sexta-feira, 28 de setembro de 2007

NEOLOGISMO












BORIS PASTERNAK E A POESIA DO LESTE EUROPEU


Boris Pasternak

(Moscou 1890- Peredelkino1960)

Poeta e romancista russo

O DOM DA POESIA

Deixa a palavra escorregar,
Como um jardim o âmbar e a cidra,
Magnânimo e distraído,
Devagar, devagar, devagar.

Tradução de Augusto de Campos

terça-feira, 25 de setembro de 2007

CIO

Enzo Carlo Barrocco




Olha-se
nua, inquieta,
égua branca no cio,
inquieta;
a imagem lhe salta à frente
do espelho;
longos dedos no rego semiglabro

Verga-se à frente, afasta as pernas,
vulva inquieta,
afaga a lingüeta carmim.
- sépala viscosa.
O suco ensopa o dedo;
magma hormonal inundando a cava.


A POESIA MAIOR DE MANUEL BANDEIRA


Manuel Bandeira
Recife 1886 - Rio de Janeiro 1968
Poeta, cronista e ensaísta pernambucano


Rondó dos Cavalinhos

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
Tua beleza, Esmeralda,
Acabou me enlouquecendo.

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O sol tão claro lá fora
E em minhalma — anoitecendo!

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
Alfonso Reys partindo,
E tanta gente ficando...

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
A Itália falando grosso,
A Europa se avacalhando...

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O Brasil politicando,
Nossa! A poesia morrendo...
O sol tão claro lá fora,
O sol tão claro, Esmeralda,
E em minhalma — anoitecendo!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

TIA ZIRLA

Miniconto
por Enzo Carlo Barrocco
Eram, sem bem me lembro, sete horas da manhã. Havia uma “puxada” da cozinha para trás, onde se tomava o café da manhã, se almoçava, se conversava. Tia Zirla (21 anos completados), vinda de Baieux, ficara conosco alguns dias. Casa do interior você sabe, o banheiro é longe. Então, naquela manhã, ouvi um sibilo para um dos lados da casa. Eu, sozinho que estava, levantei-me para ver o que era, por curiosidade, apenas. Só inclinei a cabeça para ver por trás da parede. Nossa!!! Meu coração subitamente acelerou e fiquei estático no alto dos meus 12 anos. Tia Zirla agachada ao pé de uma planta urinava despreocupadamente. Ai! Bem de frente para onde eu estava. Diante daquela esplêndida e fascinante visão comecei a tremer. Que sexo lindo ela tinha - lábios grossos, clitóris rubro, delicadamente depilado nas extremidades. Ao fim de tudo e sem que ela me visse corri como um louco para o cipoal.


sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A PAISAGEM EM FRENTE




OSWALD DE ANDRADE: UM MODERNISTA DE QUATRO COSTADOS


OSWALD DE ANDRADE
São Paulo 1890 – Idem 1954
Poeta, romancista e dramaturgo e jornalista paulista

A DESCOBERTA

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

COM ISMAEL NERY POR OUTROS CAMPOS DE TRIGO

por Enzo Carlo Barrocco



Ismael Nery, pintor, desenhista, ilustrador, cenógrafo, poeta e filósofo paraense (Belém 1900 – Rio de Janeiro 1934) aos nove anos de i
dade se mudou com a família para a então Capital Federal. Em 1915, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, no entanto a abandonou algum tempo depois, pois não se adaptou à disciplina escolar. Em 1920, viajou para a Europa tendo freqüentado a Academia Julian, em Paris. Voltou ao Brasil algum tempo depois vindo a trabalhar no Patrimônio Nacional do Ministério da Fazenda, onde conheceu o poeta Murilo Mendes (Juiz de Fora 1901 – Lisboa 1975), seu amigo por toda a vida. Em 1922 casou-se com a poeta Adalgisa Ferreira (Rio de Janeiro 1905 – Idem 1980) que depois viria a ser conhecida como Adalgisa Nery. Em 1926, Ismael deu início a um sistema filosófico de fundamentação católica e neotomista, cujo nome Murilo Mendes batizou de Essencialismo, mas esse sistema em nada se converteu visto que Ismael não deu prosseguimento a ele. Em 1927 fez outra viagem à Europa onde entrou em contato com o pintor bielorusso Marc Chaggal (Vitebsk 1887 — Saint-Paul-de-Vence, França, 1985) e outros pintores surrealistas. Sua obra sofreu influências importantes como a metafísica do pintor italiano nascido na Grécia Giorgio de Chirico (Vólos 1888 – Roma, Itália 1978) e do cubismo do pintor espanhol Pablo Picasso (Málaga 1881 – Mougins, França 1973). A figura humana, retratos, auto-retratos e nus são as suas preferências. Trabalhou, também, em várias técnicas aplicadas em desenhos e ilustração de livros. Em 1931, contraiu tuberculose e, a partir daí, suas figuras tornaram-se mais viscerais e mutiladas. Durante os seus 33 anos de vida participou somente de três exposições individuais e outras quatro coletivas. Esquecido por mais de 30 anos foi resgatado a partir da VIII Bienal de São Paulo, em 1965. Nery era um homem à procura de si mesmo. Renegava veementemente a condição de pintor, preferindo ser filósofo. Mendes escreveu para o jornal o Estado de São Paulo: “...Nery achava que muitas intenções da pintura já estavam realizadas definitivamente; por exemplo, a primeira vez que viu Tintoretto, achou inútil continuar a pintar...”. Os críticos dividem a obra de Nery em três fases: de 1922 a 1923, a expressionista; de 1924 a 1927, a cubista, com evidente influência da fase azul de Pablo Picasso; finalmente, de 1927 a 1934, adotou o surrealismo, sua fase mais importante e promissora. Murilo Mendes preservou alguns desenhos e poesias de seu amigo, sendo responsável pelo redescoberta de Nery nos anos 1960. Portanto, meus amigos, homenageemos Ismael porque homenagens, sob todos os aspectos, ele merece.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

JIRAU DI/VERSO nº 9

JIRAU DIVERSO
Nº 09 – novembro.2006por Enzo Carlo Barrocco
A poesia sul-mato-grossense de Raquel Naveira
O POEMA
JASMIM-DO-CABO

Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
aquela flor que perfuma,
embalsama,
derrama óleo grosso
nos pés da noite.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
o dia transcorreria em agonia,
mas a lua viria
desatar os laços da magia
e nos tiraria o fôlego.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
absorveríamos no pulmão
uma torrente de pétalas brancas
e voaríamos como anjos
tocando banjos na noite.


A POETA

Raquel Naveira, sul-mato-grossense de Campo Grande, poeta e ensaísta, no convés da fragata desde 1957, é uma das poetas mais engajadas no que se refere às atividades culturais do Centro-Oeste. A poesia pura, direta e que pode ser bebida na concha da mão chamou a atenção de famosos escritores como Lygia Fagundes Telles, Antônio Houaiss e Ledo Ivo que reconhecem e apreciam o belíssimo trabalho de Raquel que, inclusive, pertence à Academia Sul-mato-grossense de Letras.
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ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis


“Pra Valer a Vida” (poesias)
Autor: Dalton Luiz Gandin
Edição do Autor
Um pequeno, mas excelente livro de Gandin, poeta de São José dos Pinhais – PR. Trova, hai-kais e poemas livres ilustrados com belas fotos em preto-e-branco.

“O Nariz Curvo” (contos)
Autor: Haroldo Maranhão
Edição: Secult / Imprensa Oficial do Estado do Pará
A escrita de Haroldo Maranhão é uma navalha afiadíssima. Aqui oito contos habilmente construídos. Alguns pornograficamente belos.

“Poemas de Angola” (poesias)
Autor: Agostinho Neto
Edição: Editora Crodecri Limitada
A poesia engajada pela sofrida África colonialista, mormente Angola, à época mergulhada numa guerra civil sem precedentes. Agostinho Neto se tornaria o primeiro presidente Angolano.

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A FRASE DI/VERSA
Na adversidade conhecemos os recursos de que dispomos.
- Horácio (Venúsia 65 – Roma 8 a.C.) poeta romano

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DA LAVRA MINHA



ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...