quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A TENDA DOS BLOGUEIROS - RONALDO FRANCO

Que prisão tem a chuva



se quando cessa

.

continuamos dentro dela ? ...

.

* Ronaldo Franco ( Do livro > Cidade Velha )

.

DO BLOG DO RONALDO FRANCO


http://ronaldofranco.blogspot.com/

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

EM TEMPO:

JIRAU DIVERSO Nº 31

JIRAU DIVERSO

Nº 31– setembro.2008

por Enzo Carlo Barrocco


A POESIA PARAIBANA DE BELO DE SOUZA


O POEMA


A FLOR

Se queres ser feliz

Medita todos os dias

Na beleza que se apresenta

Diante de ti

Olha aquela flor

Uma formosura perfeita

Criação superior

Tanto quanto as estrelas.


O POETA


José Belo de Souza, paraibano de Guarabira, poeta, no convés da fragata desde 1947, direciona a sua poesia para a leveza e a simplicidade das exuberantes paisagens paraibanas. Até pouco tempo, Belo era um simpático vendedor de pastéis na praia do Cabo Branco, em João Pessoa. Hoje, como membro da Academia Paraibana de Poesia, vê seu livro “Sentimento das Horas”, publicado em 2005 pela UFPB, já na 2ª edição. O meio-ambiente tem na pessoa de José Belo de Sousa um importante defensor.


ESTANTE DE ACRÍLICO


Livros Sugestionáveis


Porantim (Poesias)

Autor: João de Jesus Paes Loureiro

Edição: Editora Civilização Brasileira

A voz de Paes Loureiro ecoa mata adentro alertando bichos e homens quanto ao aniquilamento da floresta. Belos cânticos que nos levam a lugares esplêndidos e eivados de poesias.


Versejar a Voz do Ser é Ser de Si Algoz (Poesias)

Autor: Adriano Smaniotto

Edição: Fundação Cultural de Curitiba e Imprensa Oficial do Paraná

A poesia práxis aqui bem representada, embora alguns poemas não sejam amarrados somente a esse estilo. Assim o autor vai tecendo a sua trama poética forjada com a competência de seu estilo personalíssimo.


Romeu e Julieta (Teatro)

Autor: William Shakespeare

Edição: Editora América do Sul Ltd.

Poucos desconhecem esta maravilhosa estória, embora poucos a tenham lido. Uma peça de teatro concebida pela mente genial de William Shakespeare, ícone da literatura mundial.


***


A FRASE DI/VERSA

A ignorância é uma situação que isola a pessoa tão hermeticamente quando uma prisão.

- Simone de Beauvoir (Paris 1908 – Idem 1986) romancista, ensaísta e filósofa francesa


DA LAVRA MINHA


SENTENÇA


Enzo Carlo Barrocco


Um pé de manga germina no quintal;

evidente sua morte prematura

pelo fato

de um terreno delimitado.

Um broto afoito e iluminado

Ganhando vida

entre a insipiência dos estúpidos.


Como uma ninhada de gatos

jogados na rua

à própria sorte,

aquela árvore

não sentirá o sopro de Deus

nas noites de outubro.


terça-feira, 9 de setembro de 2008

A FORÇA POÉTICA DE RICARDO ALEIXO



Incontáveis linhas



incontáveis linhas
como que dispersas
impensáveis línguas
como que dos persas
cruzam-se no infinito:
ou tornam-se linguagem
ou deixam o dito
por não dito



segunda-feira, 8 de setembro de 2008

MANUEL: BANDEIRA DO MODERNISMO

por Enzo Carlo Barrocco

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho, poeta, cronista, historiador e crítico de artes (Recife 1886 – Rio de janeiro 1968) aos dez anos mudou-se para a então Capital Federal onde foi estudar. Muito cedo contraiu tuberculose, doença que ameaçou sua saúde ao longo de sua vida. Esteve até em Clavadel, cidade suíça, a fim de se tratar da doença. No sanatório em Clavadel conheceu o poeta francês Paul Eluard (St. Denis 1895 – Paris 1952) com o qual manteve contato literário. De volta ao Brasil, Bandeira iniciou sua produção literária em periódicos da época. Publicou seu primeiro livro, “Cinza das Horas”, em 1917. No segundo livro, “Carnaval”, Bandeira evidenciava a busca da simplicidade. Nesse livro figura o célebre ‘Os Sapos’ , poema que foi escolhido pelos promotores da Semana de Arte Moderna como hino do movimento. O poeta foi cognominado pelo também poeta, romancista e ensaísta paulista Mário de Andrade (São Paulo 1893 - Idem 1945) como o “São João Batista do Moderninsmo”. Bandeira conheceu, por essa época os escritores paulistas que em 1922 lançaram o movimento do Modernismo. O poeta colaborou na revista Klaxon e mantinha contato direto com os modernistas. Como crítico de literatura e historiador literário, Bandeira consagrou-se pelo estudo sobre “As Cartas Chilenas” do poeta português, que viveu muito tampo no Brasil, Tomás Antônio Gonzaga (Porto 1744 – Maputo, Moçambique 1810), além do esboço biográfico do poeta, ensaísta e drtamaturgo maranhense Gonçalves Dias (Caxias 1823 - em naufrágio, no baixio dos Atins, MA 1864), além de ter organizado várias antologias de poetas brasileiros. Toda a sua obra foi reunida nos volumes “Poesia e Prosa”, em 1958, contendo estudos críticos e biográficos.
Bandeira é tido como o precursor do Modernismo pelas inovações surpreendentes de seu livro “Carnaval”, de 1919. Entretanto o humor de Bandeira só se desenvolveu em seu quarto livro, “Libertinagem”, de 1930. Nessa obra tornou-se visível a influência da Semana de Arte Moderna de 1922. A produção de Manuel Bandeira vai do simbolismo à poesia concreta, valorizada pela maestria dos versos e o grande poder de síntese. Fiquemos, portanto, com três raríssimas jóias produzidas pelo vasto universo da mente de Bandeira.

RONDÓ DOS CAVALINHOS

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
Tua beleza, Esmeralda,
Acabou me enlouquecendo.

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O sol tão claro lá fora
E em minh´alma — anoitecendo!

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
Alfonso Reys partindo,
E tanta gente ficando...

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
A Itália falando grosso,
A Europa se avacalhando...

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O Brasil politicando,
Nossa! A poesia morrendo...
O sol tão claro lá fora,
O sol tão claro, Esmeralda,
E em minh´alma — anoitecendo!


TESTAMENTO

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

PENSÃO FAMILIAR

Jardim da pensãozinha burguesa.
Gatos espapaçados ao sol.
A tiririca sitia os canteiros chatos.
O sol acaba de crestar as boninas que murcharam.
Os girassóis
amarelos!
resistem.
E as dálias, rechonchudas, plebéias, dominicais.

Um gatinho faz pipi.
Com gestos de garçom de restaurant-Palace
Encobre cuidadosamente a mijadinha.
Sai vibrando com elegância a patinha direita:
— É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O DIÁRIO DOS PENSADORES - PÁGINA N° 30

A glória é tanto mais tardia quanto mais duradoura há de ser, porque todo fruto delicioso amadurece lentamente.

- Arthur Schopenhauer (Dantzig 1788- Frankfurt 1860) filósofo alemão


O progresso e o desenvolvimento nada representam se sufocam a liberdade, atropelam direitos e oprimem os homens.

- José Sarney (Pinheiro 1930) poeta, romancista e político maranhense, ex-presidente da República


É nosso dever proteger o maior patrimônio nacional, porque a

nação que destrói o seu solo destrói a si mesma.

- Theodore Roosevelt (Nova York 1858 – Oyster Bay 1919) político e ex-presidente americano


Ah! O que seria do governo se o povo pudesse falar pela boca do estômago!

- Max Nunes (Rio de Janeiro 1922) produtor de TV, contista e humorista fluminense


Onde falta a justiça, a sociedade está ameaçada por dentro.

- João Paulo II (Wadowice 1920 – Roma 2005) poeta cristão, bispo polonês, Papa da Igreja Católica


A consciência é o melhor livro que podemos consultar.

- Blaise Pascal (Clermont 1623 – Paris 1662) filósofo, matemático, físico, teólogo e ensaísta francês


Só compreendemos o amor de nossos pais quando nos tornamos pais.

- Henry Ward Beecher (Litchfield 1813 – Nova York 1887) ensaísta e editor americano


A maior parte da humanidade está cansada devida à excessiva pressão de luta pelo querer, para se permitir uma nova e severa contra o erro.

- Friedrich von Schiller (Marback 1759 – Weimar 1805) poeta e dramaturgo alemão


Pontualidade é a coincidência de duas pessoas chegarem com o mesmo atraso.

- Leon Eliachar (Cairo 1923 – Rio de Janeiro 1987) contista, cronista e humorista brasileiro nascido no Egito


É melhor fazer a coisa mais insignificante do mundo do que perder meia hora.

- Goethe (Frankfurt 1749 – Weimar 1832) poeta, dramaturgo, ensaísta e romancista alemão


O entusiasmo é uma aurora que não termina.

- Federico Garcia Lorca (Funtes Vaquero 1898 – Granada 1936) poeta e dramaturgo espanhol


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

NINGUÉM RESPEITA MAIS O VELHO CAETÉ.

Crônica

por Enzo Carlo Barrocco



Rio Caeté: visto da ponte da Vila do Tentugal


Semana passada estive na região do Rio Caeté (Santa Luzia, Tracuateua, Bragança) visitando alguns parentes e amigos que moram nas zonas rurais daqueles municípios. O Caeté é o maior curso d´água da Zona Bragantina, nordeste do Pará, com aproximadamente 100 quilômetros de extensão, cuja nascente localiza-se no município de Bonito e corre no sentido sul-norte, atravessando, a certa altura, a Rodovia BR-316 (chamada Pará-Maranhão), sendo que, um pouco mais abaixo, passa ao lado da vila do Tentugal onde, há pouco tempo se construiu uma ponte ligando o município de Santa Luzia aos municípios de Bragança e Tracuateua, via estradas de terra – os chamados ramais. O rio passa por alguns povoados até alcançar a vila do Mocajuba na estrada do Campinho; serpenteia pelas terras bragantinas até chegar à sede do município formando, mais abaixo, a Baía do Caeté, antes de chegar ao oceano. O rio recebe importantes afluentes ao longo do seu curso, como o Anourá, pela margem esquerda, o Muruteua e o Tipitinga pela margem direita. Na adolescência eu andava muito por aquela região, pois minha avó materna morou muito tempo à margem direita do rio na confluência com o Muruteua. Naqueles tempos o rio se mostrava para mim como um respeitável e caudaloso acidente geográfico, principalmente no tempo das cheias. Na verdade o rio parecia mais temível, mais portentoso. A sua fauna e a sua flora pareciam intocadas. Evidentemente existiam mais espécies de pássaros e animais silvestres (hoje, certamente, essa diversidade é menor). O que mais me deixou perplexo é a quantidade de balneários que se construiu à margem do rio, dando a entender que aquelas porções de terra e água têm legítimo dono, fora os detritos que são jogados poluindo, sobremaneira, o curso d´água. Lamentável, lamentável! Outro ponto contra o rio são os desmatamentos que os pequenos agricultores e fazendeiros ordenam a fim que o gado chegue à margem para beber. Os próprios ribeirinhos pescam usando bombas, prática que deveria ser sumariamente proibida para a própria segurança e para o próprio futuro do povo que depende do rio. Ninguém respeita mais o velho Caeté, cantado e decantado em verso, prosa e música. Peço encarecidamente que as autoridades (Ibama, Secretaria do Meio-ambiente etc.) comecem a fazer uma fiscalização para que no futuro não tenhamos, apenas, velhas lembranças.


UMA FLOR DO CANTEIRO DE RÉGIS


Régis Gonçalves
(Santa Bárbara 1940)
Poeta e jornalista mineiro

Zumbizonga

Nem Irene
nem Maria:
Efigênia, de pia.
Cata dura
dessas lavras
novas minas.

Guerrilheira
mãe coragem
congadeira
quilombola.

Carabina.



segunda-feira, 1 de setembro de 2008

SETE LINHAS PARA LOGO MAIS

Enzo Carlo Barrocco



Teus peitos estonteantes,

dois lindos montes carnais

fazem no teu corpo nu

imagens sensacionais,

é a paisagem mais linda

que desejo ver, ainda...

escuna amarrada ao cais.


Vem andando pela sombra

teu corpo brando e esguio,

a vulva bem depilada

cheiro de mulher no cio;

incita a vulgaridade

o pouco de claridade,

lua pesada de abril.


Também não importa o tempo,

importa o que vais me dar:

um pouco de sal e hormônio

trazidos do alto-mar,

um vasto sol do Saara,

um fogo azul de coivara,

uma canção de ninar.


ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...