quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

O PONTO DO LIVRO: O ATENEU

O Ateneu é um romance do escritor fluminense Raul d'Ávila Pompeia (Angra dos Reis 1863 - Rio de Janeiro 1895) publicado em folhetins, em 1888. Essa obra faz parte do movimento realista no Brasil, sendo uma das mais importantes do período. O Ateneu é  considerado o único exemplar de romance impressionista de nossa literatura. O livro conta a história de Sérgio que, aos 11 anos, fora matriculado em um colégio interno chamado Ateneu, o qual tem como pano  de fundo o bairro do Rio Comprido no Rio de Janeiro. Esse livro é apontado como a obra-prima de Raul Pompeia. 

*ENZOCB2020






sábado, 5 de dezembro de 2020

O POEMA E A POETA: AUTA DE SOUZA

O POEMA...


Caminho do Sertão 


(A meu irmão João Cancio) 


Tão longe a casa! Nem sequer alcanço

Vê-la através da mata. Nos caminhos

A sombra desce; e, sem achar descanso,

Vamos nós dois, meu pobre irmão, sozinhos! 


É noite já. Como em feliz remanso,

Dormem as aves nos pequenos ninhos...

Vamos mais devagar... de manso e manso,

Para não assustar os passarinhos. 


Brilham estrelas. Todo o céu parece

Rezar de joelhos a chorosa prece

Que a Noite ensina ao desespero e a dor... 


Ao longe, a Lua vem dourando a treva...

Turíbulo imenso para Deus eleva

O incenso agreste da jurema em flor. 


...A POETA 


Auta Henriqueta de Souza (Macaíba 1876 - Natal 1901) poeta potiguar, pertenceu à segunda geração romântica, com alguma influência simbolista. Em 1900, publicou seu único livro, Horto, com 114 poemas, de grande repercussão e que se esgotou em dois meses. Essa obra foi prefaciada por Olavo Bilac, um dos nossos maiores poetas. Auta teve seus poemas publicados em vários jornais e revistas da época, inclusive no jornal "O Paiz", do Rio de Janeiro. A poesia de Auta circulou nas rodas literárias de todo o Brasil, despertando grande interesse. Venceu a resistência dos círculos literários masculinos e escrevia profissionalmente em uma sociedade em que este ofício era quase que exclusividade dos homens, já que a crítica ignorava as mulheres escritoras.  Tornou-se a poeta mais conhecida fora do Estado do Rio Grande do Norte. Segundo o seu conterrâneo Luís da Câmara Cascudo, historiador, antropólogo, advogado e jornalista, é "a maior poeta mística do Brasil". Quatorze dos seus poemas foram musicados por artistas locais dando grande visibilidade ao seu trabalho literário. Embora a vida sofrida, Auta se consagrou como uma das maiores escritoras brasileiras.



sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

LEE AARKE, RIN TIN TIN IV, JAMES E. BROWN, E RAND BROOKS NA MÁQUINA DO TEMPO

Em 1956, os atores Aarke (Cabo Rusty), aos 13 anos,  Brown (Ten. Ripley), aos 36 anos, Brooks (Cabo Boone), aos 38 anos e o cachorro Rin Tin Tin IV, astros da série americana "As Aventuras de Rin Tin Tin",  gravada entre outubro de 1954 e maio de 1959, com 164 episódios produzidos pela rede de televisão ABC. 


EnzoCB2020



segunda-feira, 23 de novembro de 2020

O POEMA E O POETA: CRUZ E SOUSA

O POEMA...

LIRIAL

Vens com uns tons de searas,
De prados enflorescidos
E trazes os coloridos
Das frescas auroras claras.

E tens as nuances raras
Dos bons prazeres servidos
Nos rostos enlourecidos
Das parisienses preclaras.

Chapéu das finas elites,
De roses e clematites,
Chapéu Pierrette — entre o sol

Passando, esbelta e rosada,
Pareces uma encantada
Canção azul do Tirol.


...O POETA

João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis 1861- Curral Novo, atual Antônio Carlos, MG 1898) poeta catarinense, foi um dos precursores e o maior representante do simbolismo no Brasil. Em 1881, dirigiu o jornal Tribuna Popular, no qual foi um incisivo combatente  da escravidão e do preconceito racial. No ano de 1883, por ser negro, foi recusado como promotor da cidade de  Laguna. Em 1890, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conseguiu um emprego de arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil, ao mesmo tempo em que colaborou com diversos jornais da época. O poeta morreu jovem, aos 36 anos, acometido de tuberculose, doença incurável no final do século XIX.





sábado, 14 de novembro de 2020

O GRAMOFONE DE BERLINER: PEDRO SERTANEJO

A LENDA DO FORRÓ 

Pedro de Almeida e Silva, o Pedro Sertanejo (Euclides da Cunha 1927 — Idem 1997) músico, compositor e radialista baiano, foi o primeiro artista nordestino a levar o forró para São Paulo. Fundou o primeiro selo independente, a Gravadora Cantagalo. Realizou a sua primeira gravação, em 1956, acompanhado de seu conjunto, pela  gravadora Copacabana, interpretando o xote "Roseira do Norte" de sua autoria e Zé Gonzaga e a polca "Zé Passinho na Festa" de sua autoria. Na Todamérica, em 1958, gravou duas músicas, o baião "Balaio do Norte" e o forró "Forró Brejeiro", tocando acordeom. No ano de 1964 fundou a Cantagalo, onde dirigiu a gravadora por toda a década de 1960. Convidou, então,  Dominguinhos, no início da carreira, para gravar um LP destinado, exclusivamente, ao público migrante nordestino.  Ao longo de sua carreira, Pedro Sertanejo gravou mais de 100 LP's.  Um excepcional safoneiro que deixou seu legado, enobrecendo a Música Regional Sertaneja, assim como a Música Popular Brasileira. Fundou um salão de forró na Rua Catumbi no bairro do Belenzinho, em São Paulo que era o ponto de encontro de vários cantores e instrumentistas  nordestinos. As grandes  atrações eram Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Zé Gonzaga, Marinês, Dominguinhos, entre outros. Pedro era casado com Noemia Lima e Silva, e tiveram seis filhos, entre os quais Oswaldo de Almeida e Silva, Osvaldinho do Acordeon, atualmente um dos grandes sanfoneiros brasileiros. Aqui, seu LP "União dos Palmares", de 1971, com destaque para as músicas: Palmares (Pedro Sertanejo), Pojuca (J. Luna e Pedro Sertanejo) e Oh, Helena! (Zito Borborema e Pedro Sertanejo). 

ENZOCB2020



sexta-feira, 6 de novembro de 2020

CAROLINA MARIA DE JESUS E RUTH DE SOUZA NA MÁQUINA DO TEMPO

As extraordinárias Carolina Maria de Jesus,  escritora, aos 47 anos, e Ruth de Souza, atriz, aos 40 anos, na Favela do Canindé, São Paulo, em 1961, por ocasião da peça  "Quarto de Despejo" na qual Ruth interpretou Carolina no teatro.

EnzoCB2020



ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...