como "O Solitário de Mariana", apesar de ter vivido lá com a mulher e com seus filhos. Sua vida, nessa época, passou a ser dedicada basicamente às atividades de juiz e à elaboração de sua obra poética que é marcadamente mística e envolvida com religiosidade católica. Seus sonetos apresentam uma estrutura clássica e são profundamente religiosos e sensíveis, a medida em que explora o sentido da morte, do amor impossível, da solidão e da inadaptação ao mundo. Alphonsus de Guimaraens é simultaneamente neo-romântico e simbolista. Alphonsus é um dos principais autores simbolistas brasileiros. Traduziu poetas como Stéphane Mallarmé.
Sua poesia é quase toda voltada para o tema da morte da mulher amada. Embora preferisse o verso decassílabo, chegou a explorar outras métricas, particularmente a redondilha maior (terminado em sete sílabas métricas). O seu poema Ismália, é uma das mais lindas obras da literatura brasileira. Aqui seu livro Melhores Poemas Alphonsus de Guimaraens: seleção e prefácio de Alphonsus De Guimaraens Filho, 4a. Edição, uma seleção com os melhores poemas deste que foi um dos maiores escritores brasileiros.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

RAMÓN VALDÉS NA MÁQUINA DO TEMPO

Ramón Valdés esplêndido ator e comediante mexicano, internacionalmente conhecido pelo personagem "Seu Madruga" na série de televisão "Chaves", aqui aos 2 anos, em 1925.


quinta-feira, 2 de abril de 2020

J.R.R. TOLKEIN NO DIÁRIO DOS PENSADORES


JIRAU DOS CÉLEBRES: HELENA DOS SANTOS

por Enzo Carlo Barrocco

Helena dos Santos Oliveira (Conselheiro Lafaiete 1922 - Rio de Janeiro 2005), compositora mineira, ficou famosa por suas composições para um jovem cantor chamado Roberto Carlos.
Helena dos Santos era uma mulher humilde, que sofreu problemas diversos antes da fama. Sua família jamais poderia imaginar que Helena um dia pudesse ficar famosa. Com a morte da mãe passou a viver com a madrasta até os 11 anos, quando se mudou com uma irmã e o cunhado para o Rio de Janeiro. Helena trabalhou numa fábrica de tecidos, depois em uma loja de confecções masculinas, onde aprendeu o ofício de costurar. Sofreu um acidente de trem passando dois anos sem trabalhar. Depois que se recuperou conseguiu um emprego de doméstica. Quando completou 17 anos, conheceu Lauro de Oliveira, morador de Cabo Frio, que iria ser seu marido. Helena teve seis filhos. Com a morte do marido Helena se viu numa situação de grande desamparo financeiro. Passou, algum tempo, fazendo faxina, mas sempre costurando pra fora. Helena fez, apenas o primário, ainda em Conselheiro Lafaiete, mas conseguiu desenvolver a forma da composição musical e o trabalho com rimas que seu marido ensinara. Com o advento da Jovem Guarda, Helena compôs uma música naquele estilo na qual intitulou "Na Lua Não Há", em 1963. Então começou a procurar um artista que quisesse gravar sua canção. Durante esse periodo fez uma visita à Rádio Nacional e, a muito custo, conheceu o ainda iniciante Roberto Carlos, que gostou de sua composicão e resolveu gravá-la em seu LP de estreia, " Splish Splash". Então uma grande amizade começou entre os dois, que renderia dez composições de sucesso, das quais três seriam escritas em parceria com o compositor Edson Ribeiro. Daí pra frente Helena melhorou sensivelmente de vida, mudando-se com seus filhos para um apartamento no Bairro do Horto Florestal no Rio de Janeiro. Em 1970, lançou um livro intitulado "O Rei e Eu", publicado à época pela Revista "Contigo", em capítulos nos quais conta detalhes de sua relação com Roberto Carlos, do qual era também um confidente. Helena faleceu em 2005, aos 83 anos de idade. As composições de Helena gravadas por Roberto Carlos são: "Na Lua Não Há" (1963); "Meu Grande Bem" (1964); "Como É Bom Saber" (1965); "Sorrindo Para Mim" (1965); "Esperando Você" (1966); "Fiquei Tão Triste" (1967); "Nem Mesmo Você" (1968); "Do Outro Lado da Cidade" (1969); "O Astronauta" (1970), em parceria com Edson Ribeiro; "Agora Eu Sei" (1972), em parceria com Edson Ribeiro; "Recordações" (1982), também, em parceria com Edson Ribeiro.

Helena e Roberto, anos 1960.


ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...