quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

ETERNOS VAGÕES



Enzo Carlo Barrocco


 



















Nenhuma linha atrasada
e os  trens de eternos vagões,
saem e chegam às estações
na hora deliberada.

E nessas longas viagens
os bilhetes condizentes,
passageiros indolentes
vão desfrutando as paisagens.

Logo mais desponta à frente
outra pequena estação;
descerão alguns viajantes

outros tantos subirão,
assim prossegue a viagem
constante desilusão.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

PÉROLAS DE CARANANDUBA - CANTO Nº 16



Enzo Carlo Barrocco


UMA TARDE ENSOLARADA

Um sol pleno se derrama
sobre a tarde, e bem me lembro,
é quente o mês de setembro,
a natureza se inflama.


ESTRESSE

O estresse me invade a alma,
esse barulho infernal;
silêncio incondicional
realmente é o que me acalma.


OCASO RIBEIRINHO

Uma canoa aparece
aquém da curva do rio,
caem juntos tarde e frio –
toda a floresta esmaece.


ROTEIRO BRAGANTINO

Roteiro primordial,
conforme o transporte avança,
a viagem até Bragança
é algo sensacional.


DOENÇA INCOMUM

Escrevo tenho, afinal,
uma doença incomum,
e sei que remédio algum
vai me livrar desse mal. 


CLAUDE-ADRIEN HELVÉTIUS NO DIÁRIO DOS PENSADORES



















sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

COLHEITA

Enzo Carlo Barrocco





















Colho  as manhãs de chuva
e folhas,
de gente embuçada;
colho este poema avulso.

Lavoura branca de luas inexistentes,
eitos rubros de palavras.
Ainda restam orvalhos pelos versos
e um vento agudo no meu rosto azul.

Colho as manhãs de chuva
e folhas
de gente embuçada;
colho este poema  avulso.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

OCÉLIO DE MEDEIROS E A POESIA DO ACRE



O POEMA...

ACRE: VOLTA À VIDA SIMPLES

O meu caleidoscópio é o pensamento,
que imagens do Acre forma em minha mente:
é o rio que dobra um porto lamacento...
é o barranco... é a floresta... é a minha gente...

Mas sinto mais sua falta no momento
em que a gente por algo se ressente:
por qualquer coisa brigo, me apoquento,
e um nada faz ferver meu sangue quente!...

Meu corpo é a Terra do Acre enrubescida
na luta dos meus pais e antepassados...
é o povo... é a sua borracha... é a sua lida...

Por isto do Acre sinto impregnados
meu sangue, minha carne, minha vida
e o tempo em que fui gente em dias passados...


...E O POETA 












Océlio de Medeiros (Xapuri 1917 – Rio de Janeiro 2008) poeta, contista, romancista e jornalista acreano foi um dos grandes escritores do norte do Brasil do século passado e início deste. Océlio viveu por algum tempo em Belém, onde concluiu os estudos e iniciou a vida no magistério e no jornalismo (“Folha do Norte” e “O Estado do Pará”), além de atuar na militância estudantil contra a ditadura do Estado Novo.  Por um tempo, quando voltou a morar em Rio Branco, o poeta esteve à frente da luta dos seringueiros acreanos contra os desmandos dos grandes agropecuaristas do Estado. Acabou por ser perseguido. As paisagens acreanas são presentes em vários textos do escritor, principalmente na poesia, onde teve excelente desempenho.


ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...