sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PÁSSAROS DO ANOURÁ - Poetrix - 2ª Tríade


Enzo Carlo Barrocco


PAISAGEM DE ESTRADA
Manhãzinha parda;
plantação, bichos, sossego,
casa isolada.

ANTIGOS TRENS
Velhas estações,
os longos trens carregam idos
sonhos nos vagões.

AS MARIPOSAS
Mariposas, aos pares,
pousas em cadeiras plásticas
em noturnos bares.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RELÂMPAGOS


Enzo Carlo Barrocco


 



As luas carmim retornam
do infinito.
Noites claras nestas luas cheias.

Uns riscos esgalhados
fulgem pelo prado
claro-escuro do horizonte.

Deus, agora, acende
lamparinas. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A POESIA ACREANA DE JORGE TUFIC


O POEMA

Voragem

Rostos que nunca vi, jacintos murchos
cujas sonatas frias me tocaram,
estes rostos não quero: eles são breves
no desfile das pálpebras cerradas.

Penso naqueles outros, familiares
rostos de toda vida. Cata-ventos
da rua ainda sem nome, alagadiço
porão da infância, arpejos e trigais,

dai-me a ver novamente ou mesmo em sonho,
estes semblantes nunca repetidos,
graves alguns, mas todos inseridos

na memória dos dias voluntários.
Cemitério, talvez, dessas lembranças,
todas, em mim, são rosas e crianças. 







O POETA

Jorge Tufic, poeta, cronista, ensaísta e jornalista, acreano de Sena Madureira, no convés da fragata desde 1930, é um vigoroso poeta amazônico, que camba o seu discurso poético para o universo regional. Os anseios do homem amazônico dão cores a sua vibrante poesia. A partir do início da década de 90, fixou-se em Fortaleza – CE, dedicando-se exclusivamente à literatura. Sua estréia literária aconteceu em 1956, com a publicação de Varanda de Pássaros. 



AO CAIR DA TARDE


Enzo Carlo Barrocco


A lua levanta a cara
rente a capoeira seca,
a tarde morre tão fresca
a noite, menina clara,

nasce fria e consistente.
A beleza se experimenta,
a paisagem se ornamenta
com o sol dobrando o poente

sobre umas nuvens lilases.
Porquanto os entes noturnos
às sombras que se refazem

pelos caminhos soturnos,
débeis, frágeis e fugazes
vão começando seus turnos. 


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

QUEIMADAS


Enzo  Carlo Barrocco


As árvores semiústas
erguem os braços para os céus;
o dia rubro
põe nuvens pavorosas no horizonte.

Tocos e troncos no cinzal medonho
e animais carbonizados
na angústia da fuga.

Os pássaros se foram,
restam o sorriso ingênuo do caboclo
e o grelo da maniva
entre os dedos tisnes das crianças.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

NIKOS KAZANTZAKIS NA ESTANTE VIRTUAL

Zorba, o Grego (Romance)
Autor: Nikos Kazantzakis
Edição: Abril S.A.




O clássico romance de Kazantzakis e sua obra mais conhecida., Em “Zorba, o Grego”, o angustiado e inquieto Kazantzakis está soberbo.








sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

MARISA RAJA GABAGLIA NO DIÁRIO DOS PENSADORES



"Há pessoas que se casam em comunhão de males." 



* Marisa Raja Gabaglia (Rio de Janeiro 1942 - São Paulo 2003) romancista, cronista e jornalista  fluminense

PÁSSARO E LUA E ESTRELA

Enzo Carlo Barrocco



Meu poema é um pássaro
voando
de uma ponta a outra do rio,
sobre a linha d´água.
A leveza de uma folha seca
que se desprende.

Meu poema é uma lua
nascendo
na beirada da noite.
A leveza de uma nuvem pequena
num céu polido.

Meu poema é uma estrela
vagando
no sem-fim do universo.
A leveza de um meteorito perdido
no insondável do Cosmo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

PÁSSAROS DO ANOURÁ - Poetrix - 23ª TRÍADE

Enzo Carlo Barrocco


BREVIDADE
Não duvido,
nossa estada neste planeta
é um breve zumbido.

SOB OS OLHOS DE DEUS
A lua veio tarde;
esta noite, de todo o mal, de todo o mal
Senhor, nos guarde!

ESTIMAÇÃO
Eu estimo os animais,
não lesemos os nossos irmãos inocentes

nunca, nunca mais.

AINDA CABE UM ÚLTIMO AVISO

Enzo Carlo Barrocco



As flores, soubessem todos,
a alegria que dá sentir
o aroma.

Diriam de jardins suaves,
roseirais iluminados,
belezas que não se veem mais.

Seríamos imprudentes
levantarmos prédios
sobre cadáveres belíssimos.

Fiquemos sem flores e plantas
e insetos e pássaros;
nossas almas desmanteladas.

ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...