quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

PÉROLAS DE CARANANDUBA - CANTO Nº 09

Enzo Carlo Barrocco


A MÁQUINA INDESTRUTÍVEL
O tempo: perene instante,
aparelho da contagem,
não precisa à engrenagem
de óleo lubrificante. 

AS MANGUEIRAS DO 1º COMAR
São quatro mangueiras em
que as vezes parecem uma,
lindo poema, em suma,
na paisagem de Belém.

VÍCIO DIGITAL
Celine se viciou,
seu tempo agora consiste
ficar logada ao tuitter
em frente ao computador.

ESTÁS PENSANDO QUE ISSO É NÉVOA!
A manhã nasceu tristonha
envolta  por nevoeiros,
é que à noite os maconheiros
fumaram muita maconha.

A MISERÁVEL RUA DA INVASÃO REMOTA
À noite a rua era escura,
extremamente afastada
que nem mesmo era citada
nos mapas da Prefeitura.  

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ALONSO ROCHA: O ADEUS DO POETA



É com pesar que comunico o falecimento, em Belém, do poeta paraense  Alonso Rocha na noite desta terça-feira, 22.02.11, aos 84 anos. Segundo informações de familiares, Alonso estava debilitado e teve o quadro agravado por problemas pulmonares.
O poeta é apontado como um dos melhores sonetistas do Pará dos últimos 50 anos. Na trova o mesmo apuro técnico, embora tenha começado tarde nessa variante. É poeta eclético - como mesmo declarava – não aprisionado a escolas e sem preconceito com qualquer forma de manifestação poética. Alonso foi eleito o IV Príncipe dos poetas do Pará e também pertenceu à Academia Paraense de Letras. Abaixo, um dos sonetos do grande poeta:




NOTURNO
  

Das papoulas da noite colho o espanto
- chuva antes da Lua aparecer –
e das gotas do orvalho teço o canto,
mistura de cansaço e de sofrer.

Na armadilha da aranha aceito o encanto
(macho prestes a amar e fenecer)
e da ferida aberta flui-me o pranto
- linfa de garça em vôo de se perder.

Ninguém percebe como dói a espera
- ave noturna, cais de pedra, fera –
atalho de um caminho amargo e escuro.

Então floresce o poema, essa oferenda,
mais sombra do que luz, trapo que renda,
flauta de amor de pássaro maduro.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

QUINTANA: UM GÊNIO NO JIRAU

Da mente genial de Mário Quintana, poeta, contista e tradutor gaúcho
Estrela da Natividade: Alegrete 1906
Cruz da Eternidade: Porto Alegre 1994



Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

OS PARAOARAS

Enzo Carlo Barrocco


Eu “vu” “aculá”
buscar um paneiro de tucumãs
se chover me “escundo” num pé de sororoca
que a manhã já “tá” “jitinha” que só!

Égua de ti
que me põe pissica!
Vai de “impurtar” contigo,
lavar essa canela tuíra.

Eu “vu” “suzinho”
debulhando a tarde
só “ulhando” os “pai-pedro”  “arvuar”.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

NOTÍCIA DO DIA

NO UOL NOTÍCIAS DE HOJE:


"Britney Spears e Lady Gaga estão com músicas novas; qual você prefere?"

Eu prefiro nenhuma. 

Por favor, me manda aí um Jackson do Pandeiro!

GEOMETRIA



Enzo Carlo Barrocco




Pouca luz
assoma a tua sombra
em mim.
A mão, lua-mão,
encontra a minha mão.
No mais, amor,
desejo a sombra que a pouca luz assoma.

Nem ouso o sensual
já que teu sorriso é geométrico e fatal.


 

VOLTAIRE NO DIÁRIO DOS PENSADORES




"Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males". 


- François Marie Arouet, o Voltaire (Paris 1694 – Idem 1778) contista, romancista, dramaturgo e filósofo francês


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MANHÃ SOBRE A BAÍA

Enzo Carlo Barrocco

Um barco solitário na baía
acorda-me todo dia,
do alto do meu prédio amanhecido
barco, solidão, poesia.

Estico o dedo vário
e longe toco o barco imaginário,
do alto do meu prédio amanhecido
meu poema solitário.

Um barco moroso e solitário
navega à poesia
do alto do meu prédio imaginário
luz, velame, baía.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ESTANTE DE ACRÍLICO - LIVROS SUGESTIONÁVEIS

por Enzo Carlo Barrocco


 

Noites Brancas” (Novela)
Autor: Fiódor Dostoievski
Edição: Editora América do Sul Ltd.
O amor não correspondido entre um homem solitário e uma mulher apaixonada por outro homem. Uma história trivial, mas sob a perspectiva de Dostoievski ganha refino e sofisticação.

“Paris é uma Festa ” (Romance)
Autor: Ernest Hermingway
Edição: Editora Civilização Brasileira S.A.
A Paris entre os anos de 1921 e 1926, retratada sob o olhar aguçado de Hermingway. “Paris é uma Festa” é uma de suas obras menos conhecidas, no entanto, não menos interessante.

“Obras completas” (Poesias)
Autor: Rodrigues Pinajé
Edição: Cultural/Cejup
O Príncipe dos Poetas Paraenses e toda a sua obra reunida nesta antologia poética. Pinajé foi, e continua sendo, um dos nossos grandes poetas e merece toda e qualquer homenagem que possamos lhe prestar. 


 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A LANTERNA DOS LUMIÈRE - TOM CRUISE É O VAMPIRO HOLLYWOODIANO


Resenha

por Enzo Carlo Barrocco



UM VICENTE PRICE DE FINAL DE SÉCULO
 
FILME: ENTREVISTA COM O VAMPIRO (Interview With The Vampire) – Terror – EUA – 1994 – 2h02.  Direção Neil Jordan. Com: Tom Cruise, Brad Pitt, Sthepen Rea, Antônio Banderas, Christian Slater, Kirsten Dunst.


Louis (Pitt), atormentado pela morte da família se apega ao vampiro Lestat (Cruise) a fim de experimentar a vida eterna. Entretanto, torna-se um vampiro com alma humana torturado, agora, com as crueldades de Lestat e o amor quase ensandecido pela pequena Cláudia (Dunst). Após 200 anos de atribulações, Louis decide contar sua história para um repórter (Slater) de São Francisco. O filme tem um visual belíssimo, um roteiro convincente e excelentes atores. Vale a pena conferir.


ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...