terça-feira, 12 de junho de 2007

A POESIA TAPAJÔNICA DE ZEMARIA PINTO


Zemaria Pinto
Santarém 1957
Poeta, dramaturgo e ensaísta paraense

Noturno, Opus 1

tua sombra salta do chão
e vai além da minha cabeça

teu olho majestoso e nu
clareia o espaço em minha volta

estás nua e todo teu corpo brilha
indiferente à incandescência dos faróis
e ao gemer dos edifícios em chamas

quarta-feira, 6 de junho de 2007

LUZ

A TRADIÇÃO POÉTICA MINEIRA EM AFONSO HENRIQUES NETO


Afonso Henriques Neto
Belo Horizonte 1944
Poeta mineiro

POEMA

A paisagem não vale a pena.
Pesa dizê-lo assim tão duramente,
mas o que posso fazer contra os mascarados

que penetraram os altos muros

e agora coabitam os aposentos desolados?

Já não vale a pena a manhã.

Os embuçados chegaram em surdina

e foram destroçando todos os pilares,

todas as primaveras, as lúcidas esperanças,

vultos tão horrendos que paralisaram o dia.

A noite não significa mais nada.

As casas dormem e não significam nada.
O vento cortou-se em mil fatias de desespero.

Que dimensão canta além da treva,

a face repousada, os olhos claros?

FLORES DE TRACUATEUA - Canto nº 2






































































terça-feira, 5 de junho de 2007

JIRAU DI/VERSO N° 3

JIRAU DI/VERSO
Nº 03 – Maio.2006
por Enzo Carlo Barrocco

A Poesia Acreana de Jorge Tufic

O POEMA

Voragem

Rostos que nunca vi, jacintos murchos
cujas sonatas frias me tocaram,
estes rostos não quero: eles são breves
no desfile das pálpebras cerradas.

Penso naqueles outros, familiares
rostos de toda vida. Cata-ventos
da rua ainda sem nome, alagadiço
porão da infância, arpejos e trigais,

dai-me a ver novamente ou mesmo em sonho,
estes semblantes nunca repetidos,
graves alguns, mas todos inseridos

na memória dos dias voluntários.
Cemitério, talvez, dessas lembranças,
todas, em mim, são rosas e crianças.


O POETA

Jorge Tufic, poeta, cronista, ensaísta e jornalista, acreano de Sena Madureira, no convés da fragata desde 1930, é um vigoroso poeta amazônico, que camba o seu discurso poético para o universo regional. Os anseios do homem amazônico dão cores a sua vibrante poesia. A partir do início da década de 90, fixou-se em Fortaleza – CE, dedicando-se exclusivamente à literatura. Sua estréia literária aconteceu em 1956, com a publicação de Varanda de Pássaros.

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Estante de Acrílico
Livros Sugestionáveis

“
Noites Brancas” (Novela)
Autor: Fiódor Dostoievski
Edição: Editora América do Sul Ltd.
O amor não correspondido entre um homem solitário e uma mulher apaixonada por outro homem. Uma história trivial, mas sob a perspectiva de Dostoievski ganha refino e sofisticação.

“Paris é uma Festa ” (Romance)
Autor: Ernest Hermingway
Edição: Editora Civilização Brasileira S.A.
A Paris entre os anos de 1921 e 1926, retratada sob o olhar aguçado de Hermingway. “Paris é uma Festa” é uma de suas obras menos conhecidas, no entanto, não menos interessante.

“Obras completas” (Poesias)
Autor: Rodrigues Pinajé
Edição: Cultural/Cejup
O Príncipe dos Poetas Paraenses e toda a sua obra reunida nesta antologia poética. Pinajé foi, e continua sendo, um dos nossos grandes poetas e merece toda e qualquer homenagem que possamos lhe prestar.

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A FRASE DI/VERSA

”Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males”.
- François Marie Arouet, o Voltaire (Paris 1694 – Idem 1778) contista, romancista, dramaturgo e filósofo francês

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DA LAVRA MINHA

GEOMETRIA

Enzo Carlo Barrocco

Pouca luz
assoma a tua sombra
em mim.
A mão, lua-mão,
encontra a minha mão.
No mais, amor,
desejo a sombra que a pouca luz assoma.

Nem ouso o sensual
já que teu sorriso é geométrico e fatal.

A POESIA ILUMINADA DE ÂNGELO D´ÁVILA


Ângelo d´Ávila
Araxá, 1924
Poeta e contista mineiro

SINAIS DE CHUVA NO SERTÃO

Quando acorda a cigarra-do-sertão,
solta o assobio a favor do vento,
não é cantiga, é aviso, é sofrimento,
gemido aterrador da sequidão.

O ronco dos guaribas é trovão
que responde depressa esse lamento,
marruás chifra barranco e o jumento
bate a pata no cupim, arranca chão.

Saparia dá sinal... e os paturis,
águas-sós dão foguetes na lagoa,
os ventos batem palmas nos buritis.

Os olhos têm sorriso, o céu descerra
seus cílios sobre o sol, vem chuva boa,
vêm lágrimas do céu regar a terra.


sexta-feira, 1 de junho de 2007

QUEREM ACABAR COMIGO! - A BIOGRAFIA QUE O REI PROCESSOU

Resenha

por Enzo Carlo Barrocco




O historiador Paulo César Araújo lançou recentemente o livro Roberto Carlos em Detalhes (Editora Planeta do Brasil, 2006, 450 páginas), que é a biografia do cantor e compositor, contando minúcias de sua vida que, inclusive, o aborreceu a ponto de processar o autor para que o livro fosse retirado de circulação. Araújo pesquisou exaustivamente e reuniu em torno de 200 entrevistas exclusivas. Análises pormenorizadas dos momentos mais importantes da vida de Roberto, desde Cachoeiro do Itapemirim, até momentos mais recentes, passando pelo início dos anos de 1960, assim como pelo Festival de San Remo, na Itália, em 1968. Roberto, entretanto, não gostou de algumas narrativas do livro, que ele denominou de invasão de privacidade. Ora, todos os acontecimentos, tanto na vida profissional quanto na vida particular do artista são de inteiro conhecimento de todos, não se sabendo, ao certo, as razões que levaram o artista a tomar essa drástica atitude. O desfecho desse tumultuado episódio aconteceu no dia 27 de abril passado no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste da cidade de São Paulo quando o cantor Roberto Carlos, a Editora Planeta e o autor, Paulo César Araújo, chegarama um consenso sobre a obra. A editora Planeta se prontificou a recolher todos os exemplares do livro no prazo máximo de 60 dias e brecar a publicação de mais livros e entregar a Roberto os quase 11 mil livros que estavam estocados no almoxarifado da editora. Roberto, por outro lado, concordou em não receber qualquer indenização por parte dos indiciados. Entretanto, hoje com o advento de inúmeros meios de comunicação, esta biografia não está imune à pirataria mesmo porque a obra já caiu na Internet, consequentemente, sabemos todos que não há retorno. Portanto, Roberto, a meu ver, fez tempestade em copo d´água, como se diz por aí, já que todos sabemos que o proibido aguça a curiosidade. Disse o Rei em uma reportagem: “As coisas que eu vi e que tenho conhecimento me desagradam muito. Para começar, é não-autorizada. Tem coisas não verdadeiras, que ofendem a mim e a pessoas queridas. É um absurdo, uma falta de respeito lançar mão da minha história, que é um patrimônio meu. Isso me irrita, me incomoda, me entristece”, disse o artista na coletiva”. Os tais trechos polêmicos que teriam desagradado Roberto seriam os que tocam nos supostos relacionamentos dele com a atriz Sônia Braga e com a cantora Wanderléia, além da exposição de detalhes dos casamentos com Myrian Rios e Maria Rita. O Rei não ficará, de maneira alguma, livre deste incômodo, visto que a Internet está aí para não deixar que o livro se perca totalmente.


TRECHO DO LIVRO “ROBERTO CARLOS EM DETALHES”

(...)

Zunga (Roberto Carlos) e Fifinha pararam numa beirada entre a rua e a linha férrea para ver o desfile. Atrás deles, uma velha locomotiva a vapor começou a fazer a manobra para pegar o outro trilho e seguir a viagem. Uma das professoras temeu pela segurança das crianças próximas do trem e gritou para elas saírem dali. Mas, ao mesmo tempo, avançou e puxou a menina que caiu sobre a calçada. Roberto Carlos se assustou com aquele gesto brusco, recuou, tropeçou e caiu na linha férrea segundos antes de a locomotiva passar. A locomotiva avançou por cima do garoto que ficou preso embaixo do vagão, tendo sua perninha direita imprensada sob as pesadas rodas de metal.

(...)


Imagem 1: Capa do Livro Roberto Carlos em Detalhes

Imagem 2: Roberto: um "Rei" incomodado

A POESIA MORA EM ELIANA


Eliana Mora
Rio de Janeiro 1948
poeta fluminense


Desafio aos cientistas de plantão

Uma liga de cimento e cal
poderia estar no lugar de minhas veias
e um líquido explosivo
resistente
complacente e vivo
seria um sangue novo
alternativo

E eu seria uma cobaia de mim mesma
a observar
se aquele círculo de fogo saberia
resistir

Ou encontrar alguma fórmula
ideal
de retirar de mim
aquela velha dor

Sem colorir meu chão de tinta
rubra

ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...