sexta-feira, 10 de junho de 2011

AS FLORES VIRTUAIS

Enzo Carlo Barrocco



Estou  saindo para não morrer
de solidão e tecnologia,
armo a palavra e sobre a língua vária
fecho as cortinas da melancolia.

Somente a luz virtual e fria
apodera-se dos meus dedos brancos
entretanto, entre solavancos
ando à procura de aves retirantes.

Que importa a música e a estrofe
que  o tempo não tem rédea ou peia,
a cada hora a palavra muda,

a cada dia tudo mais se afeia,
hoje o perfume sensual das flores
busco nas telas dos computadores.



sexta-feira, 3 de junho de 2011

A POESIA PERSPICAZ DE ZILA MAMEDE



O POEMA

Rua (TRAIRI)

Nos cubos desse sal que me encarcera
(Pedras, silêncios, picaretas, luas,
anoitecidos braços na paisagem)
a duna antiga faz-se pavimento.

Meu chão se muda em novos alicerces,
sob as pedreiras rasgam-se meus passos;
e a velha grama (pasto de lirismos)
afoga-se nos sulcos das enxadas,

nas ânsias do caminho vertical.
Ao sono das areias abandonam-
se nesta rua vívidos fantasmas

De seus rios meninos que descalços
apascentavam lamas e enxurradas.
Meu chão de agora: a rua está calçada.



A POETA 




Zila da Costa Mamede (Nova Palmeira 1928 – Natal, RN 1985) poeta paraibana, se notabilizou  pela sutileza com a qual desenvolvia sua poesia, com temas relacionados as suas paixões e ao sertão nordestino. Zila foi elogiada por nomes famosos da literatura brasileira, incluindo Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Câmara Cascudo e João Cabral de Melo Neto, entre outros. A poeta também se dedicou à  pesquisa de importantes nomes da nossa literatura. Encante-se com a poesia de Zila, por sorte, espalhada pela “grande rede”.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

LIBÉLULAS RUBRAS - 1ª TRÍADE


Enzo Carlo Barrocco


O MAR DE PEDRAS
Neste mar de pedras
posso bem falar,
sopra um
vento
morto,
devagar.


O BEIJO
Quando se beija
fecham-se os olhos,
e o universo
todo
cabe na boca
da outra pessoa.




OS PÁSSAROS
Os poetas são um
bando de pássaros
unicolores
sobrevoando o fundo branco
do lençol
da alma.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

OCORRÊNCIA

Enzo Carlo Barrocco



penso num objeto inalcançável
o que sinto agora
é um ilusão

dinheiro que não se pode impetrar
apenas o fundo da memória
apenas este silêncio entrecortado

por uma música distante
há um anseio
pela ocorrência  imediata


SIMONE WEYL NO DIÁRIO DOS PENSADORES

"Alguma coisa misteriosa neste universo é cumplice dos que amam o bem".




 

terça-feira, 17 de maio de 2011

AS URTIGAS DE LÚCIFER

Enzo Carlo Barrocco


Eram três elementos,
flores nauseantes nascidas no fundo do inferno.
Destarte, urtigas plantadas pelo próprio Lúcifer.
E regadas com a sua pútrida urina.

Certo dia saíram pelo mundo
a mando de Satã, o imperador das profundezas.

Cada um foi para um setor...
Contava o ano de 1999,
e desde então o planeta anda com um terrível
mau-humor.
Todos os tipos de mazelas se apoderaram
do mundo.
Tu que agora lês este poema,
repara a tua volta,
a História conta de sinistros e assombros,
no entanto as calamidades hoje, vertiginosamente,
se acentuaram.

A LANTERNA DOS LUMIÈRE - AS MALUQUICES DE RICK MORANIS

 por Enzo Carlo Barrocco

A ARTE DE UM PEQUENO CIENTISTA



FILME: QUERIDA, ESTIQUEI O BEBÊ (HONEY I BLEW UP THE KID) – Comédia – EUA – 1992 – 1h22. Direção Randal Kleiser. Com: Rick Moranis, Márcia Strassman, Robert Oliveri, Daniel e Joshua Shalikar, Llooyd Bridges, John Sea, Kery Russel, Ron Canada.

Embora “Querida Estiquei o Bebê”, esteja posto no gênero infantil, a comédia aqui é um dos pontos. Nos mesmos moldes de “Querida, Encolhi as Crianças”, filme antecessor. Cientista atrapalhado (Moranis), tentando provar seu invento de aumentar objetos, acidentalmente, no laboratório de pesquisas, projeta o raio de crescimento sobre seu filho (Daniel e Joshua Shalikar), fazendo-o crescer espetacularmente. Rick Moranis se esforça ao máximo.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

2ª TRÍADE DE MINICONTOS

Enzo Carlo Barrocco


BEBEU O JUÍZO

Trançando as pernas caiu inconsciente à vala da ruazinha pobre. Pescoços espichados de alguns; uma chuva miúda começara há pouco.


MAIS PERDIDO QUE ...

A família mudava de um bairro a outro. Na curva que dá à ponte Pilar de Deus, o pequeno vira-lata escorregou por um buraco da carroçaria. Ninguém percebeu. O cão, um tanto machucado, se viu surpreendido e atônito.

 
7º ANDAR

Sorriu-me com todos os dentes a nova vizinha do 703. Afastou-me até de pensamentos melancólicos referentes dívidas. Após três dias eu é que     já afastava sua calcinha para o lado.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

CHARLIE PARKER E A MÚSICA NO JIRAU


Título: Bird of Paradise
Intérprete: Charlie Parker
Gravadora: Del Prado, 1996)

Charlie Parker (1920-1954) é reconhecidamente um dos maiores representantes do jazz e, aqui em “Bird of  Paradise”, seu talento está mais latente ainda. Este CD faz parte de uma coleção que a Ediciones del Prado, da Espanha, nos presenteia. São 14 sensacionais faixas nas quais Os Dizzy Gillespie Sextet, Red Norvo and Select Sextet, juntamente com outros grupos formados por Parker nos fazem emocionar. Destaque para as faixas Congo Blues (R. Norvo), Koko (Parker), Cherrs (H. McGhee), Stupendous (H. McGhee), Cherryl (Parker), Bir of Paradise (Parker) My Old (A. Johnston / S. Coslow). Para quem é apaixonado por jazz e tem bom gosto este CD é um verdadeiro achado. 


quinta-feira, 7 de abril de 2011

SIMONE DE BEAUVOIR NO DIÁRIO DOS PENSADORES



"É na arte que  homem se ultrapassa definitivamente".



- Simone de Beauvoir (Paris 1908 - Idem 1986) novelista, romancista, ensaísta e filósofa francesa

ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...